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Em Pauta

Os filmes que enganaram os japoneses, trazendo-os para o MS

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 26/07/2026 08:00
Os filmes que enganaram os japoneses, trazendo-os para o MS

Em 1.908, o navio Kasato Maru, trouxe ao Brasil 165 famílias, totalizando 781 pessoas. Ao contrário do que alguns imaginam, não foram os primeiros japoneses a chegar em nosso território. Antes deles, já havia uma pequena colônia em Macaé, no Rio de Janeiro. Mas o fluxo contínuo das viagens japonesas é contado oficialmente pelo Kasato Maru. Em torno de 60 deles, vieram para o Mato Grosso do Sul. Estes são os frios números. Chamam a atenção, mas não contam a verdadeira história.


Os filmes que enganaram os japoneses, trazendo-os para o MS

Enganados pela propaganda.

Para estimular a viagem dos japoneses e a venda de lotes, usaram a propaganda falsa. Os filmes não eram condizentes com a realidade que os imigrantes encontrariam nas áreas destinadas à colonização. Apresentavam belas fazendas já formadas, com seus cafezais em plena produção, ou repletas de vacas, com toda a infraestrutura para o cultivo ou criação de animais. Quase todos vieram após assistir a diversos filmes que impressionavam aqueles que descobriam um paraíso inexistente.


Os filmes que enganaram os japoneses, trazendo-os para o MS

Lavradores pobres.

Esses filmes eram levados aos setores menos favorecidos da população nipônica: assalariados lavradores ansiosos por uma parcela de terra para trabalhar. Mas, para embarcarem para o Brasil, a JAMIC, a companhia que os trazia, exigia uma certa importância em dinheiro não só para pagar a entrada do lote, como também para cobrir as primeiras despesas ao chegar nas terras prometidas. Cobravam no mínimo 600 mil ienes para o MS. Cobravam 12% de juros ao ano.


Os filmes que enganaram os japoneses, trazendo-os para o MS

38 mil hectares vendidos aos nipônicos.

A JAMIC, tempos depois, adquiriu mais de 38 mil hectares no Brasil. Afirmavam que as do MS eram as melhores terras pois eram cortadas pela estrada de ferro da Noroeste, próxima a centros urbanos. Além disso, haveria nesta região, um excedente de terras, o que garantia ao colono a possibilidade futura de, adquirindo lotes, aumentar o seu patrimônio. Quando aqui chegavam, encontravam um projeto montado e aprovado pelos órgãos oficiais brasileiros encarregados da imigração e colonização, conhecido como INIC - Instituto Nacional para Imigração e Colonização.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.