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Interior

Temendo novos ataques, família enterra comerciante morto por pistoleiros

Corpo de Vitorino Sanches foi sepultado em cerimônia apenas para família e amigos próximos

Helio de Freitas, de Dourados | 15/09/2022 15:53
O indígena Vitorino Sanches, executado terça-feira em Amambai (Foto: Reprodução)
O indígena Vitorino Sanches, executado terça-feira em Amambai (Foto: Reprodução)

Foi sepultado na manhã desta quinta-feira (15) na Aldeia Amambai o corpo do comerciante e agricultor Vitorino Sanches, 60, executado por dois pistoleiros na tarde de terça-feira (13) no centro da cidade localizada a 351 km de Campo Grande. É o quarto indígena morto neste ano naquela região, que se tornou epicentro da violência ligada à disputa pela terra.

Moradores da aldeia relataram ao Campo Grande News que o velório, iniciado por volta de 15h de ontem, foi acompanhado apenas por familiares e amigos próximos. Por medida de segurança, poucas pessoas estavam presentes no enterro. A família de Vitorino teme novos atentados contra seus parentes.

“Todos estamos com medo, o clima é de tensão por aqui. Ninguém sabe quem será o próximo. Eu mesmo, decidir não ir ao velório porque estou com medo”, afirmou morador da aldeia.

O homicídio é apurado pela Polícia Civil, que até agora não informou sobre o andamento das investigações. Os autores seriam dois homens que fugiram de moto. Sobrevivente de outro atentado no dia 2 de agosto, Vitorino foi atingido com cinco tiros pelas costas, chegou a ser socorrido, mas morreu em seguida.

Apesar de não ocupar oficialmente posição de liderança da aldeia, Vitorino tinha muita influência entre a comunidade indígena. Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), ele apoiava a retomada do tekoha Guapo’y (Fazenda Borda da Mata), palco do massacre com um morto e 9 feridos em junho deste ano.

Para a Aty Guasu (Grande Assembleia do povo Guarani e Kaiowá), as emboscadas contra Vitorino e contra Marcio Rosa Moreira, 40, (assassinado no dia 14 de julho em Amambai), podem ter relação estreitas com o “Massacre de Guapo’y”.

“Todas essas emboscadas se dão depois da nossa retomada e depois do ataque policial. As pessoas mortas, perseguidas e que estão sendo ameaçadas no território são todas ligadas à retomada. Alguns são líderes direitos outros apoiadores, como é o caso do Vitorino”, afirmou ao Cimi liderança da Aty Guasu, que por razões de segurança se identificou como Ava Tuja.

Além da suspeita de ligação do assassinato ao conflito por terra, lideranças indígenas e Amambai admitem que a morte de Vitorino também pode ter sido encomendada por questões internas da aldeia ou até mesmo por motivos passionais.

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