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Em Pauta

É possível deixar de tocar o rosto 30 vezes por hora?

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 12/05/2020 07:00
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

É impossível imaginar que exista alguém que não saiba que não podemos tocar nossos rostos durante a pandemia. Mas, ainda assim, vemos crescer a cada dia a contagem dos infectados. A imensa maioria, devido aos toques na própria face. Até acabar de ler esta coluna, você terá tocado teu rosto muitas vezes. Temos de saber que o comportamento humano não funciona apenas com sabermos algo.


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Como adquirir novos hábitos?

Não basta estarmos convencidos de que devemos mudar nossos hábitos. Que o digam os obesos. Mas temos de ter clareza que o aquilo que nos salva é o comportamento. Medicamentos e vacinas talvez demorem a estar nos hospitais ou nas prateleiras das farmácias. Só o comportamento nos mantém vivos. Como converter as medidas de precauções - distanciamento, máscaras, tossir no cotovelo - em hábitos?


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É muito difícil uma não-ação.

A University College de Londres acaba de publicar um artigo na revista científica "Nature" mostrando a dificuldade de não tocarmos nossos rostos. Afirmam que em suas pesquisas, verificaram que é relativamente fácil adquirir novos hábitos de ação. Colocar a máscara é um hábito fácil de ser adquirido pois demanda uma ação concreta. Mas, quando se trata de uma não-ação, é muito mais difícil. Deixar de coçar o rosto é uma não-ação. Nosso cérebro não aceita com facilidade.


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A saída científica é a propaganda e a premiação social.

Os cientistas indicam a divulgação massiva, e constante, para ajudar-nos a deixar de tocar nossos rostos. Sabemos, mas esquecemos com muita facilidade. Até que essa não ação de não tocarmos nossos rostos se torne um hábito, há necessidade de algo que nos lembre incessantemente. Também mostram que temos de ser premiados - e não xingados - quando usamos as máscaras, lavamos as mãos.... e, principalmente, não tocamos o rosto. Somos gregários, vivemos copiando tudo aquilo que é aplaudido pelas outras pessoas.


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Uma experiência pessoal.

Sabendo que a pele é composta de três camadas - epiderme (a camada mais externa que tocamos com os dedos), a derme e a hipoderme - e que em cada uma delas há uma grande quantidade de produção de gordura e suor, que misturam-se com tudo que há no ar - bactérias, toxinas, pó, e especialmente vírus, passei a lutar para adquirir um novo hábito: de meia em meia hora, marcado pelo alarme do relógio do celular, lavo as mãos com água e sabonete. Ao mesmo tempo, lavo o rosto. Sei que o excesso de lavagem da epiderme não faz bem para a saúde dessa camada. A limpeza excessiva é desaconselhada pelos médicos tanto quanto a sujeira excessiva. Todavia, tenho a esperança de que será um hábito adquirido até que os medicamentos e vacinas cheguem ao mercado. Tenho clareza de que é melhor não ter uma pele saudável do que dar mais chances ao vírus.


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O raciocínio da probabilidade.

Com a lavagem continua do rosto, estou reduzindo drasticamente as chances dele tomar meus pulmões de assalto. Para mim, a luta contra o covid-19 se tornou uma questão de probabilidade. É impossível ter 100% de probabilidade de não ser infectado. Mas é bem melhor ter 80% de chance de não sofrer o ataque do que contar com algo como tão somente 10% .

VEJA AQUI >> VÍDEO: O experimento que demonstra por que o coronavírus pode ser letal

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Contágio acelerado. Trinta minutos e todos estavam com o vírus nas mãos.

Um experimento japonês feito em um navio de cruzeiro com dez participantes, mostrou a espantosa velocidade de transmissão do covid-19. Em trinta minutos filmados no restaurante do navio, um contagiado passou o vírus para os,pratos, as pinças usadas para servir os alimentos e nas jarras de bebidas. Mais importante, o vírus passou para todas as mãos dos dez participantes e para o rosto de três deles. Veja o VÍDEO