Refrigerante zero é vilão ou só virou alvo de palpites de gente chata?
Especialista alerta que a ausência de açúcar não torna a bebida benéfica para a saúde
Basta sentar à mesa com alguém, abrir um refrigerante zero e logo surge o comentário: “sabia que isso faz mal igual ao normal?”. A cena é comum e mostra como a bebida, cada vez mais presente na rotina de quem quer reduzir o açúcar, também virou alvo de dúvidas.
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Especialistas alertam que refrigerantes zero açúcar não são necessariamente saudáveis, apesar da ausência de calorias. Estudos indicam que essas bebidas podem aumentar em 60% o risco de desenvolver gordura no fígado, além de causar alterações metabólicas significativas. O consumo frequente desses produtos ultraprocessados pode prejudicar a saúde bucal, interferir na saúde óssea e manter o paladar dependente do sabor doce. A OMS classifica o aspartame, adoçante comum nessas bebidas, como "possivelmente carcinogênico para humanos", recomendando moderação no consumo.
Embora seja vista como uma alternativa “mais saudável” às versões tradicionais, especialistas explicam que a ausência de açúcar não significa, necessariamente, que o refrigerante zero seja benéfico para a saúde.
Segundo o nutricionista Renan Almeida, o fato de o refrigerante zero não ter açúcar ou calorias não significa que ele seja saudável. “Muita gente acredita que por ser zero, a bebida está liberada. Mas ainda se trata de um produto ultraprocessado, com aditivos químicos e adoçantes artificiais que podem trazer impactos ao organismo”, explica.
Estudos recentes têm levantado questionamentos sobre o consumo frequente desse tipo de bebida. Uma pesquisa apresentada durante a Semana Europeia de Gastroenterologia apontou que bebidas adoçadas artificialmente podem aumentar em até 60% o risco de desenvolver gordura no fígado, condição conhecida como esteatose hepática. Esse efeito estaria relacionado a alterações metabólicas que podem provocar picos de glicose e insulina no organismo.
De acordo com Renan Almeida, outro ponto importante é o efeito que os adoçantes podem causar no comportamento alimentar. “Mesmo sem calorias, o sabor doce mantém o paladar acostumado ao açúcar. Isso pode levar a uma espécie de compensação alimentar, em que a pessoa acaba consumindo mais doces ou alimentos calóricos ao longo do dia”, afirma.
Além disso, o nutricionista ressalta que refrigerantes, com ou sem açúcar, não oferecem qualquer valor nutricional relevante. “Eles não têm vitaminas, minerais ou compostos importantes para o organismo. Quando entram com frequência na dieta, muitas vezes acabam substituindo bebidas mais nutritivas”, diz.
Há também preocupações relacionadas a outros efeitos no corpo. A presença de compostos ácidos nas bebidas pode prejudicar a saúde bucal e contribuir para o desgaste do esmalte dos dentes. Em alguns casos, ingredientes como o ácido fosfórico também podem interferir na saúde óssea quando consumidos em excesso.
Outro ponto debatido entre especialistas envolve os adoçantes artificiais, como o aspartame. Embora considerados seguros dentro de limites específicos, a Organização Mundial da Saúde recomenda moderação e classifica o composto como “possivelmente carcinogênico para humanos”, o que reforça a necessidade de cautela no consumo.
“A melhor bebida para o corpo continua sendo a água. Também é possível variar com chás naturais, água com gás e frutas ou água de coco, que são opções mais saudáveis”, conclui Renan Almeida.
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