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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

02/03/2009 13:07

Medo do cerol faz esvaziar estoques de antenas para moto

Redação

O medo de ser um alvo do cerol tem levado muitos motociclistas às lojas que vendem as chamadas antenas para motos. O objeto está em falta no mercado e os comerciantes afirmam que ela impede que o pescoço do motociclista seja cortado. Mas ainda há quem resista a essa nova "moda".

"Quero ir comprar hoje, mas não sei se vou encontrar", disse o mototaxista Celso Escalange Martins, 53 anos, sobre a antena que precisa colocar no veículo que trabalha. Há sete anos na atividade, Celso explica que começou a se preocupar porque aumentou o número de acidentes.

O comerciante Adilson Fernandes, 31 anos, que há dois é proprietário da Moto Power, na avenida Júlio de Castilhos, explica que no mês passado comprou 70 antenas simples e hoje já não tem mais. "Em menos de duas semanas saíram todas".

Na loja dele, as antenas variam de R$ 8 a R$ 15, mas só há nas prateleiras as com preço mais alto. "Agora só tenho essa de R$ 15. Já pedi mais 100 das mais simples". O estoque deve ser reforçado ainda essa semana.

Adilson explica que a antena é colocada presa no guidão ou retrovisor e a diferença entre elas é a base. Todas têm cerca de 50 centímetros e conseguem cortar a linha de pipas, impedindo ferimentos em motociclistas e ciclistas. "O cerol é uma arma", finaliza o comerciante.

O vendedor Elton Vieira, 22 anos, que há três trabalha na Moto Sul, na avenida Ceará, diz que a procura está grande, mas não tem nenhuma antena disponível na loja. "Toda hora, todo momento tem gente pedinho. A última remessa chegou ao começo do mês passado. Nem o fornecedor tem", revela.

Para Leandro Fialho do Nascimento, 26 anos, que há nove meses trabalha como mototaxista, o risco maior de ser atingido por uma linha com cerol é aos fins de semana e nos bairros. "São quando as crianças não estão nas escolas", diz.

Ele, que deixou de trabalhar como vendedor para poder estudar para concurso público, diz que está preocupado com a situação e que irá providenciar a proteção o mais rápido possível. "Ando bem grilado com isso".

O colega de Leandro, Efraim Pereira do Nascimento, 41 anos, também não colocou a antena, mas diz que vai correr para comprar porque teve um susto grande no inicio de dezembro do ano passado, no bairro Amambaí. "Tinha um fio atravessado na rua. Eu não vi, enrosquei e caí".

O fio era de telefone e cortou o pescoço dele. Um dia no hospital e uma cicatriz o fizeram ficar mais atento. "Agora estou mais atento". O caso poderia ter sido mais grave se o fio em questão tivesse sido uma linha com cerol.

Apesar da preocupação com o risco de ser atingido, Leonardo de Oliveira Alves, 27 anos, que há cerca de um ano é mototaxista, diz que não irá instalar a antena. "Não vejo necessidade. A pessoa tem que andar mais atenta".

Ele cobra do poder público fiscalização sobre isso. "Tem que ter fiscalização. O que adianta ter lei se não tem fiscalização?", questiona.

A discussão sobre a mistura de vidro e cola utilizada em linhas de pipa para derrubar outras, veio à tona na última semana. No dia 23 de fevereiro Marcos Aparecido Pardin, de 25 anos, teve o pescoço cortado por uma linha com cerol, enquanto passava de moto por uma das ruas do bairro Coophavila II. O corte foi de cerca de 15 centímetros de comprimento.

Na tarde desse domingo, Valdir Rodrigues Cavalcante, 36 anos, morreu ao ser atingido pela linha com cerol, na avenida Ernesto Geisel, no Aero Rancho.

Na Ciptran (Companhia Independente de Policiamento de Trânsito), todas as motos são equipadas com antenas.

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