A escassa população do MS no inicio do século passado
Contar o número de habitantes de uma localidade no Mato Grosso do Sul era um trabalho hercúleo, mobilizava uma grande quantidade de pessoas. O trabalho era organizado pelo Departamento Geral de Estatística - DGE - o “pai” do IBGE. Os recenseadores percorriam o território distribuindo formulários de papel. Eram as denominadas “listas de famílias”. Seriam preenchidas somente pelos chefes de família. Coletavam dados rústicos pois 70% a 80% era analfabeta. Viajavam a cavalo pela imensidão. Tinham de contar com o auxilio de quem sabia ler e escrever.
88.000 habitantes.
Em mais de 357 mil quilômetros quadrados, no Mato Grosso do Sul viviam tão somente 88 mil habitantes. Equivale dizer que a cada quilômetro quadrado vivia quatro pessoas. A mais despovoada era a então gigantesca região de Coxim (constituída por 11 municípios atuais). Por lá, havia necessidade de caminhar entre 50 a 100 quilômetros para encontrar uma viva alma.
Corumbá era a mais populosa.
Comparativamente com o vizinho Mato Grosso, tínhamos mais habitantes. Eles tinham 82 mil, nós éramos 88.000. A maior parte da população estava constituída por posseiros que para cá vieram após a famigerada guerra contra os guaranis de Solano Lopez. Eram mineiros, paulistas e paraguaios. Em menor quantidade, goianos, cuiabanos e baianos. Mas estavam chegando milhares de caravanas de gaúchos que entravam por Paranhos.
A questão gauchesca.
Há muitos números de gaúchos chegantes nos escritos da época: seriam 7.000 ou 10.000 ou até 20.000. Em um estudo, afirmam que eram inacreditáveis 30.000. Muita gente chegava em Campo Grande e na região de Dourados, chamada então de Campos de Vacaria, eram predominantemente mineiros e paulistas. O Pantanal tinha população rarefeita, formada especialmente de cuiabanos. A exceção eram os milhares de indígenas que viviam entre Aquidauana e Miranda. Mas a cidade mais populosa era Corumbá.
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