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Em Pauta

Eleição sem "munição"

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 10/07/2018 09:42
Eleição sem "munição"

Nada mudou. Ano após ano. Eleição após eleição. Prisões. Perda de mandato... Tudo continua como antes. Conta um candidato a deputado que reuniu-se, a portas fechadas, com o prefeito e sua bancada de vereadores em uma cidade. O candidato relatou as dificuldades de recursos para a campanha. Foi prontamente interrompido pelo prefeito, que apontou para os vereadores: "Candidato, vamos deixar de rodeios e conversa fiada. Essa turma está disposta a dar tiros pelo senhor. Mas, para isso, eles precisam de munição", disse. Reunião encerrada por falta de "bala". A palavra de ordem dos candidatos é: "primeiro conseguir levar o eleitor às urnas. Depois, conseguir o voto".

Eleição sem "munição"

Eleitores se negam a contribuir com dinheiro.

Está aberta a temporada para a caça do dinheiro que poderá sustentar as campanhas eleitorais. As tais "vaquinhas eleitorais" estão com as patas firmemente atoladas no brejo. Uma pesquisa com pessoas conectadas à internet mostrou pouca disposição dos eleitores em contribuir financeiramente para a campanha eleitoral. Apenas 23% de dois mil entrevistados revelaram disposição para financiar um candidato. Eles participaram espontaneamente da pesquisa na "Presença ON-Line". O estudo foi coordenado pelo Instituto Gerp, do Rio de Janeiro. O percentual está em linha com o daqueles que pretendem escolher candidatos. Minoria.

Eleição sem "munição"

O que acontecerá depois de outubro? Desalento.

O desalento do brasileiro diante da crise e do quadro político é algo que pode ser também notado nas redes sociais. É o que mostra levantamento da FGV, realizado entre 1 e 13 de junho. De acordo com esse estudo, mais de 484 mil retuítes manifestaram desilusão, resignação e insatisfação do povo com todas as esferas governamentais.O mesmo fenômeno ocorre com os presidenciáveis. No mesmo período, o debate em torno dos candidatos somou 1,5 milhão de retuítes. Um povo sem candidato. Todos os campos políticos estão muito fragmentados. Sem nomes de vulto, sem líderes nacionais, só se amplia a ansiedade do eleitorado sobre o que ocorrerá depois de outubro.