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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

07/05/2018 11:17

Santa Casa fecha no vermelho e deficit nas contas chega a R$ 102 milhões

Despesas crescem quatro vezes acima do avanço das receitas; vilão seria os juros bancários

Osvaldo Júnior
Santa Casa de Campo Grande, que terminou 2017 com deficit de R$ 29 milhões (Foto: Saul Schramm/Arquivo)Santa Casa de Campo Grande, que terminou 2017 com deficit de R$ 29 milhões (Foto: Saul Schramm/Arquivo)

Com o crescimento das despesas em ritmo acima ao das receitas, as contas da Santa Casa têm a cor da classificação de alto risco: vermelha. O deficit acumulado soma R$ 102,78 milhões, conforme as demonstrações contábeis, publicadas na edição desta segunda-feira (dia 7) no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande). Apenas no ano passado, o saldo negativo somou R$ 29,69 milhões.

O balanço mostra que as despesas da Santa Casa cresceram quatro vezes mais que as receitas na comparação entre 2017 e 2016. Entraram no caixa da entidade R$ 340,614 milhões no ano passado, valor 4,23% maior que os R$ 326,773 milhões contabilizados em 2016. Já as despesas tiveram avanço de 17,72%, de R$ 314,545 milhões para R$ 370,306 milhões.

Com isso, o ano passado encerrou com deficit de R$ 29,697 milhões. Já em 2016, as contas do hospital fecharam com superavit de R$ 12,094 milhões.

Empréstimos – O presidente da Santa Casa, Esacheu Cipriano Nascimento, nota que a situação financeira no vermelho decorre dos juros elevados dos empréstimos feitos pela entidade. “Nosso resultado operacional foi positivo em 2017. É a primeira vez que isso ocorre depois de muitos anos. No entanto, os custos financeiros com os empréstimos foram muito elevados”, considerou.

De acordo com a publicação, a Santa Casa emprestou, de dezembro de 2013 a novembro de 2017, o montante de R$ 210 milhões dos bancos Santander e Caixa Econômica Federal. Considerando os valores principais e os respectivos encargos financeiros, essa dívida totalizou R$ 177,77 milhões no final do ano passado. A alta é de 84% em relação ao saldo de 2016, de R$ 96,47 milhões.

O balanço mostra que as despesas financeiras (como as referentes aos custos com o pagamento dos empréstimos) mais que dobraram de 2016 para 2017, passando de R$ 14,37 milhões para R$ 39,28 milhões. A alta é de 173%.

Outros desembolsos também cresceram, mas em menor medida. A despesa com pessoal aumentou 3,81%, de R$ 213,45 milhões para R$ 221,6 milhões. Contas gerais para manutenção do prédio, relativas a água, luz e telefone, tiveram alta de 12,73%: de R$ 5,71 milhões para R$ 6,43 milhões.

Hospital atende por ano o corresponde a um terço da população de Campo Grande (Foto: Saul Schramm/Arquivo)Hospital atende por ano o corresponde a um terço da população de Campo Grande (Foto: Saul Schramm/Arquivo)

Repactuação – Os empréstimos são necessários, porque os valores que entram na Santa Casa não são suficientes para cobrir as despesas causadas pela demanda elevada do hospital, conforme afirmou Esacheu Nascimento. “Esse é um problema geral de todas as Santas Casas do País”, observa.

Esse quadro pode ser amenizado com a repactuação das dívidas, de acordo com Nascimento. “Se a proposta nesse sentido for aprovada, os juros podem cair significativamente”, afirma. Os desembolsos mensais com o pagamento de juros seriam reduzidos de R$ 4 milhões para cerca de R$ 900 mil, segundo estima o presidente da Santa Casa.

De acordo com a CMB ( Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas), as dívidas das 2,1 mil instituições existentes no País totalizam R$ 21 bilhões nos números de 2017.

Demanda – A Santa Casa de Campo Grande realiza cerca de 1,8 milhão de procedimentos anualmente. O hospital atende aproximadamente 300 mil pessoas por ano, segundo informou o presidente da entidade. Esse número corresponde a um terço da população do município – são 874 mil habitantes, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).



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