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Em Pauta

O cão mais antigo do mundo era turco e viveu há 16.000 anos

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 27/03/2026 07:04
O cão mais antigo do mundo era turco e viveu há 16.000 anos

Há 16.000 anos, próximo a um vulcão no centro da Turquia, uma cadela deu à luz. Os cachorrinhos morreram ainda muito jovens, talvez com alguns meses de vida. Os humanos que viviam em Pinarbasi, a localidade turca onde os arqueólogos fizeram as escavações, enterraram esses cachorrinhos deliberadamente, no mesmo lugar onde depositavam seus próprios mortos. Um desses cachorrinhos é, desde há poucos dias, o cão doméstico mais antigo identificado geneticamente. A reconstrução dessa história foi publicada na revista científica “Nature”.

O cão mais antigo do mundo era turco e viveu há 16.000 anos

6.000 anos antes das vacas, cabras ou porcos.

Até agora, a evidência genética mais antiga dos cães domesticados datava de 10.900 anos. Aquela ossada canina estudada foi encontrada em Karelia, na Rússia. Os novos trabalhos, assinados por cientistas de 17 instituições internacionais adiantam essa data em mais de 5.000 anos. Uma época em que os humanos eram caçadores-coletores e não haviam domesticado ainda as vacas, cabras e porcos. Os cães foram, portanto, domesticados 6.000 anos antes desses outros animais. E nada menos de 10.000 anos antes dos cavalos.


O cão mais antigo do mundo era turco e viveu há 16.000 anos

Cães iguais, humanos diferentes.

O paradoxo dessa descoberta na Turquia é que os humanos com que conviviam os cães eram muito diferentes entre si. Havia alguns que estavam bem adaptados ao frio extremo da Europa e outros que não eram provenientes de povos do frio; pelo contrário, exploravam recursos aquáticos próprios de zonas temperadas. Esses estudos estão modificando tudo o que pensávamos sobre a convivência com os cães. A nova ideia é que eles circulavam livremente entre grupos de humanos geneticamente separados, mas para todos os humanos tinham valor como se fossem uma riqueza admirável ou como uma ferramenta de caça e de alarme.


O cão mais antigo do mundo era turco e viveu há 16.000 anos

Relações muito fortes.

Eles comiam o mesmo que os humanos: peixes de água doce. A dieta de cães e humanos era exatamente a mesma. Isso significa que provavelmente não comiam restos, como muitos pensavam até agora. Comiam como se fossem nossos iguais. A relação simbólica também era muito forte: foram enterrados junto com os humanos e com os mesmos rituais funerários.


O cão mais antigo do mundo era turco e viveu há 16.000 anos

São Bernardo e pastor alemão, os mais antigos.

Quando esses humanos chegaram à Europa há 8.000 anos, mudaram geneticamente algo como 80% a 90% da população humana do continente europeu. Provavelmente mataram os europeus. Mas ao contrário dos humanos, os cães vindos da Turquia cruzaram com os cães existentes na Europa. A linhagem resultante desse cruzamento de cães turcos com os europeus está presente hoje em cães como o São Bernardo e o pastor-alemão.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.