Feito com sol e sal: o tempo das charqueadas no MS
No inicio, a preparação do charque era feita de forma rudimentar: bois mortos a céu aberto e secagem da carne ao ar livre. As charqueadas permitiram o aproveitamento da carne até então sem valor de mercado. A primeira charqueada no Brasil foi realizada em 1.780, pelo cearense José Pinto Martins. As instalações eram simples, apenas um galpão onde se preparava e salgava a carne, em seguida, era levada ao ar livre.
As três primeiras charqueadas.
Na primeira década do século XX, três grandes charqueadas foram instaladas no MS. Charqueada Miranda, a primeira, data de 1.907. O atraso era imenso, 127 anos depois desse tipo de empresa surgir no país. Dois anos depois, começam a funcionar as charqueadas Barranco Branco e a Tereré, em Porto Murtinho. As três instalações abatiam de 50 a 60 mil reses por ano e remetiam a produção para o Rio de Janeiro e Nordeste, via rio Paraguai. Toda pertenciam a industriais uruguaios e tinham suas sedes em Montevidéu. O negócio tomou vulto. Em 1.923, já existiam dezenove charqueadas entre Corumbá, Miranda, P.Murtinho e T.Lagoas.
A baixa qualidade das vacas.
A baixa qualidade das vacas, criadas de forma extensiva e as longas distâncias de São Paulo desvalorizavam a matéria-prima. Uma vaca pantaneira tinha pouca carne. Era de pequeno porte, magra e musculosa. As charqueadas faziam a festa. Compravam grandes rebanhos dos pecuaristas a preço vil.
O fim das charqueadas.
No fim do século XIX, os argentinos e uruguaios introduziram reprodutores selecionados, de excelente qualidade, em seus países. Foi essa mudança que permitiu o surgimento dos frigoríficos ligados aos bancos. No Brasil, como sempre atrasado, só a partir de 1.912, começam a construir frigoríficos. A maior organização e racionalidade desse tipo de indústria permitia pagar melhores preços aos pecuaristas e, com isso, inviabilizaram a existência das charqueadas. A vaca abandonou as charqueadas pantaneiras e foi passear no interior de São Paulo.
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