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Em Pauta

Na pegada do boi veio a ocupação do Pantanal do MS

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 15/05/2024 07:50
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O evento mais importante a determinar a ocupação de brancos no Pantanal do Mato Grosso do Sul foi uma rebelião denominada "Rusga". Essa disputa de poderosos, ocorrida em maio de 1.834, resultou das disputas políticas das eleições cuiabanas, envolvendo, de um lado, o ascendente grupo de criadores de gado e, do outro, os decadentes mineiros que já não encontravam ouro. O término das disputas, consolidou a liderança política dos fazendeiros da região de Poconé, especialmente a de Manoel Alves Ribeiro, vice-governador e comandante da Guarda Nacional. Os vencedores expandiram seus domínios até a região pantaneira que hoje pertence ao MS.


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A posse era feita "no olho" e com estacas.

A formação dessas primeiras fazendas pantaneiras consistia em fazer posse e demarcar "no olho" e assinalavam sua propriedade com algumas estacas. Bem poucas, diga-se de passagem. Em algumas, havia tão somente estacas na frente da fazenda, em outras, as estacas confiam a frente e uma parte das laterais, mas em nenhuma, a terra era desmarcada nos fundos. Era muito comum a fazenda cobrir área bem maior que a anunciada pelo fazendeiro. A facilidade na aquisição - feita por título gratuito - nunca levava a uma disputa com seus vizinhos brancos. Não faltava terreno bruto desprovido de qualquer humano.


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O transbordamento periódico dos rios explica as vastas áreas.

Atualmente, uma fazenda com centenas de milhares de hectares é vista como mera ganância de seu proprietário. Essa ideia não passava pela cabeça de nenhum dos primeiros fazendeiros pantaneiros. A explicação da magnitude das fazendas é dada pelo transbordamento anual das águas pantaneiras. Tinham de ter muita força para conseguir mudar gado de um lado para outro da fazenda todos os anos. Na verdade, uma fazenda pantaneira, é meia fazenda. Durante o período das cheias, mais da metade do ano, metade das terras pelo menos, viram um mar.


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Criação era ao léu, primitiva.

A indústria pastoril dessa região era primitiva, o gado era criado à lei da natureza, solto nos campos. Sujeito às intempéries e confiado à fé pública, ninguém cuidava para que não ocorressem assaltos pois não existiam cercas. A alimentação do gado era adquirida nos campos, qualquer que fosse a estação. Era um gado muito magro.


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O crescimento das fazendas e os primeiros proprietários.

Pode parecer estranho, mas as fazendas cresciam de acordo com a vontade e as necessidades alimentares do gado. À medida que os rebanhos avançavam sobre novas terras, iam incorporando-as ao patrimônio privado. Não era necessário dispor de muitos recursos. Bastavam alguns poucos animais de tração e carretas para percorrer os extensos campos, além de ferramentas para firmar o pasto, que ocorria pelo desmatamento e queimada. Tinha propriedade de 500 mil hectares, maior que a Bélgica, Suíça, Portugal e Alemanha.


FAZENDA                                    ÁREA  ( hectares)              FUNDAÇÃO

Fazenda Barranco Branco         500.000

Fazenda Rodrigo                          384.950

Fazenda Rio Branco                     384.292                                    22/06/1901

Fazenda Taboco                            344.923                                    24/04/1899

Fazenda Firme                               176.853                                     27/08/1899

Fazenda Rio Negro                        118.905                                     03/09/1893

Fazenda Palmeiras                        106.025                                     03/12/1894

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