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Interior

Vereador aliado critica isolamento e prefeito o chama de “negacionista”

Edevaldo Mattoso disse que governador é “ditador” e que “morrer é a melhor coisa”

Por Helio de Freitas, de Dourados | 24/03/2021 10:01
Edevaldo Mattoso, vereador do PSDB em Ponta Porã (Foto: Divulgação)
Edevaldo Mattoso, vereador do PSDB em Ponta Porã (Foto: Divulgação)

No dia em que o Brasil superou a marca de três mil mortes diárias pela covid-19, o vereador Edevaldo Mattoso (PSDB) subiu à tribuna da Câmara de Ponta Porã (a 323 km de Campo Grande) para criticar medidas adotadas em Mato Grosso do Sul para conter a disseminação do coronavírus.

Afirmando falar em defesa dos comerciantes, Edevaldo Mattoso criticou o fechamento de estabelecimentos comerciais devido ao toque de recolher.

Sem citar o nome do governador Reinaldo Azambuja, do mesmo partido, o vereador tucano chamou de “ditador” quem tomou a decisão sem ouvir os legisladores dos 79 municípios. “Nós representamos o povo”, afirmou. A reportagem procurou a assessoria do governador, mas Reinaldo não vai se manifestar sobre o caso.

Edevaldo Mattoso também disse que só quem não acredita em Deus tem medo da morte e que “morrer é a melhor coisa”. “Já falei para minha mãe que não pedi para vir neste mundo”.

Veja o vídeo com trechos do discurso:

No discurso, Edevaldo Mattoso também criticou a exigência de uso de máscara quando ele chega a um restaurante afirmando que para comer tem que tirar o equipamento de proteção e chamou o coronavírus de “muito inteligente” por só infectar as pessoas depois das 20h (quando começa o toque de recolher).

O prefeito Hélio Peluffo, também filiado ao PSDB, criticou o vereador aliado, principalmente por Mattoso ter feito o discurso no dia em que o país superou três mil mortes diárias e pelo fato de outro legislador da cidade, Rony Lino (PSDB), se encontrar intubado devido a complicações da covid-19.

“No dia em que o Brasil bate o recorde de mortes por covid-19, o vereador Edevaldo Matoso resolveu demonstrar ignorância, falta de amor ao próximo e fazer politicagem contra as medidas adotadas pelo Governo do Estado, decretadas com o único propósito de preservar as vidas que o sistema de saúde não consegue mais atender”, afirmou o prefeito.

Segundo Hélio Peluffo, nem a gravidade do quadro de saúde de Rony Lino serviu para gerar bom senso e humanidade nas palavras de Edevaldo Mattoso. “Cada um tem o direito de se expressar, mas entendo que nessa hora quem tem mandato e responsabilidade pública deve pensar antes de abrir a boca”.

Conforme o prefeito, “por atitudes negacionistas e inconsequentes como a do vereador Mattoso”, muita gente tem morrido por falta de ar nas filas dos hospitais.  “Perdeu a grande chance de ficar calado”, afirmou Hélio Peluffo.

Outro caso – Em Ponta Porã, outro vereador tem se destacado durante a pandemia, mas por desrespeitar as medidas sanitárias. Mauro Ortiz (PSDB), pastor da Igreja Nova Redenção da Fé, vem sendo criticado por promover cultos lotados e por conduzir as cerimônias religiosas sem máscara.

“É impossível deter a fé das pessoas e estamos fazendo o máximo para aumentar os horários dos cultos e fazer conforme manda as normas de biossegurança”, disse ele, na semana passada. A assessora dele morreu recentemente, vítima da covid-19.

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