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O ocaso do gás boliviano traz severas consequências para o MS

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 10/06/2026 07:00
O ocaso do gás boliviano traz severas consequências para o MS

Uma antiga propaganda no terceiro mandato de Evo Morales, à frente do governo boliviano, dizia: “Bolívia será o coração energético da América do Sul. Bolívia terá soberania energética. Exportaremos energia aos países vizinhos e nos converteremos em um país líder da região”. Evo tinha começado esse mandato respaldado por uma vitória eleitoral superior a 60%. O apoio reconhecia a estabilidade econômica que o país gozava desde seu primeiro mandato em 2006. A estabilidade era sustentada pela exportação de gás natural. O governo dizia que suas reservas de gás era gigantescas. A Bolívia nadava em gás. Não passava de mentira.


O ocaso do gás boliviano traz severas consequências para o MS

Exportações reduzidas em 60%. La paz sitiada.

As consequências da mentira chegaram: a exportação foi reduzida em 60% nos últimos anos, golpeando a economia boliviana com uma severa falta de dinheiro. Entraram em recessão e não deram resposta adequada ao problema fundamental. Ao invés de investirem em novas perfurações de poços de gás, torraram o dinheiro. Para piorar, começaram a vender gasolina de péssima qualidade que arruinou milhares de veículos. Também retiraram a subvenção aos combustíveis gerando a crise que vem se agravando desde fevereiro com manifestantes sitiando La Paz.


O ocaso do gás boliviano traz severas consequências para o MS

Quais são as verdadeiras reservas de gás boliviano?

A Bolívia contava em abril deste ano com 3,7 trilhões de pés cúbicos - TCF - de reservas comprovadas. A certificação dos 3,7 trilhões foi realizada pela empresa norte-americana “DeGolyer & Mac Naughton”. Essa empresa havia certificado em 2003 que a Bolívia tinha então 28,7 TCF, quase quatro vezes a mais. Em 2009, outra empresa de nome “Ryder Scott” tinha realizado um ajuste drástico rebaixando as reservas para 9,94 TCF. As cifras foram manipuladas pelo governo de Morales para valorizar as ações das empresas que investiram intensivamente entre 1.982 a 2005.


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Importar gás, deixar de exportar: será o destino da Bolívia?

A principal preocupação agora já não é de voltar aos volumes de venda anteriores. A empresa “Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos”- YPFB - comunicou em abril que o país poderia se ver obrigado a importar gás para abastecer seu mercado interno a partir de 2031. A IPFB está mergulhado, todavia, em acusações de corrupção. Passaram pela empresas três presidentes em seis meses e outro par está fugindo da justiça por possível enriquecimento ilícito.


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A fábrica de Três Lagoas caminha para o ferro-velho?

Esse quadro complexo e terrível, traz consequências drásticas para o Mato Grosso do Sul. Boa parte do ICMS do governo estadual vem do gás boliviano. Outra consequência horrível: de onde sairá o gás para mover a bilionária fábrica de fertilizantes de Três Lagoas? Não nos esqueçamos: essa fábrica seria movida a gás boliviano.Só posso imaginar que a anunciada retomada das obras dessa fábrica não passa de uma mentira para enganar incautos. Tudo indica que o futuro dessa fábrica será o ferro-velho. A única saída será a descoberta de novos poços de gás na Bolívia. Mas quem é maluco de colocar dinheiro para descobrir a existência de novos poços?

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.