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31/07/2017 07:11

O dia em que os assassinos viraram objeto de consumo

Mário Sérgio Lorenzetto
O dia em que os assassinos viraram objeto de consumo

Há assassinos desde que o os humanideos viraram homo sapiens. Existiram ao longo da história assassinos, como Jack O Estripador, que ganharam imensa notoriedade, mas Mason é o nome que transformou assassinos em celebridades.

Charles Manson entrou no reformatório aos catorze anos. Saiu aos 24 e foi condenado a outros dez anos de prisão. Em 1967 foi lhe concedida liberdade condicional. Tinha 32 anos. Em 1971 foi sentenciado à pena de morte, mas foi comutada para cadeia perpétua. Com mais de oitenta anos, pensaríamos que ele teria se contentado em ser uma relíquia perversa da Era Hippie, mas ele continua sendo notícia. E ela faz eco no mundo todo. Tudo sobre ele é vendido. Rumores de sua morte. Casamento de surpresa. O enésimo documentário. Mason conseguiu seu objetivo. É tão famoso quanto uma estrela do rock. Esse foi o início do processo de transformação dos assassinos em objeto de consumo.

O dia em que os assassinos viraram objeto de consumo

A arte de confundir usando assassinatos

Tudo começou em agosto de 1969. A polícia não tinha pista alguma dos autores dos assassinatos que chocavam os Estados Unidos. Apesar disso, os meios de comunicação se esbaldaram sobre as mortes e as vidas privadas das vítimas, Saron Tate, seus amigos e o casal La Bianca. Parecia que algum deles seria o responsável. Encontraram grandes quantidades de drogas no domicílio e ligaram as mortes à máfia. A máfia era o PCC do Brasil atual. Não sabe que é o culpado? Diga que é o PCC e todos acreditarão. Esse acontecimento macabro se transformou no carnaval das grandes audiências. O país estava imerso nas crises de protestos estudantis, dos distúrbios raciais e o começo de uma guerra atroz que os levaria à derrota em só, o asiático.

Eles estavam bem à vista. Acabavam de ser detidos por roubo de veículo e vandalismo, enquanto buscavam desesperadamente os assassinos. Quando finalmente descobriram que eles eram os responsáveis, foi como encontrar os culpados de cada morto no Vietnam, de cada jovem ferido nas ruas de Chicago, de cada negro morto no Harlem. Aquele homenzinho seguido por vários idiotas e seu harém de meninas imbecis, tinha de ser, obrigatoriamente, o demônio na terra. Mas ele amplificava o show de terror protagonizado por assassinos. Afirmava que não era o Diabo na terra e sim se via como a reencarnação de Jesus Cristo e sua mensagem era de amor e respeito pelas criaturas da natureza. Sem duvida, era um espantoso gesto blasfemo. O guru psicopata se converteu no produto perfeito para a venda de tudo que fosse possível. Notícias, livros, camisetas, chaveiros...

Os assassinatos truculentos, com vítimas femininas em um cenário com símbolos estranhos serviram para desviar a atenção e o medo de outros assuntos, como as guerras que adquiriam rejeição popular, a crise econômica que se hábitos e até para as secas. A mística da violência foi transformada. A família Manson possuía todos os elementos necessários para esquecerem de seus principais problemas.

O dia em que os assassinos viraram objeto de consumo

O paradoxo do palhaço triste

Jim Carrey, um dos mais famosos comediantes de Hollywood, acaba de certificar sua própria morte. Em um programa televisivo, após um ano desaparecido, afirmou que não retornará ao mundo glamoroso do cinema. O suicídio de sua noiva em 2015 e as acusações de homicídio negligente por parte da família dela, o confinaram a uma posição quase marginal na indústria cinematográfica. Não é o único.

Outros contemporâneos como Robin Williams, Bill Cosby ou Eddie Murphy sofreram em suas almas o paradoxo do palhaço triste. Bem assim como estrelas fugazes de menor tamanho como Richard Pryor e Andy Kauman.
Kaufman faleceu aos 35 anos de idade de câncer; Pryor, faleceu como dependente de drogas e de álcool. A inesperada morte de Robin Williams reabriu o eterno debate sobre porque aqueles que se dedicam a fazer-nos rir parecem ser os mais susceptíveis à depressão. Um estudo da Universidade de Oxford, publicado pela revista Times, descobriu que "os elementos criativos necessários são similares a aqueles que caracterizam as pessoas que sofrem esquizofrenia ou transtorno bipolar". Até mesmo Sigmund Freud assegurava que os humoristas contavam piadas como remédio para aliviar a ansiedade.

Há poucos anos, assim como Robin William dominava no cinema, Bill Cosby era o dono da televisão norte-americana. Foi quando duas mulheres o denunciaram por drogá-las e depois violentá-las. Em seguida, dezenas de mulheres também o denunciaram por delitos similares. Todos seus contratos foram cancelados e Cosby sumiu.
Ninguém dominava as telas do "cinema de sobremesa", as comédias mais doces e tranquilas, do que Robin Williams. Ele tinha uma imagem muito terna, mas era torturado em seu íntimo. Vítima do alcoolismo durante décadas, antes de tirar a própria vida, submergiu em uma profunda depressão desde que foi diagnosticado com mal de Parkison.




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