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Em Pauta

O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 26/02/2020 06:30
O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada

"Donas de casa de nossa geração que estão felizes de submeter-se e cuidar de seu lar e de seu esposo como se fosse 1959". Assim define o propósito da #tradwives bem como a plataforma online "The Darling Academy", que defendem e promovem esse estilo de vida baseado na esposa tradicional. É um movimento que vem sendo gestado na internet.

O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada
O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada

"Sou a CEO de minha empresa, encarregada de minha casa".

As mulheres que participam desse movimento reivindicam a satisfação de fazer uma torta para desestressar e surpreender o marido quando chega em casa. Defendem uma autonomia que consiste em usar como elas quiserem o dinheiro para comprar comida e gastos pessoais deixado mensalmente pelos maridos. Uma delas explica: "Sou a CEO de minha empresa, encarregada de minha casa". Mas diz que há limites, não compraria um sofá sem o consentimento do marido.

O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada
O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada

Adesão de 100.000 mulheres no Brasil, Inglaterra, EUA e Japão.

Inspirado no modelo da dona de casa norte americana dos anos cinquenta, quando a sociedade e a publicidade enviavam mensagens de que a felicidade da mulher responde ao ideal da dedicação exclusiva ao âmbito doméstico, o movimento se expande pelo mundo. Já estão inscritas mais de 100.000 mulheres brasileiras, norte americanas, inglesas e japonesas na #tradilife e na #tradwife (algo como "mulheres tradicionais"). Dão instruções para que elas "não vistam roupas desalinhadas para que não possam ser consideradas lésbicas". Apenas um parêntese: lésbicas andam desalinhadas?

O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada
O ressurgimento da dona de casa submissa e abnegada

Coach de feminilidade.

As mais espertas já se lançaram como "coach de feminilidade", se propõe ensinar as outras interessadas em como se tornar donas de casa. Na Inglaterra e no Japão não há qualquer ligação com partidos ou movimentos políticos. No Brasil, como sempre, há uma mistura geral. A famosa geleia de tudo. Já nos EUA, o movimento está diretamente vinculado aos homens brancos de extrema direita.