Família Jafar manteve "modelo de negócios" do patriarca em esquema fraudulento
Rossana e os filhos seriam os verdadeiros donos da Avante, que substituiu a Alvorada na venda de livros

Investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) para a Operação Gutenberg mostram que a família Jafar era a verdadeira dona da Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviço), embora formalmente estivesse registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia. O nome de Joatan Gomes Peixoto, também preso na ação, assinou como responsável da editora em contratos com os municípios.
RESUMO
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A família Jafar era a verdadeira controladora da Editora Avante, segundo investigações do Gaeco para a Operação Gutenberg. Rossana Paroschi Jafar e seus filhos Giovanni, Olívia e Felipe gerenciavam a empresa, formalmente registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia. A organização teria fraudado licitações públicas para venda de livros paradidáticos, movimentando mais de R$ 27 milhões em contratos com prefeituras de Mato Grosso do Sul.
A suspeita do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) é de que Rhayane, ou Joatan, não tinham autonomia gerencial nem financeira para decidir sobre os negócios da empresa e que a responsabilidade real era de Rossana Paroschi Jafar e dos filhos Giovanni, Olívia e Felipe Paroschi Jafar.
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A investigação aponta que os investigados se valiam de servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas, mediante contratação direta por inexigibilidade de licitação para a aquisição de livros paradidáticos. Esse era o mesmo modus operandi da antiga Editora Alvorada, que pertencia a Mirched Jafar Júnior, marido de Rossana e pai de Giovanni, Olívia e Felipe, mas que faleceu em 2021.
A investigação do Gaeco começou em 2023, depois de uma denúncia anônima levantar suspeitas sobre a Editora Avante. A empresa foi criada em novembro de 2021, formalmente por Rhayane Souza Fanaia, poucos meses depois da morte de Mirched.
Rossana e o marido eram sócios-administradores da Gráfica e Editora Alvorada Ltda., empresa que já havia aparecido em investigações da Operação Lama Asfáltica em contratos públicos para aquisição de livros. O próprio Gaeco registrou, na abertura da apuração, que os primeiros elementos indicavam um mesmo modo de operação entre a antiga Editora Alvorada e a nova Editora Avante.
Desta vez, os valores recebidos dos cofres públicos pela Avante passam de R$ 27 milhões, valor pulverizado entre os integrantes da organização, servidores e diversas pessoas físicas e jurídicas com o fim de ocultar e dissimular a sua origem ilícita.
Chefia - Rhayane, por sua vez, depois da editora receber pagamentos de municípios, era orientada por Rossana sobre quanto, para quem e como deveria distribuir o dinheiro. Entre os beneficiários e pessoas envolvidas nessas decisões aparecem integrantes da própria família Jafar.
O nome de maior peso é o de Rossana Paroschi Jafar. Segundo o Gaeco, ela tinha forte poder de decisão sobre a administração e as finanças da Editora Avante, articulava a distribuição dos recursos e determinava quem receberia parte dos valores pagos pelas prefeituras. O órgão afirma ainda que, entre os destinatários do dinheiro proveniente dos contratos investigados, Rossana ficava com a maior parcela.
Conversas obtidas durante a investigação são usadas pelo Ministério Público para sustentar essa tese. Em uma delas, Rhayane informou a Rossana que havia R$ 553,4 mil na conta da Editora Avante e perguntou como deveria proceder. Rossana respondeu que a orientaria no dia seguinte. Depois, Rhayane enviou comprovante de transferência de R$ 61,7 mil para Giovanni Paroschi Jafar, filho de Rossana.
Em outra conversa, Rhayane disse que a Avante precisava transferir R$ 43 mil para Rossana e perguntou em qual conta deveria depositar o dinheiro. Segundo o relatório, o valor acabou sendo remetido para a conta de Giovanni. O GAECO afirma que os repasses destinados à matriarca também eram feitos por meio das contas dos filhos Giovanni e Olívia.
A investigação identifica Rossana, ao lado de Heyder Bartz e Francisco Anizio dos Santos, como uma das lideranças da suposta organização criminosa. No caso dela, o Ministério Público sustenta que sua atuação não se resumia ao recebimento de dinheiro, mas alcançava decisões sobre a própria administração da editora e a divisão dos recursos obtidos com contratos públicos.
Filhos - Os três filhos de Rossana, Giovanni, Olívia e Felipe Paroschi Jafar, também são formalmente investigados no procedimento. Segundo o Gaeco, Giovanni aparece nas transações bancárias e em conversas sobre transferências, além de ter sido um dos primeiros alvos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, juntamente com Rhayane e a própria Editora Avante.
Olívia Paroschi Jafar, por sua vez, é apontada como uma das principais destinatárias de recursos da editora. Conforme os dados bancários, ela recebeu R$ 135.280,34. A investigação também registra outra ligação entre Rhayane e a família: apesar de figurar como proprietária da Avante, Rhayane trabalhava na Clínica Ross, de propriedade de Olívia e administrada por Rossana.
Já Felipe Paroschi Jafar teria recebido, segundo o Ministério Público, R$ 146.698,20 por meio da Gráfica CGR Ltda., empresa que tinha Felipe e Giovanni como proprietários. O GAECO identificou quatro transferências da Editora Avante para a gráfica que, somadas, chegaram exatamente a esse valor.
O relatório também aponta que Felipe trocou informações bancárias diretamente com Rhayane, em agosto de 2022, para viabilizar o recebimento de recursos logo após a Editora Avante ser paga pela Prefeitura de Ivinhema.
Os contratos com prefeituras passam de R$ 27 milhões, mas no período analisado na quebra de sigilo - entre janeiro de 2021 e agosto de 2023 - a Editora Avante recebeu R$ 5,2 milhões.
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