Houve um tempo em que C.Grande padeceu da "doença calibre 44”
No dia 26 de agosto de 1.899, a “Gazeta Oficial de Mato Grosso”, o diário oficial, publicou o decreto de emancipação da Vila de Santo Antônio de Campo Grande. A população só saberia da novidade muitos dias depois. Eram tempos difíceis. A região vivia da roça, do gado e de produtos básicos vindos, na sua maioria, dos portos de Corumbá e Aquidauana, em longas e demoradas viagens feitas por carroças de bois.
Em volta do córrego Prosa.
O pequeno povoado estendia-se sem planejamento, acompanhando o córrego Prosa. A formação das casas fez surgir a primeira rua, atual 26 de Agosto. Nas primeiras horas da manhã, crianças iam para a única escola, onde aprendiam com o também único e primeiro professor, o gaúcho José Rodrigues Benfica. As casas tinham o estilo que chamavam de “mineiro”, de quatro águas - quatro telhados - sem varanda.
A viagem de uma carta levava 70 dias.
Um ano após a emancipação, a agencia dos Correios foi instalada. Era um enorme avanço. Uma carta viajava até Cuiabá ou Rio de Janeiro durante 70 dias em média. Organizavam as cartas em uma mala - chamada postal - que seguia para Miranda e de lá, por barco, até Corumbá. Desde essa, que era a maior cidade do Mato Grosso do Sul, teria um longo percurso até chegar a Cuiabá ou Rio de Janeiro.
Como coibir a violência?
Os vereadores só seriam eleitos três anos depois. E tomariam posse, passados outros dois anos. Tudo funcionava em câmera lenta. Um dos destaques desse período foi a apresentação do Código de Posturas Municipal. O destaque dessa lei era coibir a violência na cidade e na fazendas próximas. As mortes eram classificadas como “doença da terra - calibre 44”. Os crimes ficavam impunes, reinando a lei do “revólver na cintura”. Uma cidade, como tantas outras, onde o fraco não tem vez. Outro projeto que chama a atenção é um que proibia manifestações afro-brasileiras. O racismo era muito forte.
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