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Interior

“Sem restrições, teremos pessoas morrendo nas ruas”, diz médico paraguaio

País vizinho está com saúde em colapso, mortes em alta e só 0,7% da população vacinada

Por Helio de Freitas, de Dourados | 24/05/2021 15:12
Paciente com covid-19 é atendido em hospital do Paraguai (Foto: Jornal Hoy)
Paciente com covid-19 é atendido em hospital do Paraguai (Foto: Jornal Hoy)

Se o Paraguai não adotar medidas de restrição para frear o contágio pelo coronavírus como fez a Argentina na semana passada, pessoas vão morrer nas ruas sem atendimento em decorrência de complicações da covid-19. Leitos de UTI estão ocupados, inclusive em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Mato Grosso do Sul.

O alerta foi feito nesta segunda-feira (24) pelo médico Carlos Morínigo, chefe de contingência e coordenador do Instituto Nacional de Enfermidades Respiratórias e do Ambiente.

Ao cobrar ações urgentes por parte do governo do presidente Mario Abdo Benítez, o médico disse que a situação da pandemia é incontrolável naquele país que tem pelo menos 1.100 quilômetros com MS.

São sete cidades sul-mato-grossenses consideradas gêmeas de cidades paraguaias, onde a linha internacional é apenas uma rua e a circulação de pessoas é livre de ambos os lados da fronteira. Pedro Juan Caballero e Ponta Porã (MS), por exemplo, possuem juntas quase 210 mil habitantes.

O médico paraguaio Carlos Morínigo (Foto: La Nación)
O médico paraguaio Carlos Morínigo (Foto: La Nación)

“Estamos conscientes da situação econômica atual, mas não podemos mais ignorar nossos doentes e mortos. É nosso dever falar da realidade em defesa de um diálogo nacional pela saúde de todos os paraguaios”, afirmou Morínigo em entrevista coletiva, nesta segunda-feira (24).

Diante do colapso sanitário, o médico pediu quarentena total por pelo menos duas semanas. “Nossa única esperança é a vacinação massiva, mas isso é impossível pela quantidade de vacina que chega”, afirmou ele, segundo o jornal Diário Hoy.

Com 51.780 pessoas totalmente vacinadas (duas doses), o Paraguai imunizou até agora apenas 0,7% da população de pelo menos 7 milhões de habitantes.

“Se não forem adotadas medidas mais restritivas, teremos tempos sombrios para nossa nação, vendo nossos pacientes morrerem nas ruas”, disse o médico ao citar a necessidade de lockdown devido ao aumento das mortes entre a população economicamente ativa.

Carlos Morínigo pediu ao governo a adoção de ajuda necessária aos setores da economia que serão afetados e decretar confinamento por 14 dias. Ele também apelou à população para fazer quarentena por conta própria, para salvar vidas.

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