ACOMPANHE-NOS    
JULHO, SEGUNDA  13    CAMPO GRANDE 29º

Em Pauta

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 23/10/2013 07:39
Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Judeu, historiador, crítico e amante de nossas terras

Anatol Rosenfeld. Um intelectual de peso no Brasil. Historiador, crítico de literatura e teatrólogo. Judeu nascido em Berlim, na Alemanha, em 1912. Durante os anos de 1930 a 1934 estudou história, filosofia e letras na Universidade de Berlim. No decorrer da preparação de sua tese de doutorado foi forçado pela perseguição nazista a fugir de seu país.

Quando chegou ao Brasil, em 1937, Anatol tinha 25 anos e acabava de escapar por pouco a uma intimação da polícia nazista, que significava a morte para a quase totalidade dos intimados. Na época, a orientação do governo brasileiro quanto aos imigrantes era aproveitar o braço estrangeiro na lavoura. Quanta incompetência, desperdícios de qualificações dos imigrantes.

Anatol foi trabalhar na enxada em uma fazenda no interior de São Paulo. Seu serviço consistia em arrancar pragas de uma plantação de eucalipto novo. A tarefa era um problema para um intelectual, ele não sabia distinguir entre a muda da planta e a praga que deveria eliminar.

Depois, virou lustrador de portas no Estado do Paraná. Em seguida, tornou-se caixeiro-viajante, ocupação em que conheceu o interior do Brasil. Somente na década de 1950 entrará em contato com o mundo intelectual brasileiro.

Em uma de suas obras, póstuma, “Anatol Rosenfeld on the Road” ele faz um convite aos brasileiros: pede a eles viajarem pelo Brasil. O que sabe do Brasil quem só viaja de avião entre as capitais, pergunta Anatol. Ele diz que é preciso viajar de trem, tomar a Noroeste em Bauru e percorrer o (antigo) Mato Grosso. “No caminho, fiquem alguns dias em Aquidauana e Miranda. Excursionem pelos campos. Depois prossigam até Porto Esperança e Corumbá. Tomem ali o naviozinho de rodas e vão até Cuiabá. Isto é viajar! Peguem a jardineira em Campo Grande e vão até Ponta Porã, na fronteira do Paraguai, sim senhor, e se atolarem no caminho devido a uma chuva tropical, tanto melhor! Assim é que se conhece um país!”

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Corumbá, a cidade branca, esmiuçada por Anatol

A cidade que Anatol mais se empenha em descrever é Corumbá. A Corumbá do início da crônica é uma cidadezinha plantada no Pantanal, “cujos dias são devastados por um sol furioso e cujas noites parecem cavernas fechadas, ressoando ao zunir de nuvens de mosquitos”. A sua vida está sob o signo da luta encarniçada entre civilização e natureza.

Ele procura desmentir os chavões, o primeiro é o da superioridade racial. O inglês loiro vestindo terno de casimira, pouco depois dorme na rede em mangas de camisa, de boca aberta e calça amassada, o cachimbo caído no chão derrotado pelo calor.

Em seguida, ele constata a despeito das condições do ambiente, há um progresso febril em Corumbá, mas nem por isso a vida do povo melhora, pois num Estado onde os bifes crescem nas árvores e a natureza está em toda parte, não há carne para comer, nem legumes, nem leite e os ovos são mais raros que diamantes, sem falar nos hotéis, que são mocambos, mas custam mais caro do que um hotel relativamente luxuoso em Ribeirão Preto, Campinas ou Uberaba.

A cidadezinha minúscula, “que parecia esquecida no seu abandono tropical, está fazendo negócios. O dinheiro corre como nunca. Os preços sobem como bambu ou como o mercúrio no termômetro. “O milagre não se realizou por ter sido encontrado ouro ou petróleo, nem se poderia dizer que a guerra tenha sido a causa principal deste boom, que pegou como uma epidemia”.

Corumbá tinha uma situação no mapa que subitamente se tornou privilegiada, perto da fronteira com a Bolívia, com grandes perspectivas em função de uma hipotética estrada de ferro que ainda iria ser construída. Outro fator foi a evolução da aviação comercial, as grandes linhas transcontinentais passavam a fazer escala na cidade.

Anatol ainda descreve o trabalho dos sírios-libaneses com entusiasmo, bem como dos “changadores”, carregadores de malas que são situados como os representantes mais típicos do estilo de vida em Corumbá.

É uma grande aula da vida cotidiana em nosso Estado. Desconhecido de todos. Nunca estudado. Só o ensinamento do papel da aviação comercial é merecedor de um trabalho de doutorado. E os “changadores” quem eram, como viviam o que representavam para a economia da cidade e do Estado? Os sírios-libaneses, muitos de Corumbá vieram para Campo Grande, não são conhecidos e nem reconhecida sua importância por todos os conhecimentos locais.

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses
Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Nike, Le Lis Blanc, Zara e Bo.Bô – lojas do suor ou do trabalho análogo à escravidão?

Algumas marcas famosas vêm construindo um infeliz patamar de igualdade. Se por um lado apresentam ao público vitrines e peças belas e com preços acessíveis para a classe média brasileira, do outro lado mostram um faceta da perversidade.

A Nike vende tênis produzidos na Indonésia e um levantamento feito com 4 mil trabalhadores de uma fábrica que serve a essa empresa revelou que 56% queixaram-se de receber insultos verbais, 15% das mulheres eram tocadas sexualmente e 13% sofreram coerção física. A Nike no Vietnã conservava condições de trabalho insuportáveis, seus trabalhadores ganhavam US$ 1,60 por dia e teriam de gastar US$ 2,10 para pagar três refeições diárias. Ainda, esses trabalhadores só podem utilizar o banheiro uma vez por dia e podem tomar água duas vezes em cada dia. Em alguns casos, esses trabalhadores devem ficar de castigo ajoelhados.

É o conhecido caso das denominadas “lojas do suor”. Se há trabalho semelhante ao usado na escravidão na Ásia, o Brasil tem suas lojas do suor. O grupo Restoque, dono Le Lis Blanc pagará R$ 1 milhão por danos morais coletivos pelo trabalho análogo à escravidão.

Grifes exploram mão-de-obra de bolivianos em trabalho degradante

Em julho deste ano, 28 trabalhadores bolivianos foram flagrados em regime degradante produzindo peças para duas marcas dessa rede: a Le Lis Blanc e a Bourgeois Bohêne (Bo.Bô).

A multa de R$ 1 milhão faz parte do termo de acordo assinado com o Ministério Público do Trabalho de São Paulo. Esta aceitação da multa, sem discutir na Justiça, caracteriza o reconhecimento da perversidade praticada nas fábricas.

A fiscalização do Ministério chegou às oficinas que suprem a Le Lis Blanc e a Bo.Bô a partir das investigações em outras empresas também flagradas na prática de trabalho escravo.

Em uma dessas investigações, encontraram uma confecção contratada pela Zara que descobriu 51 pessoas – 46 bolivianos – trabalhando em condições similares à escravidão. Há muito tempo foi assinada a Lei Áurea no Brasil proibindo o trabalho do negro escravo. Quando será assinada uma lei que impeça o trabalho semelhante ao da escravidão para os 10 mil bolivianos que residem no Brasil? Quem compra essa marca ou nessas lojas está aceitando o regime de trabalho usado por elas?

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses
Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

A boa fórmula para atingir a aposentadoria

Que o benefício pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não será suficiente para ninguém manter o padrão de vida após a aposentadoria, todo mundo já sabe. Que as pessoas viverão cada vez mais com os avanços da medicina, parece óbvio. Também não é segredo para ninguém que alguns gastos com médicos e medicamentos aumentam na mesma proporção do avanço da idade.

O que muitas pessoas fingem não saber ou nem querem pensar é que a pior maneira de se preparar para a aposentadoria é deixá-la de lado, no esquecimento.

Alguns comportamentos recomendáveis:

1. Guarde o máximo que puder. É bem melhor economizar demais do que correr o risco de poupar pouco e correr atrás da aposentadoria aos 50 anos.

2. Se você não se sente hábil o suficiente para investir o próprio dinheiro, os planos PGBL e VGBL podem ser opções razoáveis – razoável não é sinônimo de boa – no longo prazo.

3. Antes de consumir como um rico ganhe dinheiro como um rico.

4. Quanto mais cedo começar a poupar visando a aposentadoria, reduzirá o esforço necessário.

5. Resista à tentação de usar o dinheiro acumulado para o período da aposentadoria em outra finalidade.

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses
Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Profissão: concurseiro

Muitos jovens brasileiros decidem dedicar meses ou anos de suas vidas aos estudos para concursos por dois principais motivos: os salários médios maiores que os da iniciativa privada e a estabilidade garantida ao funcionalismo público.

Também não faltam oportunidades: apenas no site Concursos no Brasil estavam disponibilizadas 25 mil vagas.

Tornar-se um profissional de concursos traz muitas dificuldades. É comum os concurseiros desistirem após algumas tentativas frustradas. Há necessidade de muito apoio familiar e nem pensar em ganhar dinheiro nesse período, quando muito apenas o suficiente para a mínima manutenção. Persistir mais um pouco nos estudos e ganhar mais experiência em provas pode fazer diferença.

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

O mapa da mina dos concursos

Uma boa forma de iniciar a busca por concursos está, justamente, nos sites de órgãos dos governos. Além de informações sobre concursos previstos e em andamento, os órgãos oferecem provas de seleções antigas, o que auxilia no processo de aprendizagem e conhecimento referente à vaga desejada. Do governo federal, o sítio principal é o Ministério do Planejamento (www.planejamento.gov.br), que aponta o acompanhamento geral das vagas abertas pela União com respectivos editais. De janeiro até agora, o Ministério do Planejamento autorizou a abertura de 25.568 vagas em todo o país. Para ter ideia sobre os processos seletivos de outras instâncias, além da federal, o melhor é conhecer as empresas responsáveis pelos concursos. Entre as principais está a Fundação Carlos Chagas (www.concursosfcc.com.br), à frente de certames do Ministério Público de vários estados, Tribunais Regionais do Trabalho, Assembleia Legislativa do governo de São Paulo, Senac, Banco do Brasil e outros.

Também é recomendado o site do Cesp/Unb (Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília), que elabora as provas para o ingresso no STF (Supremo Tribunal Federal), na Polícia Federal, AGU (Advocacia Geral da União) e, entre muitos outros órgãos, no Instituto Rio Branco, que prepara os diplomatas brasileiros. O site da Cesp/Unb é o www.cesp.unb.br. Agora, se você prefere um órgão público sul-mato-grossense, é válido consultar o site www.concurso.ms.gov.br, onde são informadas todas as seleções do âmbito do governo estadual, com as respectivas provas de concursos anteriores.

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Não tenha dúvidas, luxo bom para todos

A vida é cheia de estereótipos. Políticos, geralmente são mentirosos, lindas mulheres dão muito trabalho para conquistar e produtos luxuosos custam muito caro, certo? Não, está errado!

Algumas empresas têm desenvolvido soluções para oferecer aos consumidores bens e serviços de excelente qualidade, mas com preços acessíveis a pessoas da classe média.

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses
Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses
Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Esta coluna garante: foi encontrada uma previsão correta de Guido Mantega

Ao contrário do que apregoam os economistas tucanos, difamando o ministro da Fazenda ao afirmarem que ele nunca acertou uma previsão sequer, acabamos de encontrar uma previsão correta feita por Guido Mantega: o fato que comprova a capacidade de previsão ocorreu em 1960, quando ele cursava o terceiro ano do ciclo básico. Fez uma aposta com um coleguinha de sala que o preço do cachorro-quente da cantina aumentaria na semana seguinte. Guido Mantega acertou a previsão e ganhou a aposta.

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses
Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses

Famílias chinesas radicalizam para garantir sucesso na educação dos filhos

O chinês Zhang Jiasheng sofreu um derrame há dois anos e ficou impedido de trabalhar. Assistir a família endividada pela compra de medicamentos sempre o afligiu, mas saber do sucesso do filho, o jovem Zhang Yang, de 18 anos, foi demais. Jiasheng suicidou-se tomando pesticidas enquanto o filho viajava para comemorar o ingresso na mais prestigiada e tradicional faculdade de medicina da China. A família não teria meios para financiar o curso. Casos extremos, como o relatado pela BBC são raros, mas a celeuma criada pelos asiáticos em torno do financiamento da educação dos filhos não é menos impressionante. Há histórias, até, de grupos familiares que vendem as residências para manter a educação dos filhos no exterior. Em 2012, os processos seletivos das universidades norte-americanas contaram com 40 mil chineses na disputa. O custo de manutenção chega a US$ 8 mil mensais em algumas das instituições dos EUA.

Ao contrário do regime político, o fenômeno com os gastos é amplamente democrático. Dos mais abastados aos operários, todos aplicam quase tudo o que têm em educação. O resultado está em dívidas, cancelamento de seguros de saúde e queda na qualidade de vida. O projeto de educar envolve além dos pais, os avós dos estudantes. A tendência está se espalhando e institutos de pesquisa apontam endividamento em níveis alarmantes pelo mesmo motivo na Coreia do Sul, Cingapura, Índia e Indonésia.

A competitividade é motivo de preocupação dos governos, mas as próprias escolas também põem combustível no problema. Na China, por exemplo, até o namoro é desestimulando para que o foco permaneça nos estudos. Há uma escola chinesa em que os estudantes não podem ultrapassar o limite de 1 metro para aproximação. A educação é necessária e priorizar a formação dos filhos é uma atitude louvável que deve, inclusive, ser universalizada. O problema está nos abusos que, como percebemos, levam até a morte.

Um judeu fugitivo do nazismo em terras sul-matogrossenses