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Em Pauta

Há mais de dois séculos a ciência derrotava a magia

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 27/03/2021 08:31
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Foi na época da Revolução Francesa. A mágica da alquimia era derrotada pela ciência da química. Tudo indicava que a magia nunca mais teria importância. Mas apesar da radical mudança, a alquimia continua espraiando seu charme ignóbil entre nós. Continuamos sendo enganados e nos enganando com falsos medicamentos. O autor da façanha, de reduzir a alquimia a uma mera enganação se chama Antoine Laurent Lavoisier.


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Rico, mas envolvido com melhorias para a sociedade.

Lavoisier nasceu rico. Mas era enormemente inteligente e se envolvia com melhorias para a sociedade. Soube dar utilidade a sua fortuna. Foi dele o projeto para melhorar a iluminação das ruas de Paris, também desenvolveu mecanismos de purificação da água que chegava às casas parisienses. Seu último projeto social foi de mudar totalmente as condições de insalubridade dos cárceres.


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Dono do laboratório mais avançado do mundo.

Lavoisier é considerado o "Pai da Química e da Ciência". Para chegar a essa situação, colocou parte importante de sua fortuna nas aquisições dos materiais de seu laboratório, que veria ser considerado o mais avançado do mundo.


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Revolucionário na vida: casou por amor.

Em uma época em que os casamentos eram meros contratos sociais e econômicos, Lavoisier casou-se por amor. Um escândalo. O matrimônio ocorreu com Marie-Anne Paulze, uma mulher tremendamente culta, inteligente e curiosa. Marie-Anne seria fundamental para suas pesquisas. Além de colaborar no laboratório, traduzia os trabalhos de Lavoisier para outras línguas e, após a decapitação do cientista, publicou seus estudos.


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O espiritismo alquimista.

Até Lavoisier não existia uma fronteira clara entre a química e a alquimia. A alquimia vinha acompanhada de obscuras teorias espiritistas. Pode parecer estranho, mas as pesquisas de então eram acompanhadas por sessões onde "baixavam os espíritos". Um dos mais famosos alquimistas, Henning Brand, descobriu o fósforo enquanto tentava destilar ouro da urina para criar a pedra filosofal, a pedra que transformaria tudo em ouro. Também haviam alquimistas que procuravam pela fonte da juventude. Uma época de muita enganação. Tal como no Brasil da cloroquina.


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A combustão explicada, nasce a química.

A ciência nasceu do fogo. Lavoisier foi o primeiro a explicar como funcionava o fogo. O maior de todos os vazios da época concernia à teoria da combustão. Desde a Antiga Grécia, sobrevivia a teoria do flogisto. Esta teoria propunha algo bastante intuitivo: os objetos combustíveis (madeira, óleo de oliva...) possuíam o elemento fogo (chamado flogisto) e o liberavam ao arder. Mas os alquimistas não conseguiam explicar porque alguns elementos ao entrar em combustão se desvaneciam (madeira), perdiam massa e outros ganhavam massa (metais). De onde saia esse excesso de massa? Só os espíritos podiam explicar. Lavoisier se deu conta de que a chave da combustão estava no novo elemento que acabara de descobrir: estava no oxigênio. Nascia a ciência. Saia de cena a mágica. Saia? Sim, saia, mas ficava seu charme, sua facilidade de enganar desavisados.

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