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Em Pauta

A pesca no Pantanal e possibilidade de espécies apenas como história

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 10/04/2014 07:16
A pesca no Pantanal e possibilidade de espécies apenas como história

O colapso da pesca no Pantanal

Não é possível expressar em números o colapso da pesca no rio Paraguai e seus afluentes. Não existem estudos que possam demonstrar o quase desaparecimento dos cardumes de dourados, pintados e pacus dessa bacia hidrográfica. Apenas história. Somente a história dá luzes a esse debate.

Debate mais uma vez retomado. Reintroduzido por um emérito anti-ambientalista, o senador por Mato Grosso, cognominado “moto serra de ouro”, Blairo Maggi.

Oito deputados federais e três senadores. Mais de 60% da extensão do Pantanal pertencentes ao mapa do Mato Grosso do Sul. A discussão é trazida pelo Senador Blairo Maggi. Rir ou chorar?

O manejo de recursos ambientais de modo sustentado sempre foi difícil. Sempre. Desde que o homo sapiens desenvolveu a inventividade, a eficiência e as habilidades de caçador e pescador há uns 50 mil anos.

Qualquer povo pode cair na armadilha de superexplorar recursos ambientais: que os recursos em princípio pareciam inesgotavelmente abundantes; que os sinais iniciais de extinções de espécies foram mascarados por variações normais nos níveis desse recurso ao longo dos anos; e que foi difícil fazer as pessoas concordarem em ser parcimoniosas na coleta de um recurso compartilhado (a tragédia do bem comum). Estes foram e são os problemas que levaram à insensatez do povo e dos governantes para a permissão da pesca no Rio Paraguai.

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Problemas ambientais difíceis de administrar hoje, eram ainda mais difíceis no passado

A ausência de decisão no passado para sustar a pesca na bacia do rio Paraguai não se deve a administradores ignorantes, nem ambientalistas inconscientes. Eram como os desta geração, enfrentando problemas muito semelhantes àqueles que encaramos hoje. Tendiam ao sucesso ou ao fracasso.

Há um conjunto de fatores envolvendo os danos que as pessoas infligem ao meio ambiente. Há um conjunto de dados que deveriam ter sido levantados há pelo menos três décadas. Quantos exemplares de cada espécie de peixe por quilômetro de rio foram pescados? Quanto peixes nascem por quilômetro de rio e quantos atingem a idade adulta, por ano? Há outros fatores que demandariam estudos desde o passado. A fragilidade de cada espécie com a pesca quase livre que vem sendo praticada. A resiliência, isto é, o potencial para se recuperar dos danos sofridos. As mudanças climáticas talvez cumpram papéis importantes na existência de cardumes – El niño está vinculado a cardumes maiores de pintados? A devastação da vegetação para o plantio e pecuária cumpre papel fundamental ou é algo secundário? Nada foi estudado.

A pesca no Pantanal e possibilidade de espécies apenas como história

Portanto, não existem respostas científicas. Apenas a história

Histórias de pescas feitas por amadores que levavam para suas residências 50 a 100 exemplares de dourados. Histórias de empresários que retiravam toneladas de pescados por dia sem ter noção da quantidade que poderiam pescar para não comprometer sua própria atividade. Histórias de pescadores profissionais que escolhiam o tamanho do pintado a ser levado para o almoço.

Em breve teremos a história da existência de pintados, pacus e dourados nos nossos rios. Fotografem para a posteridade. Pesquem jacarés.

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A pesca no Pantanal e possibilidade de espécies apenas como história

Einstein: Um hospital que cura problemas de saúde e administração

Em janeiro de 2014, um grupo de executivos de uma das maiores redes de lanchonetes – Burguer King, bateu às portas do Hospital Israelita Albert Einstein, localizado na serra que corta o bairro do Morumbi, na região sul de São Paulo.

A turma do fast-food não procurava no hospital a cura de alguma doença. Os executivos queriam saber como o Einstein trabalha no dia-a-dia com ferramentas como gestão de processos, a melhor definição de padrões operacionais, a incorporação de tecnologia de ponta e o controle de qualidade. São questões inerentes a qualquer empresa moderna, não apenas a hospitais. Em poucas palavras, a turma do sanduíche queria entender como se planta excelência e se colhe liderança.

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Lições de gestão para todos, inclusive para Mato Grosso do Sul

O nascimento da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein ocorreu na década de 1950. O compromisso dos israelenses fundadores era de oferecer não só à comunidade judaica, mas às populações carentes, uma referência em qualidade da prática médica. Atendem, gratuitamente, 10 mil crianças de Paraisópolis, uma das maiores comunidades paulista.

À primeira vista, parece estranho buscar soluções das melhores práticas administrativas em um hospital brasileiro. Mas este não é um hospital como os que temos em Campo Grande.

Seus números fazem inveja à maioria das empresas do Mato Grosso do Sul. O hospital deve faturar R$ 2 bilhões em 2014. Nos últimos cinco anos, cresceu 15% ao ano, alcançando um pico de 24% em 2011. A previsão de investimentos é de R$ 1,2 bilhão até 2017, o que perfaz uma média anual de R$ 300 milhões. Só uma de suas salas de cirurgia de ponta custa US$ 10 milhões. Um robô usado em operações pouco invasivas – US$ 4 milhões. E isso em uma instituição sem fins lucrativos. De verdade. Não para enganar, como ocorre em muitos hospitais brasileiros.

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É mais uma prova: meritocracia funciona

À exceção do oferecido pela Fundação Dom Cabral de Minas Gerais, o melhor programa de meritocracia funciona no Einstein. Trezentos e cinquenta médicos ocupam uma categoria denominada “Premium”. Existem outras três: Advance com 950 médicos, Evolution com 2 mil e Special com 3 mil profissionais. A segmentação dessa turma é feita por meio de um programa de meritocracia, que avalia 66 itens de desempenho. Como comparação – o programa de meritocracia da Secretaria de Fazenda do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul trabalha com pouco mais da metade de itens.

O próximo passo já está causando “frisson” nos meios médicos. Será a construção de uma faculdade de medicina do Einstein. Não duvidem que em pouco tempo será a melhor do país. Como é o hospital.

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A pesca no Pantanal e possibilidade de espécies apenas como história

É possível confiar nas pessoas?

Estudos recentes mostraram que, quando o tema é confiança, o julgamento humano se sai um pouco melhor do que jogar uma moeda no cara ou coroa, na sorte.

Um estudo recente da escola de negócios norte americana Wharton mostra que o mentiroso de ar benevolente é tido como mais confiável do que o sujeito honesto, mas duro e antipático.

Outro estudo, do também norte americano DeSteno, diz que o primeiro erro é justamente acreditar que a confiança é uma pura questão de caráter. Ele diz que não é assim. A confiança depende das circunstâncias. Uma pessoa que foi justa e honesta até determinado ponto, pode atuar de forma desonesta no futuro, se as circunstâncias mudarem, é o fruto de estudo de DeSteno e conclui que o comportamento depende da relação entre a gratificação de curto prazo e as consequências de longo prazo dos atos realizados. Na pesquisa que realizou, DeSteno constatou que 90% das pessoas, diante da certeza de impunidade, não hesitam em atuar de forma desonesta.

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