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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

22/07/2013 18:06

Racismo se combate com união de forças, conhecimento e atitude

Elverson Cardozo
Daniel dos Santos Araújo alega que foi discriminado em restaurante. (Foto: Marcos Ermínio)Daniel dos Santos Araújo alega que foi discriminado em restaurante. (Foto: Marcos Ermínio)

O caso do gesseiro negro que alega ter sido discriminado depois de tentar, sem sucesso, comprar água em um restaurante de luxo em Campo Grande, no sábado, reacende a discussão sobre o racismo no Brasil, mas especificamente aqui, na Capital do Estado. Para especialistas e militantes da causa, os casos vão além dos números oficiais, mas as vítimas precisam se inteirar do assunto e unir forças para fazer valer seus direitos constitucionais.

“Não adianta meia dúzia brigar por 42%, que é a população negra do Estado”. A afirmação é da coordenadora especial de Políticas para a Igualdade Racial, Raimunda Luzia de Brito.

Ela não sabia do caso, mas questiona porque o gesseiro Daniel dos Santos Araújo, de 45 anos, não procurou alguma entidade ou alguém do movimento negro na cidade.

A ajuda especializada, de gente que entende do assunto, é de extrema importância na hora de procurar a polícia e de qualificar o crime, disse. “Se ele vai à delegacia sozinho, o boletim de ocorrência não tem mais de 5 linhas, no máximo. Se vai com alguém do movimento, o documento é mais definido porque a gente chega e entende de das leis”, explicou.

Raimunda é firme na hora de avaliar a situação. Não considera que o gesseiro agiu errado. Fez certo em procurar a polícia, diz ela, mas o homem poderia ter mais respaldo. O problema é que, em casos como esse, geralmente a queixa vem depois do ato e daí, para ter uma solução é mais complicado.

“Estamos ganhando espaço, mas as pessoas têm que valorizar isso com a gente. Não adianta um grupinho ficar discutindo, se a massa só vê a discriminação quando alguém é discriminado”, afirmou.

Ativista do movimento negro e juiz aposentado de direito, Aleixo Paraguassu Neto, de 76 anos, também não teve conhecimento do fato, mas afirma, com segurança, que o preconceito, no Brasil, é velado e, por isso, fica difícil classificar o fato perante a lei.

“Uma hipótese como essa, admitindo que tenha havido alguma coisa, é muito sutil. Não estou dizendo que houve neste caso, mas em hipóteses dessa natureza, às vezes se esconde o racismo velado. Isso lamentável”, pontuou.

Paraguassu costuma dizer que essas manifestações “se dão nos desvãos das relações sociais”. “Um exemplo que me veio à mente são as imagens das bancadas da Copa das Confederações. Da a impressão que os jogos de futebol ocorreram em um país nórdico. Você não vê imagens de negros. No Festival de Literatura de Parati você também não vê pessoas negras na platéia, ao passo que 50% da população brasileira é de negros. É uma forma cínica do Brasil tratar a questão”, finalizou.

Outro caso - Há 12 anos, o jornalista Paulo Nonato de Souza, 46 anos, que é negro, viveu essa situação na pele. Na época, estava mobiliando a casa e precisava comprar alguns móveis. Foi a uma loja em Campo Grande em busca de cadeiras, mas sequer foi atendido.

Com muito custo, alguém foi falar com ele, que perguntou o preço. A atendente, ignorando todas as normas de conduta, disse que era “caro” e que o cliente poderia procurar em outro lugar “mais em conta”.
Paulo não se contentou. Insistiu no preço, soube que era R$ 180,00 cada e, por fim, sem dizer muita coisa, deu uma lição na vendedora. “Eu comprei cinco para mostrar que não é dessa forma que se deve tratar as pessoas”, relembrou.

Para o jornalista, o preconceito não é só racial, mas social e ele não vai deixar de existir tão cedo, porque o conceito já está “enraizado” na sociedade.

“Foram três séculos de escravidão e isso formou um caráter na sociedade brasileira. É a essência de muita gente de pele branca, que se sente superior apenas por isso”, afirmou. “Mas isso não ocorre só com pessoas brancas. Tem negros que, pelo fato de estarem em uma posição diferente, sentem-se superior. São iguais que se repelem. Pessoas que se sentem na casa grande”, salientou.

Para o jornalista, como defendeu a coordenadora, é preciso consciência social para buscar os próprios direitos. O que falta à maioria, completou, é deixar a zona de conformismo.

 



Um dia liguei pra lá e perguntei se entregavam "marmitex", um homem com voz sóbria respondeu categórico: "Não senhor, não trabalhamos com delivery!" Então tá, né! kkkkk...
 
Gilberto Ramos em 23/07/2013 09:57:25
Tá vendo? O movimento de igualdade racial nada sabia, o dr. Paraguassu idem. Então a coisa caminha para sabermos realmente qual a intenção de Daniel. O crime cometido pelo restaurante foi, apenas, a negativa em vender um produto, é previsto em lei e não de racismo. Cadê a policia pra se posicionar? A midia já ouvir ou ao menos publicou a foto do restaurante?Não adiante querer repercutir o caso apenas na fala da suposta vitima. Há "n" casos de mal entendido; lembra do caso dos três acusados de ter matado e estuprado a menina Tainá? E a turba queimou o parque de diversão onde os acusados trabalhavam? Discriminação racial é a tal cota pra negros e cota pra índios, é ter q fazer leis pra ser respeitado pela cor e pela raça, isso é discriminação racial. Uma garrafa d'agua cara?
 
samuel gomes-campo grande em 23/07/2013 09:21:55
Graças a Deus me orgulho de ser negra, não gostaria de ser diferente, só mudo meu cabelo pq é muito difícil lidar com ele, mas me acho uma das negras mais linda de Campo Grande, não sou que digo ouço muito isso, tenho o auto estima bem elevado por ser uma negra.
 
Adriana de Menezes em 23/07/2013 09:13:35
O lamentável é que as pessoas emissoras do preconceito são pessoas miseráveis, ignorantes que saem da periferia e acabam achando que fazem parte da classe media alta. Esquecem que são simples empregados como nós. O fato de trabalharem para empreendedores de sucesso, em locais acessíveis para a burguesia não quer dizer que você faz parte dele... quando acaba o expediente certeza que esse garçom vai esperar o busão...
 
Júlio Dias A. C. em 23/07/2013 08:08:21
eu sou morena clara e meu ex marido negro... eh eu estava gravida com vontade de comer comida japonesa, sai do trabalho num sábado e fomos direto ao restaurante. E ninguém, nenhum garçom veio nos recepcionar oferecer o cardápio, ficamos la conversando, mais de uns 10min. ai que percebemos q n eramos bem vindo, no lugar...acredito que não era por estar mal vestido, era vendedora na época, e meu ex marido bombeiro... era porque era um casal de negro...
 
maria helena ferreira em 23/07/2013 07:58:06
Poisé... Esse tal restaurante de luxo vende coxão duro dizendo que é filé... Fui vítima de estelionato...
 
Daniel Assunção em 22/07/2013 23:11:49
Chegará um dia no Brasil ou no mundo em que as pessoas terão orgulho em dizer que são negras. porque na minha concepção ser negro é um privilégio, mas em não acredito na maioria das pessoas que são negras que dizem tem orgulho. Infelizmente nos vivemos sobre padrões da sociedade, ter que ser magro, pele morena não mulato, por que nós brasileiros temos como padrão de beleza o moreno. E tem mais, cabelos lisos. Se a tal beyonce "cantora americana" orgulhasse tanto de sua raça ela buscaria tanto o visual de loira?, mas ela é negra.Nos somos uma nação de gente mulata, linda em que todos no mundo gostariam de ter.
 
OCLECIO FERREIRA LUIZ em 22/07/2013 19:26:05
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