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Campo Grande, Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019

27/12/2018 08:00

Por abandono ou fugas, número de animais nas ruas cresce nesta época

Visitas, festas, fogos de artifício e viagens são os fatores que põe mais cães e gatos nas ruas

Tatiana Marin
Cães em gaiola no CCZ, durante feira de adoção. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Cães em gaiola no CCZ, durante feira de adoção. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O número de cães e gatos nas ruas aumenta com a proximidade das férias e festas de fim de ano. O fato é visivelmente constatado e comprovado pelas ONGs que resgatam os pets que são abandonados e muitas vezes fogem de casa nesta época de fim de ano. O que fazer para evitar que mais bichinhos acabem nas ruas?

A OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que há cerca de 30 milhões de animais de rua no Brasil. Segundo Ana Cristina Camargo de Castro, presidente da Amicat’s, há levantamentos de instituições que indicam que o crescimento pode variar de 15 a 50%, dependendo da região do Brasil. “Infelizmente, apesar da confraternização, família e festas dessa época, o abandono é realidade”, constata.

“Essa época é a pior época do ano para os animais, tanto pelas festividades comemoradas com fogos de artifício em que eles escapam e são atropelados, como também pelo abandono. Algumas pessoas saem para férias e se encontram com um ‘problema’ e optam por abandonar o animal nas ruas”, concorda Maria Lúcia  Mettelo, da ONG Abrigo dos Bichos.

ONG Amicat’s diz que crescimento pode variar de 15 a 50%. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)ONG Amicat’s diz que crescimento pode variar de 15 a 50%. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

“A gente percebe o aumento do abandono no final do ano. É uma época que muita gente viaja, vai passear e às vezes não tem com quem deixar. São pessoas que podem fazer adoção de maneira impensada e não pode assumir custos de hotel ou pet sitter e acaba deixando na rua ou sozinho dentro de casa”, analisa Ana Cristina.

Mas se deixarmos o julgamento de lado e oferecermos o benefício da dúvida, podemos concluir que os animais nas ruas podem não ser apenas vítimas de abandono ou maus-tratos. Há pessoas que ignoram os cuidados necessários com os bichinhos e, quando viajam, não podem arcar com gasto de hospedagem para animais. A saída para muitas famílias, nestes casos, é deixá-los em casa sob os cuidados de algum conhecido. Mas sozinhos eles podem estar correndo sérios riscos.

Casos

Um exemplo aconteceu nesta terça-feira (25), que em pleno dia de Natal, o Corpo de Bombeiros foi acionado para salvar um cão da raça Dog Alemão que estava se afogando na piscina. De acordo com informações do subtenente Guedes, a família, que provavelmente estava viajando, talvez tenha deixado algum conhecido para colocar alimento e fazer a troca da água, entretanto o cão acabou caindo na piscina. Felizmente, este foi o único caso do tipo registrado em 2018.

Por outro lado, o subtenente Guedes alerta que nesta época de férias e festas, acontecem muitos casos de animais que fogem, acabam se perdendo ou sendo atropelados por conta dos fogos de artifício. Além disso, há outros fatores que podem levar à fuga de animais. “Nessa época de festa, as famílias recebem parentes e acabam descuidando de portas, portões e janelas, o que aumenta o índice de fuga”, alerta Ana Cristina.

Ainda em relação aos fogos de artifício, há os cães e gatos que adoecem e podem até morrer devido às reações aos barulhos. A protetora Iomar Lubas, de 65 anos, que tem mais de 20 animais, vive esta aflição a cada ano e já perdeu três cães no passado. Depois do Natal deste ano, 2 deles estão em choque e, com isso, sem se alimentar. “São cachorros resgatados da rua, que tem muito medo. Não queria perder eles, é muito triste. Já levei na veterinária, mas acho que não vai ter jeito”, diz a protetora em lágrimas.

O que fazer para proteger os animais?

Antes de mais nada, Ana Cristina aconselha que os pets devem ser tomados como uma responsabilidade. “É uma vida. Tem que ser adquirida de forma responsável. As pessoas que adotam precisam saber que é um ato de responsabilidade e vai exigir muitas ações pelo resto da vida. Vai proporcionar muitos momentos de prazer, mas vai ser responsável pela saúde, alimentação e conforto daquele animal”, declara. Por isso, presentear alguém com um bichinho deve ser muito bem pensado, “quem recebe pode não estar preparado para tudo isso”, acrescenta.

Outro cão que acabou em feira de adoção realizada pelo CCZ. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Outro cão que acabou em feira de adoção realizada pelo CCZ. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Para quem tem um bichinho, o melhor é estar junto dele na hora dos fogos para tentar acalmá-lo, mas se não for possível, algumas ações podem ajudar muito. O médico veterinário Mário Franco Cinato aconselha a fechar bem as portas e não deixar janelas abertas. “Eles podem pular, fugir e se enroscar em cercas”, alerta ele.

O ideal é deixar o animal em um ambiente fechado com o mínimo de móveis possíveis. “Tirar coisas em que ele possa subir ou se esconder e depois não conseguir sair”, diz. Segundo Mário, a área de serviço não é um bom local, pois os pets - gatos principalmente - acabam se escondendo dentro das máquinas de lavar, onde podem se machucar e é difícil de tirá-los de lá.

Outra dica é deixar um ar condicionado ou ventilador ligado no ambiente, pois o ruído intermitente tende a acalmar os animais e abafar o barulhos dos fogos. Neste mesmo quarto, providencie um esconderijo - como uma caminha ou um armário - para que ele possa se refugiar e depois seja fácil de removê-lo.

O médico veterinário também recomenda o uso de uma medicação homeopática que acalma os animais e pode ser adicionada à água. Ainda, outros medicamentos podem ser receitados e, em casos extremos, o cão ou gato pode ser internado em uma clínica, onde receberá medicação intravenosa.

Maria Lúcia, da Abrigo dos Bichos, afirma que enrolar uma faixa no animal também surte efeito. “A faixa faz com que ele se sinta abraçado e mais confiante”, sugere.

Faixa amarrada ao corpo do cão faz com que ele se sinta mais seguro. (Foto: Reprodução)Faixa amarrada ao corpo do cão faz com que ele se sinta mais seguro. (Foto: Reprodução)


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