Os comunistas na festa de fundação de Glória de Dourados
Glória de Dourados nasce como uma entidade rebelde, avessa à ordem determinada pelos poderosos. Inicialmente, era parte da Colônia Federal de Dourados, o grande projeto de reforma agrária que pretendia organizar a região e levar famílias brancas à região quase desabitada. A colonização começou em maio de 1.954. Uma área de tão somente 240 hectares deveria ser dividida. No entanto, 300 homens apareceram no momento da divisão territorial. Foram obrigados a expandir para mais de nove mil hectares. Não suportaram a pressão.
A divisão que a muitos desagradou.
Em 1.955, Clodomiro Albuquerque fora designado administrador dessa região que ainda não tinha nome. A região foi dividida em 2.972 lotes. Os menores, tinham 30 hectares. Os maiores, com mais de 50 hectare, desagradaram boa parte dos novos colonos. Nada melhor que a presença de um padre para levar paz e tranquilidade à colônia. Durante a missa rezada pelo padre José Daniel, o administrador Clodomiro discursou: “esta nasce do povoado da glória, a glória de Dourados”. Surgia o nome do atual município de que conta com 10 mil habitantes.
Os comunistas preferem o churrasco.
Não é muito conhecido, mas Glória de Dourados, nos anos 1950 e inicio dos anos 60, contou um dos mais agitados núcleos de comunistas da região de Dourados. Aqueles que me narraram essa história montou um quadro inexistente de agitações. Possivelmente eram os mais simpáticos comunistas dessas bandas do Mato Grosso do Sul. Preferiam um bom churrasco a algum entrevero.
O grande churrasco da fundação.
Era um domingo. No dia 27 de dezembro de 1.956, a administração da Colônia Federal tinha designado essa data para a fundação. O administrador da Colônia, Tácito Pace, conhecido como “Dotô Tasso”, participaria da solenidade. Era um homem poderoso, tinha mais poderes que o governador ou o presidente. Mataram dez vacas e levaram a carne para o velho Santino, uma das raras casas em construção. No sábado, ninguém dormiu. Cachaça, barulho de toda ordem e um sanfona… cantaram a noite toda.
A bagunça generalizada.
Mas os comunistas não dormiram planejando dar uma “coça’, uma surra no “Dotô Tasso”. Comandados pelo Washington, Zé Ladeia e Benício, vinte homens se preparam, na surdina, para o ataque. Mas, como bons brasileiros, acabaram optando por atacar a carne do churrasco e a cachaça. A festança terminou em bagunça. O povo invadiu a casa do velho Santino e levou a carne embora. Os comunistas, ao invés da agitação, correram para tentar organizar a bagunça. Na existe ideologia que resista a uma churrascada.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.






