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03/04/2019 07:18

Como as emoções podem afetar o coração

Mário Sérgio Lorenzetto
Como as emoções podem afetar o coração

Há um século, o cientista Karl Pearson observava lápides de cemitérios. Percebeu algo peculiar: maridos e esposas, muitas vezes, morriam a menos de um ano de diferença. Embora não tenha sido amplamente apreciado na época, estudos atuais mostram que o estresse e o desespero podem influenciar significativamente a saúde, especialmente a do coração. Um dos exemplos mais notáveis é uma condição conhecida como "cardiomiopatia de Takotsubo" - a síndrome do coração partido - na qual a morte de um conjugue, preocupações financeiras ou algum outro evento emocional enfraquece gravemente o coração, causando sintomas que imitam um ataque cardíaco. Esse fardo emocional transforma o coração em uma forma que se assemelha a um pote japonês tradicional chamado Takotsubo, que têm um pescoço estreito e um fundo largo.

Como as emoções podem afetar o coração

A "História do Coração", por Dr. Sandeep Jauhar.

A ligação entre a saúde emocional e a saúde do coração é o tema de um novo livro: "Heart, a History", escrito por um dos mais renomados cardiologistas do mundo - Dr. Sandeep Jauhar. Traça a história da medicina cardiovascular e explora seus notáveis avanços tecnológicos - da cirurgia do coração aberto ao coração artificial. Mas, embora essas inovações cardíacas tenham sido transformadoras, Dr. Jauhar argumenta que o campo da cardiologia precisa dedicar mais atenção aos fatores emocionais como pobreza extrema, desigualdade de renda, estresse no trabalho e relacionamentos com fins infelizes."Acho que os avanços tecnológicos continuarão", diz ele. "Mas a grande fronteira estará na liberação de mais recursos para abordar a intersecção do coração emocional e do coração biológico".

Como as emoções podem afetar o coração

A sede emocional da alma.

O coração é uma máquina biológica simples e um órgão vital que muitas culturas reverenciam como a sede emocional da alma. É um simbolo de romance, tristeza, sinceridade, medo e até de coragem. O coração é simplesmente uma bomba que faz o sangue circular. Mas também é um burro de carga surpreendente. É o único órgão que pode mover-se, batendo três bilhões de vezes na vida de uma pessoa comum. Essa poderosa bomba têm a capacidade de esvaziar uma piscina em uma semana. É por isso que os cirurgiões não ousaram operá-lo até o fim do século XIX, muito depois de outros órgãos já terem sido operados, inclusive o cérebro.
"Você não pode suturar algo que está movendo, e você não pode cortá-lo porque o paciente sangraria até a morte", diz o Dr. Jauhar.

Como as emoções podem afetar o coração

O livro do Dr. Jauhar.

Conta a história dos intrépidos médicos que foram pioneiros em cirurgias cardiovasculares, abrindo pacientes para reparar feridas agudas com agulhas e categute antes de fechar rapidamente para evitar sangramento intenso. Procedimentos mais complicados, no entanto, exigiam máquinas mais sofisticadas. O cirurgião precisava de um dispositivo que pudesse assumir o trabalho do coração para que tivessem condições temporárias de impedir que o órgão batesse e o cortasse para reparar defeitos.

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A breve história da operação com circulação cruzada.

Isso levou o Dr. C.Walton Lillehei a desenvolver a cirurgia com circulação cruzada. Um procedimento no qual o paciente cardíaco estava ligado a uma segunda pessoa cujo coração e pulmão poderiam bombear e oxigenar seu sangue durante procedimentos longos. A primeira cirurgia com circulação cruzada ocorreu em 1954. Lillehei enfrentou enormes críticas ao tentar abrir novos caminhos. Disseram que esta era a primeira operação na história da humanidade que podia matar não uma, mas duas pessoas. Alguns dos pacientes do Dr. Lillehei sobreviveram. Mas o trabalho que ele realizou permitiu que outros desenvolvessem a máquina de coração-pulmão, que hoje é utilizada em mais de um milhão de cirurgias cardíacas ao ano no mundo.

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Os 11 segundos que os médicos dedicam a pacientes.

Segundo estudos, os médicos dão aos seus pacientes cerca de 11 segundos para explicar as razões da visita clínica antes de interrompê-los. Desde que escreveu o livro, Dr. Jauhar passou a dar ênfase a ouvir os pacientes. Deixa que eles falem sobre o que os incomodam, para que ele possa entender melhor suas vidas emocionais. Também passou a prescrever novos hábitos para ajudar a reduzir o estresse do paciente, como ioga e meditação. Também indica que passem mais tempo com os filhos e a viver de maneira mais relaxada. Dr. Jauhar diz que passou a se ligar mais com seus pacientes e seus medos de seus corações.

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