O Brasil é um país sem pais? O papel da testosterona e da prolactina
As manchetes nos jornais exageraram. Vendiam um país onde os homens só participam com o sêmen, não cuidam de seus filhos e nem sequer dão seu sobrenome a eles. Pais fujões, fazem o filho e desaparecem. Não é bem assim, esse tipo de homem brasileiro irresponsável perfaz 7% da totalidade. Invertam a conta, 93% dos pais assumem seus filhos. A ciência pode auxiliar explicando o comportamento do pai-carinhoso?
A paternidade de outros animais.
Se nos fixarmos em outras espécies de mamíferos, os pais tendem a não fazer nada além de aportar com o sêmen. As mães também assumem grande parte da carga na maioria dos demais animais que cuidam de suas crias. As aves são a grande exceção, criam seus filhos com participação dividida entre pai e mãe. Inclusive entre os símios, nossos parentes mais próximos, a maioria dos papais não fazem grande coisa. A exceção são os gorilas, adoram criar bebês, inclusive os que não são seus.
A redução de testosterona.
Os “pais de primeira viagem” apresentam uma redução na testosterona, o que os ajuda a ser mais carinhosos com seus filhos recém-nascidos. A queda desse hormônio explica como os humanos fazem filhos de três em três anos, tempo necessário para uma criança “conhecer o mundo”, perder um tanto a dependência. Os cientistas foram às Filipinas acompanhar 450 pais de primeira viagem ao longo de cinco anos. Os níveis de testosterona de todos eles, sem exceção, tiveram uma queda muito grande e retornaram ao normal à medida que os filhos cresciam. Não resta dúvida, a historia da paternidade também está escrita no sangue - na testosterona - dos homens. Não se trata apenas de pura irresponsabilidade. Ainda temos muito a evoluir para nos tornamos bons pais participativos.
O aumento da prolactina.
Ao mesmo tempo que a testosterona dos pais de primeira viagem cai, o nível de prolactina sobe. A prolactina é um hormônio secretado pela glândula hipófise, localizada na base do cérebro. Sua função mais conhecida é a de estimular a produção do leite materno, o nome diz tudo “pró-leite“. Um pai com elevada taxa de prolactina é mais carinhoso, acreditam os cientistas. Essa crença não é lá muito cientifica. Está comprovada apenas em aves. Criaram um paralelo: “se ela torna a ave paterna mais carinhosa, também deve promover pais humanos mais cuidadosos e carinhosos com seus filhos”.
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