É mais fácil governar um rebanho de ovelhas ou um de pessoas?
Existiu um grego que utilizou a Pérsia, atual Irã, para imaginar aquilo que sua terra não conseguia ser. Esse grego chamava-se Xenofonte. Seu livro tinha o título de “Ciropédia”. Tratava da educação recebida por Ciro o Grande, o grande imperador persa. Quase ninguém o lê atualmente. Mas ele era o livro de cabeceira de gente com Alexandre o Grande, Júlio César, Maquiavel, Montesquieu, Rousseau, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Foi o livro de formação mais lido ao longo de milênios e ainda vale a pena ler para pensarmos acerca do mundo de hoje.
É fácil governar rebanhos de ovelhas….
O livro discute como é fácil governar um rabanho de ovelhas, vacas ou cabras. Mas não é fácil aos humanos governarem seus próprios rebanhos de iguais. Diz que é difícil liderar. E que, na época, muito antes de Cristo, existiu um governante que provou ser capaz de governar humanos diferentes, de religiões diferentes e de tribos diferentes. Esse líder foi Ciro o Grande, que Xenofonte diz ser o “Rei dos Homens”. Esse escritor nos conta como Ciro foi educado e como educava seu povo e assim dar para a posteridade um exemplo acerca das melhores qualidades de liderança.
Não é só coragem.
Qual o segredo do poder, indaga Xenofonte? Não apenas a coragem que os líderes devem ter, não apenas a autoridade, não apenas o mando, mas acima de tudo deve ter a capacidade de observação dos humanos. Na infância, Ciro era um menino observador, atento. Trata bem seus criados porque percebe que é pelo bom tratamento que ganhará o respeito. Mas que não pode se deixar levar por qualquer um. Que estabelece os seus limites e que faz a diferença entre aqueles que cumprem suas funções e os que não cumprem.
Ser um professor.
Ciro passa as noites ao relento, como os demais jovens, mesmo sendo um aristocrata. Com outros jovens, vai às caçadas e tem uma vida dura. Filho de rei e neto de outro rei, Ciro se sujeita à vida simples e respeitosa. Governa uma Pérsia multiétnica e multirreligiosa. Ele é um pedagogo no poder. Procura a cada momento de seu reinado dar uma lição de tudo que faz. Uma das mais interessantes é ele ensinando a cobrança de tributos dos armênios. Não só cobra como explica porque cobra o tributo. Um acontecimento pedagógico que tem valor para seus súditos. É o grande exemplo de um líder incontestável e justo. Tem algum pretende ao poder brasileiro disposto a ler Xenofonte?
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