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12/05/2019 08:41

Ciência: Desejos e prazeres que nos mantém vivos

Mas podem matar

Mário Sérgio Lorenzetto
Ciência: Desejos e prazeres que nos mantém vivos

Um rato com um cabo conectado na região do cérebro que ativa o desejo revela a força dos mecanismos que nos empurram a viver, mas também revelam os perigos dos desejos. Eles são diretamente responsáveis pela vontade de viver, mas podem matar-nos.
Ficou demonstrado na pesquisa que se a cada vez que se ativa uma alavanca e o rato recebe um estímulo elétrico prazeroso, seguirá fazendo a ativação da alavanca até cair no chão por inanição. A dopamina que seu cérebro libera com as descargas está na raiz dos desejos, da motivação para buscar sensações agradáveis. Só isso parece ser suficiente para que o animal se esqueça do resto do mundo.

Ciência: Desejos e prazeres que nos mantém vivos

Sede, fome e apetite sexual à luz da ciência.

Já não resta dúvida, durante milhões de anos, o desejo e o prazer mantiveram a vida no planeta. A sede para não morrermos desidratados. A fome para não esquecermos de comer. O apetite sexual para transmitir nossos genes à geração seguinte. Nós continuamos acreditando que podemos nos superar, ou ao menos canalizar, esses desejos (chamamos de instintos básicos), mas ignoramos até que ponto dependemos de uma programação biológica que nos determina desde o nascimento até a morte. Há mecanismos dentro de nossos corpos que nos mantém vivos, mas podem voltar-se perigosos no mundo contemporâneo.

Ciência: Desejos e prazeres que nos mantém vivos

O papel da grelina e da leptina na fome.

Por enquanto, não existem narcosalas com viciados presos a eletrodos para ativar as regiões do cérebro que estimulam o desejo. Mas, existem drogas, como a cocaína, que ativam o sistema motivacional da dopamina e produz efeitos similares. As substâncias ilegais, não obstante, não são as únicas que assaltam as vias do desejo para colocar em risco nosso bem-estar e nossa liberdade.
Nosso organismo incorpora um sistema de sinais que avisa da necessidade de comer e deixar de fazê-lo. A grelina é um hormônio, produzido no estômago, que emitem ao cérebro os sinais da fome. Sua concentração no plasma sanguíneo aumenta quando estamos em jejum e diminue depois de comermos. Sua presença no sangue também depende da quantidade de gordura no corpo. Uma clara indicação que a grelina joga papel importante na regulação do nosso peso.
Agindo no sentido contrário, temos a leptina, que é liberada para indicar ao cérebro que o corpo já tem bastante reservas e já pode cessar o apetite. Fome e saciedade são regulados por glicina e leptina. A pergunta que tem de ser respondida é: até que ponto "domamos" os dois para emagrecermos? Tente mandar a grelina parar de agir...

Ciência: Desejos e prazeres que nos mantém vivos

Se um dos gêmeos for homossexual, há 48% do outro também ser.

Após mais de uma década de intensa campanha "vire um homossexual para estar na moda", passamos ao polo contrário do "homossexual é persona non grata". Puro besteirol. Ainda que alguém possa viver sem nunca ter sexo, a programação genética nos faz buscá-lo com afinco. Nesse caso, ainda conseguimos regular esse desejo por motivações sociais. Mas é possível observar como uma mudança hormonal modifica nossa relação com o sexo. Em ratos, a ciência demonstrou que se castrarmos um macho recém-nascido se elimina a possibilidade de que seu cérebro se masculinize. Depois, quando chegam à fase adulta, se forem tratados com estrogênios, adotarão postura para ser montados por um macho, como fazem as fêmeas. O contrário é verdadeiro. Se extirparmos os ovários de uma rata e depois lhe administramos testosterona, elas tratarão de montar outras fêmeas.
Esta variação da conduta sexual depende dos sinais químicos que são produzidos em nosso corpo, e a programação genética também pode explicar, pelo menos em parte, a homossexualidade. Um estudo da Universidade de Illinois, nos EUA, mostrou que entre irmãos gêmeos idênticos, que compartilham todo seu genoma, se um deles era homossexual, a probabilidade de que o outro também fosse era de 48%. Entre os gêmeos que só compartilham a metade dos genes era de 16% e entre irmãos biológicos, tão somente de 14%.

Ciência: Desejos e prazeres que nos mantém vivos

Não podemos aceitar o fatalismo.

O conhecimento dos mecanismos do prazer e dos desejos não tem de ser uma justificativa do fatalismo. Saber como funcionam pode ajudar-nos a colocá-los a nosso serviço para mantermos as ganas de viver e a ter expectativas razoáveis sobre nossa capacidade individual para dirigir a vida na direção desejada.



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