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08/06/2018 08:26

O inimigo número um de Mussolini era um ciclista

Mário Sérgio Lorenzetto
O inimigo número um de Mussolini era um ciclista

Esta é uma história de outros tempos, de antes do motor. Quando se corria por raiva ou por amor. Em um pequeno lugar do Piemonte, entre apenas dezessete mil habitantes de Novi Ligure, nos alvores do século XXI, nascia aquele aquele que os fascistas de Mussolini considerariam inimigo público número um. Sante Pollastri era seu nome. Ou Pollastro, como preferia ser chamado, afirmando que facilitava a assinatura. Os tempos eram duros: trabalhava muito, ganhava pouco e comia ainda menos. Cresceu na miséria absoluta. Como o ciclismo era o novo esporte que causava furor entre os italianos, Pollastri também tentou fugir da miséria sobre quatro rodas. Era algo similar aos jovens brasileiros que saem da favela pelas mãos do futebol. Aos quatorze anos havia crescido muito depressa e uma única paixão: a bicicleta.
O primeiro roubo cometido por Pollastri foi de carvão. Foram furtos menores em trens de carga, sem outro propósito que o de evitar a morte de sua família pelo frio. Estava cheio de raiva das autoridades. Participava de ambientes contrários à guerra. Sabiam que seriam bucha de canhão, se dela participassem. Não compareceu ao quartel quando foi convocado. Nessa época seu ódio era voltado para os "carabiniere", os policiais italianos. Um dos agentes havia assassinado seu cunhado. Outro familiar, gravemente doente, foi levado à força para o alistamento militar e faleceu logo depois. Carmelina, sua irmã, fora violentada por um carabiniere. Pollastri o matou e fugiu. Começava sua carreira de inimigo público número um do fascismo.
A raiva cresceu ainda mais quando voou de sua boca um caramelo - de ruibarbo - de sua boca e caiu na bota de um fascista. O botinudo e seus amigos deram uma surra em Pollastri que quase o levou ao túmulo. Era a última gota.
No norte da Itália passou a ser chamado de Robin Hood, por sua generosidade. Compartilhou seu primeiro assalto a um banco com aqueles que nada tinham para levar à boca. E eram muitos, o primeiro momento de uma guerra não é feito de tiros e sim de fome. Reza a lenda que esse assalto foi feito em cima de duas rodas. Sua fama se estendeu por toda a Itália e cegou na França, ainda que a censura imperasse sobre os jornais. Logo a seguir sua imagem foi ligada aos anarquistas. Renzo Novatore, um dos principais líderes anarquistas italianos, foi preso em uma cilada da polícia preparada para prender Pollastri. O jovem ciclista virou o maior símbolo da resistência anti-fascista. Fama adquirida pelo contínuo enfrentamento com policiais. Outra lenda narra que um carabiniere chegou a tê-lo sob a mira de sua espingarda mas, ao invés de prendê-lo, aterrorizado, fez suas necessidades nas calças. A fama chegava ao apogeu. Mussolini colocou preço em sua cabeça: dez mil liras, vivo ou morto.
Pollastri e seu bando, pressionados pela polícia, aguardavam a hora de fugir do país na fronteiriça Ventimiglia. Tinham tudo planejado. Pollastri, quando podia, continuava visitando sua mãe enferma. Na cidade, contava com a admiração e apoio de toda a população. Sempre tirava um tempo para passear e disputar provas de ciclismo. Tinham de passar pela fronteira. Não foi fácil. Um amigo foi ferido e se entregou à polícia. Foi morto na delegacia. Pollastri também foi ferido, mas fugiu. Um par de policiais foi verificar a identidade do falecido, que foi confundido com Pollastri. Os jornais da Itália estamparam nas manchetes a morte de Pollastri. Enquanto isso, se recuperava e planejava o assalto - de bicicleta, é claro - da maior joalheria de Paris.
Pollastri só foi detido em agosto de 1927, em uma estação de Paris. A lenda conta que fora traído por uma bailarina que o amava pela sua imensa capacidade de "pilotar" uma bicicleta. O encarregado de capturá-lo foi o mais famoso comissário francês, denominado Guillaume, é a figura que o escritor belga Georges Simenon, se inspirou para criar Jules Maigret, seu personagem mundialmente famoso. Dez policiais saltaram sobre o ciclista em uma cilada bem armada. Pollastri ainda tentou demonstrar que era outra pessoa, usando um passaporte falso. Mas era muito conhecido. Sua foto estava em todos os jornais italianos e franceses. Uma batalha jurídica foi detonada. a Itália queria julgá-lo. Todavia, o governo francês não o entregou e lhe impôs a pena de oito anos de trabalhos forçados na Guiana. A defesa conseguiu retirá-lo da morte certa que era o presídio da Guiana. O lugar escolhido foi o cárcere de Santo Stefano, uma ilhota com menos de quinhentos metros de diâmetro, em frente de Nápoles. Era o destino habitual dos inimigos de Mussolini. Os italianos chamavam esse lugar de "cú do mundo". Entre seus presos mais famosos estava Sandro Pertini, futuro presidente da Itália. Pollastri ficou em uma solitária por cinco anos. Só saiu, por um dia, para testemunhar em um caso de crime. A prisão só o libertou em 1950.
Com sessenta anos, depois de ter passado mais da metade da vida na cela, Sante Pollastri se dedicaria ao contrabando de cigarros. De bicicleta, é claro.

O inimigo número um de Mussolini era um ciclista

A sacola de Mussolini.

Os últimos dias de Mussolini, em fuga desesperada pelas cidades e vilas do norte da Itália, até hoje são fonte de debates acessos. Enquanto o "Duce" se ocupava de um moribundo, os alemães havia semanas negociavam a rendição do que restava do fascismo. Desde o outono de 1944, houve negociações entre autoridades nazistas - Wolf, Rahn e Dollmann - , de um lado, e a Cúria romana e o arcebispo de Milão, do outro.Elas não levaram a nenhum resultado tangível. Em contrapartida, as que se desenrolaram na Suíça, a partir de fevereiro de 1945, entre os emissários do Reich e os de Roosevelt e Churchill conduziram a uma acordo sobre a capitulação do exército alemão no norte da Itália. As negociações transcorreram no maior segredo, e Mussolini foi mantido completamente no escuro por seu aliado alemão. Mas não havia acordo entre os aliados. Stálin exigia a rendição em conjunto da Alemanha e da Itália. Roosevelt desejava levar Mussolini a um tribunal como o mentor de todo o autoritarismo que destruiu a Europa. Churchill exigia a morte imediata, sem tribunal, de Mussolini.
A história dos últimos momentos de Mussolini ainda é uma página com parágrafos em branco. Não resta dúvida que um partigiano de nome Audisio e alcunha "Valério", foi o condutor da morte de Mussolini e de sua amante Clara Pettacci. Sobram suspeitas de que "Valério" fosse um italiano da resistência agindo por ordens dos ingleses para matar o Duce. Há uma sacola que leva a discórdia historiadores ingleses contra italianos. Uma série de testemunhos relatavam o conteúdo da sacola que Mussolini tinha consigo no momento de sua prisão. Além dos documentos que atestavam a homossexualidade do príncipe Umberto, herdeiro do trono italiano, Mussolini teria tido o cuidado de levar parte de sua correspondência com Churchill, incluindo duas cartas de 1939 particularmente comprometedoras para o estadista inglês. Na primeira, Churchill incitava o Duce a entrar na guerra ao lado de Hitler, com a intenção de contar com sua moderação na elaboração dos tratados de paz. Na segunda, Churchill teria proposto a Mussolini aliar-se à Inglaterra, em uma cruzada contra a União Soviética, quando a guerra tivesse terminado. Apesar das testemunhas que acompanharam Mussolini na fuga desesperada garantirem a existência desses documentos, eles desapareceram nas mãos do executor do Duce. Retornaram à fama quando o maior historiador italiano - Renzo De Felice - deu início à reconstrução dessa época. Com a morte súbita de De Felice, os documentos desapareceram novamente. Na guerra e na política, a primeira morte é a da verdade. Estadistas e ditadores são figuras de tempos de paz. Na guerra....

O inimigo número um de Mussolini era um ciclista

O pavilhão dos padres no campo de concentração nazista.

O nazismo foi responsável pelo extermínio de milhões de pessoas na Europa, com especial perseguição aos judeus, ao longo da Segunda Guerra. Poucos sabem, porém, que o nazismo estendeu suas ondas de violência e mortes para o clero católico e para protestantes. Deflagrou horror e assassinatos em massa de religiosos. Entre 1938 e 1945, dos 2.579 sacerdotes católicos enviados ao campo de concentração de Dachau, 1.034 foram assassinados. O número de protestantes que tiveram o mesmo fim segue desconhecido.
O primeiro campo de concentração nazista, localizado no coração da Baviera, foi inaugurado em março de 1933, apenas 51 dias após Adolf Hitler se tornar chanceler alemão. Mas recebeu os primeiros sacerdotes, seminaristas e monges católicos cinco anos depois, em 1938. Dachau é tido como o maior cemitério de padres do mundo. E abrigou a primeira ordenação de um sacerdote católico em um campo de concentração. Entre as muitas histórias recolhidas desse monstruoso episódio, sobressaem o heroísmo e a fé dos irmãos Pawel. Alois e Boleslaw, os irmãos, eram religiosos poloneses. Presos pelos nazistas, foram levados, inicialmente, para Oranienburg-Sachsenhausen, no norte de Berlim. Um ano depois são transferidos para Dachau. Foram torturados e mortos pelos nazistas sem jamais delatar ou abdicar de sua religiosidade.



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