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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

01/05/2018 08:35

No maior conflito, briga por 135 mil hectares nasceu com rio "perdido"

A área deixou de ser Corumbá, virou Porto Murtinho e, na sequência, aldeia indígena

Aline dos Santos
Conforme Jadir Bocato, 17 municípios tem conflito por território em MS. (Foto: Marina Pacheco)Conforme Jadir Bocato, 17 municípios tem conflito por território em MS. (Foto: Marina Pacheco)

A maior disputa por território entre municípios de Mato Grosso do Sul fica entre Porto Murtinho e Corumbá. Um rio “perdido” por 15 anos resultou em mudança de localização de 135 mil hectares. A área deixou de ser Corumbá, virou Porto Murtinho e, na sequência, aldeia indígena, num conflito fundiário que se arrasta por décadas.

“Porto Murtinho e Corumbá é tratado por nós como o maior problema que temos no Estado. Até porque não envolve só os limites dos municípios, envolve os limites da aldeia indígena kadiwéu. É algo tratado como muito problemático. Até porque o limite do município de Porto Murtinho é o limite da aldeia indígena kadiwéu e há uma dupla interpretação de onde está o rio Naitaka”, afirma o gerente de regularização fundiária da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Jadir Bocato.

Em parceria com o IBGE, a agência desenvolve o projeto Arquivo Gráfico Municipal, que vai regularizar os limites do municípios em Mato Grosso do Sul.

Rio perdido – O mapeamento dos limites municipais tem como base as cartas cartográficas do DSG (Departamento de Serviço Geográfico) do Exército. Em 1967, o levantamento não conseguiu definir o rio Naitaka. De acordo com Jadir, o primeiro trabalho foi de aerofotogrametria. Nesta modalidade, são feitas fotos aéreas. É determinado um plano de voo, com determinada velocidade, altitude e a máquina fotográfica é programada.

As fotografias são usadas em pares, com sobreposição de 50% de uma sobre outra. Com auxílio de um fotorestituídor, quem olha para as imagens vê em terceira dimensão. “Consigo ver as árvores, ver onde é morro, fazer o mapeamento dos rios. Mas como lá é Pantanal, não foi possível identificar onde estava a cabeceira”, explica Jadir.

Em 1982, a equipe do Exército voltou à região, desta vez, com levantamento por terra. “O pessoal do Exército foi avançando naquelas áreas alagadas e fazendo a medição. Foi o trabalho clássico de topografia, com teodolito, trena. Ficaram meses fazendo o levantamento”, diz o gerente da Agraer.

O comparativo entre as cartas topográficas resultou a mudança de limite entre os municípios, envolvendo os 135 mil hectares. Segundo Jadir, a partir da identificação do rio Naitaka, houve alteração no tamanho da aldeia, que também aponta o rio como limite. “Esse território é composto por propriedades rurais e tem um conflito seríssimo nessa região”.

A reportagem solicitou informações à assessoria de imprensa da prefeitura de Corumbá, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria. O Campo Grande News não conseguiu contato hoje com a prefeitura de Porto Murtinho.

Tecnologia - O projeto Arquivo Gráfico Municipal, que traça o desenho de um novo e definitivo mapa dos 35 milhões de hectares de Mato Grosso do Sul, esbarra na disputa 17 municípios por território.

Agora, o trabalho inclui georreferenciamento. São seis GPS de alta precisão, que trabalham em pares para determinar a latitude e a longitude.



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