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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

09/06/2010 13:45

Pente-fino flagra "mercearia" em cela do PCC na Máxima

Aline Queiroz

Caixas de leite, de leite condensado, fardos de refrigerante, isqueiros, condimentos, doces, latas de salsicha e milho. A descrição se assemelha a uma mercearia, mas não é. Tudo isso foi encontrado dentro de uma cela do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, onde ficam os presos da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

A operação pente-fino foi realizada em maio, porém, os detalhes estavam em sigilo. Depois do flagrante da irregularidade, alguns líderes da facção foram transferidos. No entanto, a medida não é suficiente, segundo o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Fernando Anunciação.

"Logo eles estão organizados novamente", afirma o sindicalista. Para Anunciação, a situação constatada na cela durante a ação é outra prova da estrutura que os presos mantêm.

De acordo com Anunciação, trata-se de um mercado paralelo, que, mesmo após desarticulado, é refeito com facilidade pelos líderes de facção.

Questionado se o dinheiro da movimentação desta mercearia improvisada seria para alimentar ações criminosas, o presidente do sindicato é enfático. "Na igreja é que não vão doar", sintetiza Anunciação.

Já o diretor da unidade, João Bosco Corrêa, minimiza os impactos desta ação dos bandidos. Para ele, este comércio, embora ilícito, tem pouca movimentação financeira.

"Vejo que é coisa pequena. Não configura que estejam levantando fundos para a facção", diz Bosco. Ainda segundo o diretor, a cela onde foram encontrados os produtos não pertence ao PCC.

No entanto, várias fontes ouvidas pelo Campo Grande News confirmam que no local estavam reclusos líderes da facção.

A reportagem também apurou que a merceria tinha uma tabela de preços que "beneficia" integrantes do PCC. Em uma lista feita com uma folha de caderno e caneta, os responsáveis pela mercearia separam os valores praticados, que são mais baixos internos do PCC.

O diretor do presídio afirma que os presos compram produtos na cantina e estocam nas celas. Contudo, ele esclarece que é irregular porque somente podem ser vendidos dentro da cantina e nos horários de funcionamento estabelecidos pela direção.

A operação surpresa envolveu a Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário), Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) e agentes da unidade prisional.

Cães farejadores foram empenhados na varredura. Foram encontradas também porções de drogas e aparelhos celulares, produtos tradicionalmente apreendidos em operações deste tipo.

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