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Em Pauta

Um MS que falava guarani: surgem quartéis, estradas e reforma agrária

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 24/07/2026 07:00
Um MS que falava guarani: surgem quartéis, estradas e reforma agrária

Das três línguas mais usadas no Mato Grosso do Sul, no início do século passado, o guarani era aquela que era empregada pela maior parte da população. Não é exagero afirmar que o desconhecimento dela trazia embaraços aos que aqui chegavam. Os trabalhadores das fazendas, campeiros, carreiros e os demais, eram quase  todos paraguaios. Em algumas cidades, o mesmo fenômeno acontecia no comércio.


Um MS que falava guarani: surgem quartéis, estradas e reforma agrária

Militarmente desprotegido.

Era uma época em que o declínio do coronelismo guerreiro começou. O banditismo nas zonas rurais, ligado ou não aos coronéis, ainda teria um largo futuro pela frente, sendo registrado até em meados daquele século. O MS era uma região desprotegida militarmente. Era pouco menos que catastrófica a situação das instalações militares. Para piorar, os movimentos armados de contestação ao poder federal, ocorridos no Brasil repercutiram, com maior ou menor intensidade, sobre o MS. As revoluções tenentistas, de 1.922 e 1.924, a Coluna Prestes e rebelião constitucionalista de 1.932, nos trouxeram batalhas e elevados temores nesta região.


Um MS que falava guarani: surgem quartéis, estradas e reforma agrária

Um MS brasileiro: quartéis, estradas e reforma agrária.

A nacionalização do Mato Grosso do Sul foi posta em prática pelo governo federal. Em uma faixa de 150 quilômetros ao longo da fronteira, nenhuma concessão de terras seria efetuada sem a anuência do Conselho de Segurança Nacional. Em contrapartida, criaram a denominada Colônia Agrícola de Dourados, um projeto imenso de reforma agrária. Também lançaram um programa de construção de estradas de rodagem - sem asfalto - destinadas ao uso principalmente dos militares. Levariam as tropas até Porto Murtinho, Bela Vista e Ponta Porã, ligando às cidades servidas pelos trilhos da Noroeste do Brasil - Miranda, Aquidauana e Campo Grande. Também criaram um programa de construções de quartéis e estenderam as linhas telegráficas até eles. O Mato Grosso do Sul, enfim, virava brasileiro.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.