As esquecidas serrarias, essenciais no passado, satanizadas atualmente
Existe um só historiador disposto a pesquisar a importância das serrarias no Mato Grosso do Sul? Duvido. Essa é uma empresa tão satanizada quanto o narcotráfico. As que ainda existem são fiscalizadas, policiadas, perseguidas diuturnamente. Hoje, adquirir um pedaço de boa madeira é como comprar uma pepita de ouro. Caras e raras. Mas, elas foram essenciais para o desenvolvimento.
Uma cidade, uma serraria.
É impossível imaginar um só povoado do MS que não tivesse uma serraria. Eram, antes de tudo, a mais importante fonte de empregos. Com a chegada dos brancos, era comum desmatar e aproveitar a madeira de lei - especialmente a peroba. Pode parecer inacreditável, mas eram as serrarias as responsáveis pela manutenção de árvores frutíferas e medicinais, um contrassenso inimaginável. Derrubavam árvores imensas, mas também preservavam aquelas tido como importantes para a comunidade.
Com os braços.
Nas primeiras décadas do século passado, não existiam serras elétricas e nem tratores, as árvores eram derrubadas com machados, com a força dos braços. Sem elas, as casas se eternizariam nos famigerados “pau a pique”, um tipo de construção que utilizava a madeira em um jogo de Lego de maluco: paus tortos, frestas por todos os lados, casas tortas, parecendo a Torre de Pisa.
O esgotamento.
A história das serrarias está preservada em fotos. Há raríssimos depoimentos sobre sua existência. Temos uma história manca, muito preocupada em contar como era a vida dos indígenas e da ocupação de terras. A carta de testamento das serrarias veio na década de 1.980. A exploração da madeira se tornou intensa com a abertura das estradas, levando-as para São Paulo. Como toda atividade que envolver a extração de recursos naturais, deu sinais de esgotamento. As matas remanescentes eram insuficientes para manter a lucratividade dessa atividade. Assim como as serrarias, as matas exuberantes desapareceram.
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