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14/02/2018 08:43

Os samurais construtores que chegaram em C.Grande

Mário Sérgio Lorenzetto
Os samurais construtores que chegaram em C.Grande

Uma odisseia se fossem gregos. A história da chegada dos primeiros japoneses a Campo Grande é recoberta de façanhas e bravuras dignas de seus ancestrais guerreiros samurais. O Japão do início do século passado já era superpopuloso. Suas autoridades incentivaram a viagem de milhares de famílias para as Américas. Peru, Argentina e Brasil eram os destinos mais concorridos.

Uma notícia correu as fazendas cafeeeiras próximas à Jundiaí, onde mal viviam famílias nipônicas: a construção de uma estrada de ferro pagava salários dez vezes superiores ao que os professores no Japão percebiam. Bastava um dia de trabalho para receberem o salário mensal nas fazendas brasileiras. Endividados pelas despesas da viagem ao Brasil, essa era uma oportunidade que não poderiam perder. Essa notícia chegou também aos japoneses que viviam na Argentina e no Peru.

Os primeiros japoneses que saíram da região de Jundiaí tiveram de embarcar em navios no porto de Santos e, de lá, dar a volta em toda a América do Sul, entrando no rio da Prata, até chegar a Porto Esperança, na beira do Rio Paraguai. Eram 75 samurais. O grupo era composto majoritariamente por Okinawanos, originários da Fazenda Floresta, em Itu. Outros eram da província japonesa de Kagoshima. Na altura de Montevidéu, o navio foi assolado por uma violenta tempestade. Todos encomendaram suas almas a Buda e rezaram a seus ancestrais.

Milagrosamente escaparam. Em torno de 26 dias de viagem, finalmente chegaram ao destino. Porto Esperança era a base das obras da ferrovia. Contratados como subempreiteiros, uma segunda leva de japoneses fez o mesmo percurso. Um grupo saia da mesma Fazenda Floresta e outro, da Fazenda Dumont. Novamente a maioria era de okinawanos.

Os dois grupos sucumbiram à ação devastadora da malária com muitas mortes. Os corpos eram enterrados ao lado dos trilhos ou incinerados em pilhas de lenha. Apenas sete ou oito deles estavam aptos para os trabalhos inclementes de fixar dormentes e trilhos. Outra leva de japoneses, vindos do Peru, que tiveram de varar os Andes pelo Chile até Buenos Aires, conseguiu superar a ação dos pernilongos e levar as obras adiante.

As obras eram tocadas em grupos de 15 pessoas que ficavam encarregadas de trechos de 10 quilômetros. Eles se destacavam pelo força e determinação. Carregavam terra em vagonetes ou em carroças puxadas por mulas ou bois. Os corpos encharcados de suor atraíam mais pernilongos. Aprenderam com seu sangue que a pressa era mortal. Se não se poupassem, estariam mortos. A dieta não ajudava. Era constituída por carne-seca, feijão e arroz e nenhuma verdura. Uma só cebola custava um dia de trabalho. Raramente saíam à caça de porcos do mato, veados e antas.
Apesar das vítimas, as obras foram concluídas em 1915. A pequena festa foi na estação apropriadamente denominada Ligação – entre Campo Grande e Ribas do rio Pardo.

Os samurais construtores que chegaram em C.Grande

Aprendendo a "criar" dinheiro. Como os bancos funcionam.

Harvard Business School criou um jogo para que seus alunos aprendam a "criação" de dinheiro em um banco. Começa com um banco central imaginário pagando US$ 100 ao professor, em nome do governo, para o qual ele fizera uma consultoria não muito lucrativa. O professor leva o dinheiro para um banco imaginariamente operado por um dos seus alunos e ali o deposita, recebendo um recibo de depósito.

Presumindo que esse banco opera com um coeficiente de 10% das suas reservas (ou seja, mantêm o coeficiente das suas reservas a 10% em relação ao total dos seus riscos), ele deposita US$ 10 no banco central e empresta os outros US$ 90 a um de seus clientes. Enquanto o cliente decide o que fará com o dinheiro, ele deposita o dinheiro em outro banco.

Esse outro banco também têm uma regra de 10% das reservas, de modo que deposita US$ 9 no banco central e empresta os US$ 81 remanescentes a um dos seus clientes.

Depois de mais outras tantas rodadas, o professor pede a seus alunos para computarem o crescimento no estoque do dinheiro. Isso permite que ele introduza duas das definições essenciais da moderna teoria monetária: Mo e Mi. O primeiro, Mo, é igual o total de riscos do banco central, ou seja, o dinheiro mais as reservas dos bancos do setor privado depositados no banco central. Mi é o dinheiro em circulação mais os depósitos à vista. Na hora em que o dinheiro foi depositado em três diferentes bancos de estudantes. o Mo é igual a US$ 100 mas o Mi é igual a US$ 271 (US$ 100 + US$ 90 + US$ 81), ilustrando concisamente como as reservas do negócio bancário permitem a criação do crédito e, portanto, do dinheiro.

O professor então surpreende o primeiro aluno e pede os seus US$ 100 de volta. O aluno têm de ir às suas reservas e pedir de volta o empréstimo que fez ao segundo aluno, deslanchando um efeito dominó que faz com que o Mi se contraia tão rapidamente quanto se expandira. Isso ilustra o perigo de uma corrida aos bancos. A regra é que o banco, ao final, tenha apenas e tão somente dez vezes menos do que o solicitado pelos clientes. Adiós banco. Adiós dinheiro de clientes.

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Crédito não pode pecar pelo excesso.

A taxa de juros caiu pela décima primeira vez no atual governo. Isso significa que o crédito está mais barato. O preço do dinheiro já não atinge os patamares da época da crise. Esse indicador, ao lado do desemprego, é o que merece maiores cuidados para a saúde financeira de um país. Quando excessivo, como vimos no governo petista, coloca a economia em grande fragilidade. Quando as famílias, empresas e países têm níveis excessivos de crédito uma pequena constipação na economia mundial pode transformar-se em uma grave pneumonia. Exatamente a pneumonia que nos curamos.

O Banco Central deve passar a uma postura preventiva e pedagógica junto aos cidadãos e sistema financeiro. Além do papel de nos ter tirado de uma catástrofe, se espera do Banco Central um papel ativo na regulação nesse setor decisivo e estratégico.

 



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