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06/07/2017 07:11

Rombo no INSS? As benesses da União dizem que não

Mário Sérgio Lorenzetto
Rombo no INSS? As benesses da União dizem que não

Afinal, quem mente? Acelerar uma reforma previdenciária sem conhecer os números, sem torná-los transparentes, é uma atitude autoritária, digna dos piores Maduros. Ainda que concorde com a reforma, não é plausível aceitá-la sabendo que é a "reforma de uma só pessoa". Somente o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA - a estudou e propôs. Pasmem, o INSS não participou da elaboração da proposta original reformista. Não somos contra a reforma, mas seria de bom alvitre que ela fosse soberanamente debatida no período eleitoral.

Nossa previdência é tripartite, mas apenas na lei, a prática é bem outra, somente os empregados e empresários a pagam, o governo não entra com um reles centavo. Esse é um dado apresentado até por ex-ministros da Previdência: os funcionários públicos são aposentados, todos os meses veem seu salário ser subtraído para a Previdência, mas o dinheiro não chega até ela. Desaparece na contabilidade "transparente", uma semi-inutilidade para enganar incautos. Mas é pior que isso, as benesses dadas pelo governo dizem que dinheiro não faz falta.

Rombo no INSS? As benesses da União dizem que não

As renegociações do governo dizem que não falta dinheiro para a Previdência

O governo já gastou com renegociações feitas para desafogar governadores, prefeitos e os refis de toda hora, mais do que economizará, caso consiga aprovar a reforma da previdência em dez anos. Somando-se a absurda liberação de dinheiro do BNDES para governadores e prefeitos, alongamentos de dívidas e edição de medida provisória para novo Refis, já foram disponibilizados R$769 bilhões. os bilhões gastos com parlamentares para aprovar a permanência de Temer no poder e para aprovar as reformas não estão sendo computados. Após as mudanças aceitas pelo Planalto no texto inicial da reforma previdenciária, a economia aos cofres públicos seria de R$600 bilhões nesse mesmo tempo. Vale ressaltar que essas renegociações com governadores e prefeitos são um copo de água com açúcar para quem está em coma. Não resolvem o problema dos concursos em profusão e das nomeações de comissionados para socorrer cabos eleitorais. Eles precisam enquadrar seus gastos no tamanho real de suas receitas.

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Os planos de previdência privada

Sem debate e com números suspeitos, quem ganha realmente com a reforma da previdência são os planos privados de aposentadoria vendidos pelos bancos. A corrida ao ouro dos planos de previdência mostra que 13 milhões de brasileiros, por falta de perspectivas, já fugiram do INSS para os planos que acumulam ativos de quase R$700 bilhões, valor similar aos existentes nos fundos de pensões atualmente. Os recursos de ambos, próximos de R$1,4 trilhão, são utilizados pela política fiscal de todos os governantes.

Em nenhum país do mundo a estrutura da previdência está no Ministério da Fazenda e em nenhum país do mundo os recursos da previdência são utilizados como instrumento de política fiscal. São usados para pagar benefícios e não para facilitar a vida de governadores, prefeitos e empresários.



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