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Em Pauta

O rabo do rato e o cálice sagrado do controle da dor

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 28/11/2021 08:49
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

A busca das gigantes farmacêuticas pelo cálice sagrado do controle da dor - uma droga com todo o poder dos opiáceos mas sem o vício - nos levou a lugar nenhum. A diferença foi apenas que saímos dos opiáceos naturais - baseados na seiva da papoula - para substâncias totalmente novas e sintéticas, criadas em laboratório.


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Opiáceos ou opioides?

Essas drogas novas, construídas em laboratório, se enquadraram em uma nova categoria de medicamentos denominações opioides. Opiáceos, são as antigas drogas retiradas da papoula. Os opioides são muito mais poderosos - e potencialmente mais viciantes - do que qualquer opiáceo. É estranho saber que esses opioides foram desenvolvidos, em parte, para curar o vício em opiáceos. Eles apenas agravaram o problema. Mas enriqueceram as farmacêuticas.


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O rabo do rato.

O primeiro opioides foi descoberto na Alemanha, nos laboratórios da Hoechst, no final dos anos 1930, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. A empresa não estava procurando essa droga. Foi encontrada por acaso. E o motivo foi o rabo de um rato. Em vez de um analgésico, os químicos da Hoechst procuravam uma droga capaz de aliviar os espasmos musculares. O ponto de partida foi uma família de moléculas que não tinham nada em comum com o ópio.


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O rabo formava um "S".

Os químicos estavam imersos no trabalho. Testavam uma molécula - e suas variações - atrás da outra. Cada uma delas, era testada em camundongos para ver o que acontecia. Foi então que um pesquisador perspicaz notou algo estranho: o camundongo que recebia uma dessas drogas erguiam seus rabos formando um "S". A maioria dos cientistas teria ignorado essa reação. Mas esse pesquisador tinha trabalhado com drogas relacionadas ao ópio, e ele sabia o que os camundongos faziam quando estavam chapados de opiáceos. Levantavam os rabos num "S".


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Algo novo na praça.

Então a equipe da Hoechst realizou mais testes. E logo ficou claro que eles tinham descoberto algo completamente novo: um analgésico poderoso que fornecia um alívio da dor significativo. Em vez de manter as cobaias no estado sonhador do opiáceo comum, essa nova droga os deixava ligadões. E o mais importante: os testes iniciais indicaram que era muito menos viciante que as drogas retiradas do ópio. Era o cálice sagrado. Deram-lhe o nome de petidina. E, óbvio, a lançaram no mercado. A propaganda dizia que a peticiona não tinha muitos efeitos colaterais e não viciava. Eles estavam errados em ambas afirmações. A petidina era altamente viciante e apresentava muitos efeitos colaterais. Até hoje, não há uma só droga que não seja viciante. Não há um cálice sagrado.

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