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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

15/12/2013 11:32

Restaurante é 4 vezes menor que o ideal e fila tumultua almoço na UFMS

Zana Zaidan
Das 10 às 14 horas, R.U. está sempre lotado. É preciso chegar cedo para escapar das filas e garantir um lugar nas mesas (Foto: Cléber Gellio)Das 10 às 14 horas, R.U. está sempre lotado. É preciso chegar cedo para escapar das filas e garantir um lugar nas mesas (Foto: Cléber Gellio)

O Restaurante Universitário da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) já não comporta mais os picos de 1,6 mil usuários, entre acadêmicos, funcionários e visitantes que passam pelo bandejão da universidade de segunda a sexta-feira. A capacidade do refeitório – 380 pessoas sentadas – quatro vezes menor que a ideal, torna o almoço dos universitários um caos, com filas e dificuldade para conseguir um lugar nas mesas.

A verba destinada à alimentação dos alunos no R.U. é de pelo menos R$ 1,5 milhão por mês, valor que varia de acordo com o número de refeições servidas - a média fica em torno de 1,3 mil por dia. Agora, depois de 15 anos de luta da comunidade acadêmica para que o restaurante fosse reativado, a reivindicação é para que a UFMS invista em um projeto de ampliação do espaço.

A empresa terceirizada que presta serviços para a UFMS, a SCA Eventos, também aponta a necessidade de reforma do prédio para que a qualidade dos serviços seja mantida até o final do contrato, em dezembro de 2014, prorrogáveis por outros cinco anos. “Precisaríamos de um espaço maior nos próximos anos. O restaurante ficou muito tempo fechado, por isso, a estrutura é de uma época em que 500 pessoas, em média, usavam o R.U. Com a volta, foi feita a revitalização, que não incluiu mudanças na capacidade”, defende o proprietário da SCA, José Luiz Matos Pessoa. O prédio foi projetado em 1969 e inaugurado dois anos depois.

“Dificulta bastante a vida do aluno, usar boa parte do intervalo que temos entre a manhã e a tarde na fila, comer rápido e voltar para as aulas”, afirma a acadêmica do 2º semestre de Pedagogia, Maria Eduarda Alves, 18 anos. “Antes mesmo de abrir as portas, uma fila enorme já estava formada do lado de fora. Começamos a perceber que, quem não chegasse mais cedo, corria o risco de esperar 40 minutos, uma hora na fila”, acrescenta.

Como paliativo para o problema, a direção do R.U. mudou o horário de funcionamento – originalmente, abria às 11 horas, mas passou a funcionar a partir das dez. Outra solução foi implantada na hora de servir as refeições – antes, a fila era única, agora, duas filas correm de ambos os lados do buffet e aceleram o fluxo. “Foi a forma que encontramos para tentar reduzir a espera. Quem frequenta também colabora bastante: entenderam a necessidade da rotatividade e que, devem almoçar e levantar para dar o lugar para o próximo, para não deixar ninguém em pé com a bandeja na mão”, explica Pessoa. Mesas também foram improvisadas do lado de fora, nos fundos do R.U., que acrescentam cerca de 30 lugares.

Mudanças no horário e na forma de servir não foram suficientes para diminuir a fila (Foto: Cléber Gellio)Mudanças no horário e na forma de servir não foram suficientes para diminuir a fila (Foto: Cléber Gellio)

“R.U. mais caro do Brasil” – O preço do restaurante também é alvo de reclamações - a universidade subsidia R$ 4,10 dos R$ 6,60 de cada refeição - depois de muita briga por parte do DCE (Diretório Central Acadêmico). Os estudantes de graduação arcam com os R$ 2,50 restantes. Funcionários, demais acadêmicos (mestrado, doutorado) e visitantes pagam o valor cheio.

Segundo Pessoa, o contrato prevê reajuste anual por parte da empresa – para 2014, o proprietário calcula aumento em torno de 5,5 a 6%. Com isso, os R$ 6,60 podem chegar a R$ 7 no ano que vem. No entanto, a UFMS não informou se o reajuste chegará aos alunos.

“Os R$ 2,50 podem parecer pouco, mas para um acadêmico, que estuda em período integral, ou seja, não tempo disponível para trabalhar, o gasto pesa muito no final do mês. Fora as despesas com pensionato, material, cópias, transporte”, conta o acadêmico Scott Stanco, 21 anos, do 2º ano de Física. “Meu auxílio são meus pais. Somos em três cinco irmãos e, além de mim, outras duas irmãs fazem faculdade, e minha contamos com meus pais, já que minha mãe não têm emprego fixo”, acrescenta o estudante, que veio de Sonora, a 364 quilômetros de Campo Grande, e em 2012 recebia os R$ 460 de auxílio-permanência (paga a alunos “vulneráveis socioeconomicamente”.

Mas a fama de “R.U. mais caro do Brasil”, coro dos acadêmicos, não faz jus – o posto é ocupado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), onde o valor cobrado é de R$ 3, mesmo preço praticado por outras sete universidades federais brasileiras.

E à noite? - Para muitos acadêmicos, a falta de R.U. noturno também é outro problema por causa do dinheiro curto. A SCA garante ter “estrutura e disponibilidade” para servir as refeições à noite – “Basta acrescentar este serviço ao contrato”, afirma Pessoa.

Em abril, a questão foi uma das motivações de um protesto em frente a reitoria, para chamar a atenção da reitora Célia Maria Oliveira para a necessidade de mudanças na assistência estudantil. Na época, a UFMS divulgou nota oficial em resposta ao manifesto, afirmando que solicitou “aos alunos que repassassem a necessidade de demanda para atendimento no período noturno. Não houve retorno do pedido”.

A informação é desmentida pelos alunos. “Fizemos uma lista extensa, com o nome de cada um dos alunos que defendia e tinha interesse na implantação do R.U. noturno. Quem daqui não iria querer fazer uma refeição digna à noite, ao invés de se alimentar na base de salgado de lanchonete?”, questiona a acadêmica de Medicina Veterinária Stefanie Santana, 22 anos, referendada por Matheus Carneiro, 19 anos, de Engenharia Elétrica, e que vai assumir a gestão do DCE no ano que vem. “Desde então, ficamos sem resposta”, aponta.

 

As refeições, bem servidas, são aprovadas por quem almoça todos os dias no R.U. (Foto: Cléber Gellio)As refeições, bem servidas, são aprovadas por quem almoça todos os dias no R.U. (Foto: Cléber Gellio)

Qualidade - Apesar dos problemas apontados, em um ponto os alunos são unânimes: a refeição do R.U. é de qualidade, e o cardápio, variado ao longo da semana. A reportagem almoçou um dia no restaurante e reforça a avaliação: além do prato - que inclui (à vontade) salada, arroz (branco ou integral) e feijão, é servida uma porção de proteína (carne, frango ou peixe), mais acompanhamentos, além de duas opções de sucos e sobremesa, seguida do cafézinho.

"Sobre a comida, não tem do que reclamar. Parece comida de casa, nem dá para notar que estamos almoçando fora todos os dias. Tem muita salada, o que não existe em outros 'pratos-feitos' por aí, que entopem a gente de arroz, o suco e a sobremesa. Dá para comer bem", opina Matheus Baroni, 24 anos, de Educação Física.

No dia da visita, salada de alface, tomate e repolho, arroz, feijão, bobó de galinha e batata palha, com suco de abacaxi ou uva. De sobremesa, uma fruta.

Só o café da manhã - que custa R$ 1, para os cadastrados, e não passou pelo crivo da reportagem - é considerado "pobre": pão com manteiga, e um copo de leite, café ou chá estão no cardápio.

O Campo Grande News entrou em contato com a UFMS para saber se há previsão de mais investimentos no R.U. para 2014. Sobre o projeto de ampliação do refeitório, a instituição limitou-se a dizer que a obra foi incluída no PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) de 2014, mas não deu detalhes sobre data da entrega ou qual será a nova capacidade.

Quanto ao R.U. à noite, a UFMS afirma que há "perspectivas" para implantação apenas para alunos dos cursos noturnos, além da elaboração de projetos de novos R.U.s nos demais campis da universidade, para que, posteriormente, sejam buscados recursos.

A instituição não se pronunciou sobre a contradição nas informações sobre a lista solicitada para medir a demanda por refeições à noite.

Projeto de ampliação do R.U. começará a ser elaborado em 2014, sem previsão de entrega ou quantos lugares serão incluídos (Foto: Cléber Gellio)Projeto de ampliação do R.U. começará a ser elaborado em 2014, sem previsão de entrega ou quantos lugares serão incluídos (Foto: Cléber Gellio)


Quem "vai" ao Escobar,NÃO almoça na UFMS e nem precisa do RU,mas aos que almoçam no RU muitos NÃO frequentam Escobar,Mas concordo com o restante dos acadêmicos,valores absurdos sendo o mais caro do Brasil,em se tratando de Universidade Federal.Deveriam ter outra forma inclusive de cadastrar quem realmente precisa do almoço e não tem condições de ir em casa e ou arcar com despesas de refeição.
 
cristina mendes carli em 16/12/2013 10:06:08
Não se pode generalizar. Eu fui 1 vez no Escobar na minha vida acadêmica inteira e fiquei pouco tempo, e durante toda minha "estada" na UFMS, o RU abriu apenas nos primeiros dias, depois ficou 4 anos e meio fechado e eu tinha que gastar diariamente R$6,00 pra almoçar no "100%" (prato executivo) ou na "Bat-Caverna" (prato-feito), e pra mim esse dinheiro fazia muita diferença, afinal meu curso era em tempo integral (alguns dias com aula à noite inclusive) e não conseguia emprego que aceitasse encaixar o expediente nos meus horários livres. Creio que a maioria que almoça no RU não é batedor de ponto de barzinho.
 
Paulo Medeiros em 16/12/2013 08:07:51
ENQUANTO ISSO A UNIÃO CONSTRÓI ESTÁDIOS, VERGONHA.
NEI SALVIANO
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nei salviano em 16/12/2013 08:06:32
Uma parte dos que mais reclamam que não tem dinheiro para se alimentar de maneira adequada, usam seus recursos financeiros para 'visitas' diárias no Escobar. E aí?
 
Juliana Cabrera em 16/12/2013 07:37:41
Pra comer não tem dinheiro, mas os barzinhos do entorno vivem lotados todos os dias...
 
Filipe Alberto em 15/12/2013 23:36:58
A mais notável preocupação da atual administração de UFMS é manter o prédio da Reitoria cercado de guardas com segurança 24 horas, protegendo os que lá estão sitiados.
 
joão paulo em 15/12/2013 18:52:19
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