Wolbachia avança em Corumbá após reduzir casos de dengue na Capital
Método consiste na soltura de "mosquitos do bem" para barrar transmissão de vírus

O método Wolbachia, que reduziu em 63% os casos de dengue em Campo Grande, segundo estudo publicado em dezembro de 2025 pela revista científica The Lancet Regional Health – Americas, começa a avançar em Corumbá.
RESUMO
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O método Wolbachia, que reduziu em 63% os casos de dengue em Campo Grande segundo estudo publicado em dezembro de 2025 na revista The Lancet, avança para Corumbá. O projeto foi apresentado na quinta-feira (3) em videoconferência com o Ministério da Saúde e a iniciativa Wolbachia do Brasil. A estratégia consiste em soltar mosquitos Aedes aegypti com a bactéria, que reduz a transmissão de dengue, zika e chikungunya. A implantação passará por etapas de planejamento antes das liberações.
O projeto foi apresentado na quinta-feira (3) no município do interior. Houve uma videoconferência com representantes do Ministério da Saúde e da iniciativa Wolbachia do Brasil na data. A implantação passará por etapas de planejamento antes de os mosquitos começarem a ser liberados.
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A estratégia consiste em soltar mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Quando ela está presente, reduz sua capacidade de transmitir os vírus responsáveis por algumas das principais arboviroses urbanas, a dengue, a zika e a chikungunya.

O estudo sobre os resultados obtidos em Campo Grande foi publicado pela Fiocruz-MS (Fundação Oswaldo Cruz de Mato Grosso do Sul). Na Capital, a tecnologia já é utilizada como estratégia complementar de combate às arboviroses.
Corumbá - Consultora técnica do Ministério da Saúde na Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses, Aline Rapello explicou que a tecnologia passou por experiências e análises em diferentes localidades antes de ser incorporada às estratégias nacionais. Ela ressaltou, no entanto, que o método não substitui as formas mais tradicionais de se combater o mosquito.
Em Corumbá, a preparação inclui a definição de bairros prioritários, montagem da estrutura que vai "produzir" os mosquitos Wolbachia e capacitação de servidores das áreas de saúde, educação, assistência social e comunicação.
Ativação - Após a fase de preparação, a previsão é que os mosquitos sejam liberados gradualmente durante cerca de seis meses. A soltura deverá ocorrer uma vez por semana, pela manhã, com o apoio de veículos que irão até os bairros selecionados.
O município também vai acompanhar se a Wolbachia conseguiu se estabelecer entre os demais. Esse monitoramento começará um mês depois do início das liberações e vai continuar mesmo quando essa fase for concluída.
Ovitrampas, armadilhas destinadas à coleta de ovos de mosquitos, serão utilizadas para o acompanhamento. O material recolhido será analisado para verificar a presença ou não da bactéria.
Além disso, um núcleo de eclosão será criado em Corumbá. Cápsulas contendo ovos serão preparadas no local para que os mosquitos completem o ciclo de desenvolvimento até a fase adulta. Só depois os Aedes aegypti com Wolbachia serão transportados aos bairros escolhidos.
Uma vez presente na população de mosquitos, a Wolbachia é transmitida às novas gerações, o que mantém a bactéria predominante sem a necessidade de liberações contínuas.
População - Campanhas de comunicação e mobilização serão realizadas nos bairros contemplados para informar aos moradores sobre a soltura e monitoramento.
Cartazes, folders, panfletos, vídeos e conteúdos digitais vão ser espalhados. Na comunicação com a população, os mosquitos costumam ser chamados de "Aedes aegypti com Wolbachia", "Wolbito" ou "mosquito amigo".
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