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19/04/2019 07:05

Família inter-espécie: pai, mãe, filho e cão

Mário Sérgio Lorenzetto
Família inter-espécie: pai, mãe, filho e cão

É possível querer a um cão, ou a um gato, como um filho? Por que o amor incondicional para os animais de estimação é cada vez mais comum?
Faz um sol radiante em um apartamento próximo ao Belmar Fidalgo. Um dia perfeito para celebrar o aniversário da Jolie. Os aperitivos estão prontos. As bebidas foram servidas. A câmera do celular está preparada para gravar o momento dos parabéns. Cai uma baba no queixo da Jolie quando chega seu bolo de carne de aniversário. Bolo especial. "Para mim, Jolie faz parte da família, merece uma festinha de aniversário. Nós a tratamos como uma filha", relata Maria Helena, a orgulhosa dona dessa preciosa cachorrinha. Temos um novo modelo familiar: são uma família inter-espécie.

Família inter-espécie: pai, mãe, filho e cão

Humanos e cães gozam do mesmo nível hierárquico.

Nos últimos anos, a configuração clássica de uma família está conseguindo transcender e adaptar-se lentamente a um novo contexto social. Dentre todas as formas familiares contemporâneas, a mais crescente é a composta por humanos e cães, ao ponto de chamar a atenção da comunidade científica. Nela nossa formação, humanos e cães gozam do mesmo nível hierárquico dentro do lar.

Família inter-espécie: pai, mãe, filho e cão

A psique da família inter-espécie.

Agora, um estudo publicado na revista "Humanity & Society" descreveu essa relação e tenta explicar como os "país e mães" de cachorrinhos constroem seus papéis. Para investigar a psique das famílias realizaram pesquisas nos lares do mundo. Os resultados são surpreendentes. Nada menos de 80% dos entrevistados considera seus animais como filhos, ainda que em um grau ou nível de implicação que depende se tinham filhos humanos, e da idade dos mesmos. Tão somente 20% consideraram os cachorrinhos como amigos ou companheiros.

Família inter-espécie: pai, mãe, filho e cão

As propriedades terapêuticas dos laços com os cãezinhos.

Custa imaginar que tenhamos construído laços tão fortes com os cãezinhos como temos com nossos filhos humanos. Mas a ciência não pensa assim. Hoje em dia há múltiplos estudos, com metodologias rigorosas, que exploram as propriedades terapêuticas atribuíveis aos laços que estreitamos com os cãezinhos. Estão desenhados procedimentos concretos aplicados a múltiplos problemas mentais ou orgânicos, como solidão na velhice, depressão, transtornos no desenvolvimento mental ou processos demenciais. Não é de estranhar, portanto, que muitas pessoas forjem vínculos realmente profundos e significativos com os cães. Eles proporcionam, desinteressadamente, momentos de felicidade e incrementam a qualidade de vida.

Família inter-espécie: pai, mãe, filho e cão

A comunicação nas famílias inter-espécie.

A profundidade de uma relação entre dois seres vivos está diretamente vinculada à capacidade de comunicação. Entre dois seres humanos há a possibilidade de estabelecer comunicação verbal ou através da linguagem corporal. Entre um humano e um cão há a possibilidade de obter uma comunicação não linguística, mas gestual e prosódica (baseada em sons e em onomatopeia), que aproximadamente representa 70% das informações que conseguimos transmitir. Essa grande quantidade de informações entre espécies, facilita a compreensão das necessidades e afetos mútuos.

Família inter-espécie: pai, mãe, filho e cão

A solidão dos cãezinhos.

A relação entre humanos se tornou tão forte que passou ao ponto do que os cientistas denominam de "antropomorfização", a transformação dos cães em humanos.
Um dos mais graves problemas dessa antropomorfização está na solidão dos cãezinhos. Não é incomum vê-los com ansiedade, destruindo sofás, latindo, fazendo suas necessidades dentro da casa e inclusive grunhir ou morder o dono, lançando olhares de raiva, pela solidão a que foram relegados.



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