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Em Pauta

As senhoras da vida, senhoras da brisa, as donas dos rios

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 31/12/2020 07:00
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As árvores estão entre os seres vivos mais antigos do planeta. As relações que com elas estabelecemos são de admiração, mas não de emoção. "Cantam", quando os ventos às atravessam. "Choram", com os estalidos pungentes, nos incêndios. Nos contam histórias. As árvores estão cheias de relatos escondidos. Impressionam os sobreviventes gingkos de Hiroshima. Os baobás africanos impõem respeito. As oliveiras do Mediterrâneo, contam as vitórias do Império Romano. O ameaçado angelim vermelho do Amapá resiste à sanha humana. Mas não há nada mais belo que o paratudo do Pantanal.

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Os gingkos que sobreviveram à bomba atômica.

Hiroshima é, inevitavelmente, a cidade da bomba. Exatamente às oito e quinze minutos da manhã, no 6 de agosto de 1945, o momento em que a bomba atômica relampejou sobre Hiroshima. Uma história de morte desnecessária e destruição. Mas também de sobrevivência. Essa resistência à loucura humana têm um símbolo. É um gingko biloba. As árvores que aguentaram a explosão nuclear são conhecidas individualmente, tem nome. Um é o jumoku, mas o mais conhecido dos gingkos de Hiroshima está no jardim Shukkeien, brotou na primavera seguinte à explosão. Nasceu para mostrar que há esperança para a loucura humana.

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Os veneráveis baobás africanos e um mistério.

A natureza oferece poucos espetáculos tão belos como contemplar um baobá. Essa é a árvore símbolo de algumas regiões da África que dificilmente pode ser vista fora de seu habitat porque requer um clima quente. Existe uma especie de baobá africano. Há seis outras na ilha de Madagascar e outra na ilha-continente que é a Austrália. Mas como chegaram até a Austrália é um mistério que demonstra que, de um jeito ou de outro, as árvores conseguem mover-se pelo mundo.

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Uma árvore conta a história do Império Romano.

A história do Mediterrâneo pode ser contada pelas árvores. Através dela é possível contar a história cultural do Mediterrâneo. Desde os famosos limões de Amalfi até as laranjas sanguíneas da Sicília, um dos parques mais belo do mundo é o Jardim das Laranjas, na colina romana do Aventino, de onde se pode contemplar uma preciosa vista da cúpula da catedral de São Pedro. Mas quem conta a história do Império Romano são as oliveiras. Foram levadas pelas legiões para todas as regiões do Mediterrâneo. Acompanhar a plantação das oliveiras é seguir a marcha do Império Romano.

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No paraíso das árvores ameaçadas, vive a maior de todas.

Em nenhum lugar do planeta a massa florestal ocupa um espaço tão imponente como na floresta amazônica. Ali cresce a árvore mais alta do mundo. O angelim vermelho chega a incríveis  88 metros de altura. Está rodeado por árvores da mesma espécie no Amapá. Em nenhum outro lugar da face da Terra, as árvores estão sendo tão atacadas pela ganância econômica. Os números são chocantes: apenas em 2020, um pouco mais de 11 mil quilômetros quadrados de árvores foram derrubadas. Foram derrubadas 626 milhões de exemplares.... corresponde a 1,5 milhão de campos de futebol. Um perigo para a humanidade.

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A muralha de paratudo no Pantanal.

Carandá, cambará e canjiqueira convivem com os camalotes nas lagoas e corixos pantaneiros. Compõem um milagre da natureza. Perfeitamente adaptados à seca e às enchentes. Vivem em um mundo de extremos. Através dos séculos, desde quando o Pantanal era lugar de índios, também se adaptaram aos incêndios controlados. Mas não há nada mais belo que os paratudais, as muralhas de paratudos, um tipo de ipê. Os pantaneiros afirmam que são eles que mandam nas raras brisas que passam pela região. E são o tucum, o jenipapo e o pai-de-novato que garantem a vida dos rios. Perfeitamente adaptados às áreas úmidas, formam as matas-de-galeria ou mata ciliar. Só há uma rica fauna e bons rendimentos para humanos no Pantanal devido à proteção do solo e das águas feita pela rica flora. 2021 será o ano da redenção das árvores. O ano em que todos aprenderam que o verde das cédulas de dinheiro não existe sem o verde vegetal.
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