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Cidades

Para secretário de Direitos Humanos, demarcação pode pacificar conflitos em MS

Por Aline dos Santos, da Redação, e Nadyenka Castro, de Ponta Porã | 23/11/2011 13:57

Comissão veio ao Estado após ataque a acampamento indígena

Comissão visita acampamento na tarde desta quarta-feira.
Comissão visita acampamento na tarde desta quarta-feira.

“Não tem como colocar representante das polícias em todos os locais de conflitos. Isso seria enxugar gelo”, afirma o secretário-executivo da SDH (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), Ramaís de Castro Silva, cuja vinda a Mato Grosso do Sul foi motivada por ataque ao acampamento indígena Guaiviry, em Aral Moreira. Ele vê a demarcação de terras como solução.

A invasão foi na última sexta-feira e desde então o líder Nisio Gomes, de 59 anos, está desaparecido. Para os índios, ele foi morto. Já a PF (Polícia Federal) trata o caso como desaparecimento.

Comitiva de Brasília na sede da Funai em Ponta Porã, de onde vão para acampamento indígena (Foto: João Garrigó)
Comitiva de Brasília na sede da Funai em Ponta Porã, de onde vão para acampamento indígena (Foto: João Garrigó)

Hoje, a comissão da Secretaria de Direitos Humanos se reuniu por mais de duas horas com representantes da Funai (Fundação Nacional do Índio) e da PF (Polícia Federal) em Ponta Porã.

À tarde, o grupo vai visitar o acampamento. De acordo com Ramaís Silva, é preciso reunir esforços para chegar à pacificação. “O conflito de terra só vai acabar quando tiver resolvido a demarcação de terra”, avalia. Ele também condenou a violência. “Os conflitos de terra devem ser resolvidos em nível estritamente judicial”, afirma o secretário-executivo.

Em 2008, o governo federal deflagrou processo de vistoria para demarcação de terras indígenas. Os produtores rurais acionaram a justiça para impedir a visita dos antropólogos e o processo só foi retomado no fim do ano passado.

O Campo Grande News, que está na região, apurou que os depoimentos coletados até agora indicam que 7 homens invadiram o acampamento, em três camionetes, usando armas longas não letais, ou seja, que usam balas de borracha e normalmente são usadas para conter tumultos.

Balas desse tipo foram encontradas no acampamento, assim como rastro de sangue, indicando que alguém foi arrastado. Diante dos testemunhos, a PF acredita que Nisio tenha sido levado vivo. O sangue está passando por exames laboratoriais, para saber se é humano e de quem se trata, no caso positivo.

De Nisio, ficou no local apenas um chapéu com as coras da bandeira brasileira.

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