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Em Pauta

Os africanos não construíram palácios e outras teorias racistas

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 20/11/2020 07:49
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O racismo não foi construído apenas com torturas, suplícios, trabalho forçado e perseguição policial. Essa é sua face mais conhecida, mais emotiva. Há outras tão ou mais perversas e pouco conhecidas. Esconder a inteligência e capacidade dos africanos - e de seus descendentes - é um tipo de racismo profundo, que não permitem que venha à tona.


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O Grande Palácio de Zimbábue.

No Zimbábue, próximo a humildes casas, se levanta uma imponente muralha pétrea e coroada com uma acrópole de forma cônica e erigida sem cimento. Ao escavarem a edificação, no final do século XIX, perceberam que era um imenso palácio. Dentro, encontraram contas de vidro da Índia, porcelana chinesa, objetos de cobre e muito ouro... tecnologias e artes que não se enquadravam com a que dispunham os empobrecidos habitantes da região no momento da descoberta. Segundo as análises de rádio-carbono, o Palácio de Zimbábue foi construído por volta do ano 950 de nossa era. Os colonos brancos, detentores do poder no Zimbábue, em fins do século XIX, decidiram que o Grande Palácio não havia sido construído pelos africanos, era obra de europeus, nunca descobertos pela história. Mas, em 1928, chegou ao Palácio, a maior arqueóloga de seu tempo. A inglesa Gertrude Caton-Thompson escavou de maneira profissional e demonstrou que o complexo palaciano tinha sido "inspiração e construção totalmente africana".


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Mansa Musa, o homem mais rico que já existiu na história.

O rei africano Mansa Musa, que governou o Império Mali no século XIV é, até hoje, o homem mais rico da história. Assumindo o poder em 1312, foi o responsável por expandir a riqueza do império. Foi desse Império que saiu a maior parte do ouro que construiu a riqueza da Europa. Quase todo o ouro que fez a prosperidade da Itália Renascentista saiu do Mali. Foi do Mali que saiu quase todo o ouro que irrigou as fortunas do Oriente Médio, da Europa e da África. Economistas e historiadores nunca conseguiram calcular o tamanho da fortuna de Mansa Musa, mas sem exceção, todos acreditam que era bem superior dos três trilhões de dólares atuais. Segundo a revista Money, Musa foi "mais rico do que qualquer pessoa possa descrever".


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Os Manuscritos de Tombuctu.

À partir do século XIII, a riqueza e propriedade de Tombuctu, no Mali, que ainda não era o império construído por Mansa Musa, permitiu que eles forjassem um dos maiores centros educativos e culturais da humanidade. Não menor e nem menos importante, Tombuctu rivalizava com Alexandria, no Egito e com o grande Centro da Sabedoria de Bagdá. Legaram à humanidade milhares de manuscritos sobre medicina, ciências, artes e caligrafia. Estima-se que o número de manuscritos que ainda existem é tão alto quanto 700.000. A maioria foi escrito em árabe, mas alguns foram em línguas locais. Estão dispersos em faculdades e museus europeus. Outros, permanecem escondidos, enterrados nas areias por receio de roubo. Poucos baús de manuscritos estão à mostra, no geral são trabalhos acadêmicos. O Mali tinha o maior centro de ensino da época. Não à toa, logo a seguir, construiu um rico e poderoso Império administrado por Mansa Musa.


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