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02/06/2018 11:43

Gen. Geisel: "Esse negócio de golpe é muito difícil"

Mário Sérgio Lorenzetto
Gen. Geisel: Esse negócio de golpe é muito difícil

Era 12 de outubro de 1977. Às 08:30h, logo depois de chegar ao Palácio, o Presidente da República, General Ernesto Geisel, mandou comunicar ao Ministro do Exército, Sylvio Frota, que desejava vê-lo ainda naquela manhã.
Nas últimas semanas abrira-se um fosso entre o presidente e o ministro. Havia um ano, Frota comportava-se como um ostensivo adversário da política de liberalização do regime, conduzida por Geisel. Os dois sentaram-se à mesa de reuniões do salão de despachos do presidente. As relações entre eles jamais haviam sido afetuosas, mas ultimamente estavam gélidas.
Geisel, com 67 anos, filho caçula de um imigrante humilde alemão, chegara à Presidência pelo mesmo caminho que seus três antecessores desde 1964: a força do Exército. Pelo porte marcial, com 1,77m de altura, pelo hábito de levantar subitamente a voz, por um estrabismo que dava a seu olhar um aspecto inquietante e sobretudo por uma personalidade mercurial, explosiva, era um presidente temido. Baixo, com 1,65m de altura, gordo, de voz fina e gestos tão discretos quanto sua carreira, Frota era o oposto. Fazia parte da grande leva de coronéis que chegara ao generalato, logo depois de 64, graças ao expurgo de centenas, talvez milhares, de oficiais. Militar contra militar. Uma dura lição que tiveram.
À cabeceira da grande mesa de reuniões do gabinete, com um retrato de D.Pedro I às costas, Geisel abriu a conversa:
- Frota, nós não estamos mais nos entendendo. A sua administração no ministério não está seguindo o que combinamos. Além disso você é candidato a presidente e está em campanha. Eu não acho isso certo. Por isso preciso que você peça demissão.
- Eu não peço demissão - respondeu Frota.
- Bem, então vou demiti-lo. O cargo de ministro é meu, e não deposito mais em você a confiança necessária para mantê-lo. Se você não vai pedir demissão, vou exonerá-lo.
Em menos de cinco minutos a audiência estava encerrada. Aqueles dois homens haviam jogado nos últimos meses uma partida em que procuravam se destruir pelas regras sutis da ditadura, sem que o resto do país soubesse o que acontecia. Começava naquele momento o jogo bruto... e público.
Frota tinha como seus aliados os comandantes das tropas do sul e do nordeste. Geisel tinha além de Golbery do Couto e Silva -o maior articulador do regime -, todos os demais comandos. Os generais de Frota acordaram tarde e os de Geisel, de véspera. A batalha se deu com o uso de telefones. No final, todos, menos Frota, estavam com Geisel.
Desde o início da manhã, quando foi chamado ao Palácio, Frota estava preso em uma armadilha tecida por Golbery. E mais, para ele, esse seria o segundo golpe de sua carreira. Geisel, que fizera o primeiro lance, jogava com profundo conhecimento. Participara de quatro golpes vitoriosos, em 1930, 1937, 1945 e 1964. Sabia como se ganha. Por ter perdido em outras três ocasiões - 1955, 1961 e 1965 - sabia onde e como se fracassa. Dizia com frequência: "Esse negócio de golpe é muito difícil. Vi sete, posso falar". Assim terminou a última tentativa de golpe no Brasil. São 41 anos sem tentativas. Há algum indício de que os generais estejam se digladiando? Sem eles, podem colocar o que desejarem na rua....

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Os exércitos mais ricos e poderosos do mundo.

Em uma avaliação levada a cabo pela "Global Firepower", em que analisaram 55 fatores, é possível distinguir as nações mais avançadas em poderio militar. Entre alguns dos fatores estão o orçamento disponível para a defesa do país, o número de militares e o número de viaturas, embarcações e aeronaves. De fora ficaram os dados de capacidade nuclear. O Brasil, ainda que ocupe a décima sétima posição, dispõe do maior e mais apetrechado exército da América do Sul.

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