Etiqueta da Copa: quando a emoção entra em campo
A emoção está liberada. Já a inconveniência, não.
A Copa do Mundo é um fenômeno curioso. Durante alguns dias, pessoas que normalmente mal se cumprimentam se abraçam como velhos amigos. Colegas de trabalho interrompem reuniões para conferir o placar. Desconhecidos dividem a mesma mesa em bares e, por alguns minutos, sentem que fazem parte do mesmo time.
É um dos raros momentos em que algumas regras de etiqueta saem temporariamente de campo. Afinal, são 90 minutos de emoção, tensão e expectativa.
Nessas ocasiões, vale gritar gol, levantar da cadeira, abraçar quem estiver ao lado, cantar o hino com entusiasmo e até reclamar daquela decisão duvidosa do árbitro. A formalidade dá lugar à torcida.
Mesmo em ambientes profissionais, a Copa costuma trazer uma atmosfera mais descontraída. Chefes e colaboradores comemoram juntos, clientes e fornecedores compartilham comentários sobre a partida, e a hierarquia perde espaço para um sentimento coletivo de pertencimento.
Mas existe uma diferença importante entre demonstrar emoção e se tornar inconveniente.
Se a comemoração aproxima as pessoas, o excesso de negatividade faz justamente o contrário.
Toda roda de conversa parece ter aquele personagem que faz questão de lembrar que "o futebol não é mais o mesmo", que "não existe jogador bom como antigamente", que "o Brasil não empolga", que "não entende por que as pessoas gostam de futebol" ou que "nem torce para a seleção".
Ter opinião é legítimo. O problema surge quando alguém transforma um momento de celebração coletiva em um exercício constante de reclamação.
A etiqueta existe para facilitar a convivência. E convivência significa entender o contexto. Nem todo ambiente exige que você compartilhe seu entusiasmo, mas também não exige que você distribua seu desânimo.
Se você não gosta de futebol, tudo bem. Se não torce para a seleção, tudo bem também. O que talvez não seja tão elegante é fazer questão de diminuir a diversão de quem está aproveitando o momento.
Pessoas agradáveis não são aquelas que pensam igual a todo mundo. São aquelas que sabem respeitar a energia do ambiente em que estão.
Na prática, a melhor etiqueta da Copa é simples: comemore sem exagerar, respeite quem torce para outros times ou seleções, evite discussões desnecessárias e, principalmente, não seja a pessoa que transforma um momento de descontração em um festival de reclamações. A Copa vai passar, mas a impressão que você deixa nas pessoas permanece muito mais tempo do que qualquer resultado no placar.
(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.

