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Em Pauta

O longo caminho do cru ao cozido. A epopeia da comida

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 19/06/2022 07:00
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Há 3 milhões de anos, o mundo passou por grandes mudanças ambientais. Uma delas, a desertificação da África Oriental, provocou uma redução de florestas e o avanço das savanas, áreas semelhantes, levando alguns macacos - os australopitecos - a desenvolverem novos hábitos. Eles passaram a se reunir em pequenos grupos. Comiam folhas, frutos, ovos, insetos. Guardavam os produtos de suas caçadas e faziam algo revolucionário: compartilhavam refeições. Isso melhorou suas capacidades intelectuais e cooperativas. Provavelmente eram canibais. E estocavam cadáveres de animais abatidos perto de suas ferramentas.


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Homo habilis, o primeiro humano.

Ha 2,3 milhões de anos, aparece na Etiópia a primeira espécie considerada humana: o homo habilis. O que os distingue dos australopitecos é sua capacidade de manejar utensílios e de se comunicar utilizando sons guturais. Ainda não é uma linguagem. Ele come folhas, frutas, grãos e animais crus. Também comem macacos, hienas e peixes crus. Conseguiram produzir ferramentas de pedra.


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O Homem artesão tem intestino menor e cérebro desenvolvido.

Logo a seguir, há dois milhões de anos, aparece, ainda na África, o Homo ergaster (Homem artesão). Ao que parece, no Quênia, onde há uma imensa fartura de alimentos naquele momento. Isso permite a redução do tamanho dos intestinos, acarretando um estreitamento torácico e pélvico. Dá ao cérebro um excedente de energia que lhe possibilita desenvolver. Adquire a linguagem. E utiliza o fogo, mas ainda sem capacidade de produzi-lo. Utilizam os primeiros instrumentos para caçar, e cortar os animais após a caça, feitos de pedra. Comer, falar e caçar... uma grande aventura.


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Homo erectus sai da África para a Jordânia.

Há 1,7 milhão de anos desaparece o Homo habilis, surge o Homo erectus. Mede 1,50 metro a 1,65 metro. Baixinho, tem uma grande cabeça, mas a linguagem ainda é pobre e confusa. Ele coleta alimentos e caça. É a primeira espécie de hominídeos a deixar a África. Após passar pelo Istmo de Suez, vai à Jordânia. E prossegue a viagem. Chega em Israel onde descobre as vinhas. Também vai à China, onde encontra um ancestral do que se tornará o arroz. Depois, por terra, ele atravessa a Indonésia e aprende a comer e utilizar o bambu.


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Da Jordânia para a Europa.

Simultaneamente, outros Homo erectus se dirigem para a Europa. Sua alimentação muda. Comem poucos vegetais e mais carnes de elefantes, rinocerontes e ursos. Ainda cruas. Continuam consumindo carne humana. O tempo esfria. Passam a comer cavalos, bisões, veados e renas. Às vezes peixes e frutos do mar.


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Na China, a domesticação do fogo.

Ao que parece, foi na China, há 550 mil anos, que teve início a domesticação do fogo. Em Zhoukoudian, próximo a Pequim, descobriram vestígios de uma fogueira usada pelo que é chamado "Homem de Pequim". Uma imensa transformação. Os alimentos se tornam assimiláveis, mais digeríveis, sobra energia no corpo desse homem. Ela é deslocada para o cérebro que se desenvolve vertiginosamente. Com o fogo, esse homem passa a eliminar germes e bactérias dos alimentos. Também prolonga o dia. Os homens passam a realizar reuniões noturnas em volta de uma fogueira. Aumentam a quantidade de conversas. A linguagem melhora substancialmente. Surgem os mitos. Ao mesmo tempo que ritualizam o ato de comer, também ritualizam a morte. Começam a rezar para os deuses lhe darem o que se alimentar. Sempre em volta da fogueira. Do cru ao cozido, milhões de anos. Um longo caminho.

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