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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

24/01/2020 10:47

Sucessor de Minotauro usou certidão falsa emitida por cartório já investigado

RG foi emitido com base em certidão de nascimento falsa, emitida em 2014; tabeliã da época é investigada por crimes há 4 anos

Silvia Frias
Certidão de nascimento emitida por cartório de Aral Moreira investigado pela Polícia Federal (Foto/Reprodução)Certidão de nascimento emitida por cartório de Aral Moreira investigado pela Polícia Federal (Foto/Reprodução)

Há pelo menos cinco anos o homem que se apresentava como Edson Barbosa Salinas usava identidade falsa, com base em certidão de nascimento expedida por cartório de Aral Moreira, distante 364 quilômetros de Campo Grande.

Segundo a Polícia Civil, “Edson”, conhecido como “Salinas Riguaçu” é o sucessor do narcotraficante Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o “Minotauro”, um dos reis do tráfico e liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital). O nome verdadeiro seria Ederson Salinas Benitez.

De acordo com a PF (Polícia Federal) o cartório já foi objeto de investigação policial por conta da lavratura de registros de forma fraudulenta. Em 2015, a tabeliã responsável pelo cartório foi afastada das funções por conta das irregularidades.

No fim do mesmo ano, uma nova tabelião, aprovada em concurso público, assumiu o cartório. A antiga funcionária ainda é investigada pelos crimes. 

Documento enviado pela inteligência do Paraguai, com outra identidade de Salinas (Foto/Reprodução)Documento enviado pela inteligência do Paraguai, com outra identidade de Salinas (Foto/Reprodução)

Mudança - Na audiência de custódia realizada ontem (23), o juiz Marcelo Guimarães Marques, da 2ª Vara Criminal de Ponta Porã, arbitrou fiança de R$ 80 mil, pois considerou que, apesar das informações da polícia, não foram anexados indícios desse envolvimento com narcotráfico e a facção criminosa, seguindo até a recomendação do MPMS (Ministério Público de MS).

No entanto, o juiz voltou atrás na decisão ao ser informado pelo MP/MS que o narcotraficante pode ter apresentado uma identidade falsa às autoridades.

Na identidade usada por “Salinas Riguaçu” consta que ele nasceu no dia 6 de janeiro de 1988, à 1h, em uma fazenda de Aral Moreira. O documento é assinado pela tabeliã que já é alvo de inqúerito em tramitação na 2ª Vara Federal de Ponta Porã desde 2015, "com a impútação de centenas de falsidades e estelionatos a ela e demais integrantes do grupo criminoso". A mesma acusação motivou denúncia do MPMS de 2014.

Porém, no inquérito sobre a briga de trânsito foi anexado documento emitido pelo departamento de inteligência da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai em que consta a foto dele e o nome de Ederson Salina Benitez, nascido em 6 de janeiro de 1990, em Pedro Juan Caballero. Com exceção do primeiro nome do pai, Guillermo (na certidão brasileira, Guilhermo), a filiação é completamente diferente.

O juiz então revogou o alvará de soltura e pediu que a defesa do suspeito esclareça a informação e apresente uma copia da identidade paraguaia do indiciado. O magistrado liberou a restituição do valor pago de fiança e determinou uma nova perícia no celular do suspeito. A nova varredura deve ser feita sob a supervisão da Polícia Federal.

Salinas, único nome verdadeiro usado por ele na identidade falsa, foi preso no domingo (19) depois de briga de trânsito. No boletim de ocorrência apresentou-se como agricultor, mas a Polícia Civil informou no inquérito o envolvimento dele com o PCC, sendo o sucessor de Minotauro, hoje, preso em Balneário Camboriú.

(Matéria alterada às 15h47 para acréscimo de informações)

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