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07/09/2018 07:15

Quando toma cerveja ou café, está comendo plástico

Mário Sérgio Lorenzetto
Quando toma cerveja ou café, está comendo plástico

Já nos disseram que os rios e os mares estão cheios de plástico. Mas não nos falaram que as sacolas e garrafas, e tudo que acaba entre as ondas se vão desfazendo ao longo de centenas de anos, convertendo-se me pequenos pedaços de plástico. São esses diminutos pedaços que os peixes comem e, como comemos peixes, acabamos com o plástico em nosso sistema digestivo. Há outra informação que não estão nos dizendo: o plástico nunca desaparece totalmente. Nunca.

A presença do lixo plástico é tamanha que também comemos plástico quando bebemos uma cerveja ou um café. Está por toda parte. E não paramos de gerar ainda mais plástico. Também não paramos de comer plástico. Mas podemos fazer algo para reduzir esse macabro círculo vicioso: o primeiro é a conscientização e o segundo, algum tipo de compromisso. São algumas ações muito concretas no dia-a-dia. Quando pedir uma bebida, peça que não venha em copo plástico e sem canudinho. Estime quanto plástico reduzirá com esse compromisso. Se a cada semana rechaçar apenas três canudinhos, estará reduzindo quinze gramas de plástico por semana. Triplique por três se rechaçar os famigerados copos plásticos. E assim com tudo. Pode deixar de comprar sucos e água em vasilhames de plástico, não comer em pratos e marmitas plásticas, e cozinhar com espátulas de madeira. Há outros um tanto mais difíceis de encontrar: usar escovas de dente de madeira ou cosméticos com invólucro desse material.

Devido ao efeito do tempo, da luz e da pressão das ondas, uma garrafa de plástico é reduzida a partículas microscópicas. Essa é uma contaminação muito séria que as empresas que nos fornecem água não estão preparadas para filtrá-lo. Uma vez que o plástico tenha entrado no meio ambiente, acredite, é impossível eliminá-lo. Só há uma saída: não aceita nada que venha com plástico. E isso só será possível com nosso esforço.

Quando toma cerveja ou café, está comendo plástico
Quando toma cerveja ou café, está comendo plástico

Quimera: um monstro muito complexo.

A quimera era uma criatura fantástica da mitologia grega. Formada pela cabeça de um leão, cauda de serpente ou dragão e o corpo de uma cabra, algumas tinham asas e inclusive soltavam fogo pela boca. O que não é tão conhecido é que, entre os humanos, também existem quimeras. Calma! Não é que exista gente com cabeça de leão e rabo de dragão... apesar de nossas desconfianças. Como se explicam as quimeras humanas? A genética têm a resposta. Cada um de nós têm um DNA distinto e único que nos torna diferentes de todos os demais 7 bilhões de pessoas habitando o planeta. Este DNA surge da união de um óvulo com um espermatozoide - que formam um zigoto - no útero da mãe.

No caso dos gêmeos, existem dois óvulos e dois espermatozoides que, ao unir-se, formam dois zigotos com DNA diferentes. Mas, as vezes ocorre de apenas um zigoto prosperar: só nascerá um bebê. Todavia, este bebê, com seu próprio DNA, pode ter absorvido parte do DNA do outro zigoto, aquele que não se desenvolveu. É como se uma pessoa levasse outra dentro do corpo.

O quimerismo, que é como se denomina esse estranho fenômeno genético, vem despertando tanto interesse como curiosidade e vem servindo de argumento em várias histórias e séries televisivas.

A mais recente ocorreu em um episódio da série House. Um paciente apresentava sintomas pouco comuns. Ouvia vozes na cabeça, acreditava ter sido abduzido por ETs, haviam se instalado em seu corpo após a abdução, provocando reações estranhas. O agudo doutor se deu conta que o paciente era "apenas" uma quimera. Conservava dentro de seu corpo parte do corpo do irmão gêmeo que nunca nasceu e, por isso, tinha alucinações.

Quando toma cerveja ou café, está comendo plástico
Quando toma cerveja ou café, está comendo plástico

A arca naufragante. A acelerada extinção das espécies.

No início da década de 1680, na Ilha Maurício, bem longe no Oceano Índico, algum marinheiro estava perseguindo até a morte o último dos dodôs, a famosa ave não voadora, cuja natureza estúpida, mas confiante, e falta de vigor nas pernas a tornaram alvo irresistível de jovens marujos entediados. Milhões de anos de isolamento deixaram o dodô despreparado para o comportamento profundamente agressivo dos seres humanos. Exterminamos o dodô, sem nenhum proveito, nunca foi uma carne usada pelo homem. Conta-se que os dodôs eram tão espetacularmente privados de desconfiança que, se você quisesse encontrar todos os dodôs de uma área, era só capturar um deles e fazer com que guinchasse. Imediatamente, todos apareciam para ver o que estava acontecendo. Os humanos são inerentemente carrascos dos outros seres vivos.
A vaca-marinha, uma criatura parecida com a morsa, foi um dos últimos animais realmente grandes a se extinguir. Um adulto podia atingir 9 metros de comprimento e pesar 10 toneladas. Em 1741, uma expedição russa sofreu um naufrágio onde as últimas vacas-marinhas ainda sobreviviam. As remotas ilhas no mar de Bering eram sua casa. Havia um naturalista, chamado Steller, nessa expedição que descreveu a vaca-marinha com minúcias. Chegou a medir até o diâmetro dos bigodes dela. A única coisa que não descreveu foram os genitais do macho, mas se sentiu à vontade para descrever os da fêmea. De tanto ser caçada, 27 anos depois de descoberta, a vaca-marinha estava extinta.
O gracioso periquito da Carolina, verde-esmeralda, de cabeça dourada, foi a ave mais bonita da América do Norte. Mas esse periquito era considerado uma praga pelos fazendeiros e era fácil de caçar, porque vivia em bandos e tinha o hábito peculiar de fugir ao som de uma arma - como seria de se esperar -, mas retornava imediatamente para socorrer os companheiros feridos ou abatidos. São descritos como as aves de maior compaixão e preocupação com seus semelhantes. Na segunda década do século XX essas aves haviam sido implacavelmente caçadas até a extinção.
O final do século XIX e início do XX foi uma época difícil de compreender. Todo animal era perseguido caso fosse, ainda que ligeiramente, considerado um invasor de fazendas. Em 1890, o Estado de N.York pagou mais de cem prêmios pela morte de leões-da-montanha, embora soubessem que eles estavam no limiar da extinção. Felizmente, essa notícia não chegou ao Mato Grosso do Sul para ser copiada pelos que desejam o extermínio dos parentes dos leões, as onças tão odiadas. Até a década de 1940, muitos estados norte americanos continuaram pagando prêmios por qualquer animal que considerassem predador. A Virgínia Ocidental oferecia uma bolsa de estudos universitária anual a quem trouxesse mais "pragas" mortas. "Praga" era interpretado como qualquer animal que não fosse de criação ou de estimação.
Devido a nossa imensa negligência de cuidar dos seres enquanto ainda estão vivos, estamos afundando a arca. Em 1979, Norman Myers sugeriu que nós humanos estávamos causando cerca de duas extinções por semana no planeta. No início da década de 1990, ele aumento para seiscentas por semana. Um relatório da ONU de 1995, por outro lado, estimou o número de extinções conhecidas em pouco menos de 500 para animais e 650 para plantas nos últimos 400 anos. Alguns analistas consideram esses números inflados. O fato é que não sabemos. Não temos nenhuma ideia. Não sabemos o que estamos fazendo agora e nem como nossas ações atuais afetarão o futuro. O que sabemos é que só existe um planeta para praticarmos tal matança. Somos o pior pesadelo que um animal poderia ter. A conta surpreendente é que existimos por apenas 0,0001% do tempo da história da Terra.



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