A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 23 de Junho de 2017


  • Finanças & Investimentos
  • Finanças & Investimentos

    Emanuel Steffen - www.mayel.com.br


16/09/2016 12:05

Reflexos da crise e o alto endividamento

Por Emanuel Gutierrez Steffen (*)

O endividamento das famílias no Brasil voltou a subir. É o que indica os dados da mais recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O porcentual de famílias que relataram ter dívidas, alcançou 58,0% em agosto.

Isso representa um aumento de 0,3 ponto porcentual em relação aos 57,7% observados em julho, interrompendo uma sequência de seis meses de redução. A quantidade de famílias com dívidas ou contas em atraso também aumentou na passagem de julho para agosto, de 22,9% para 24,4%. O total de famílias inadimplentes no último mês superou ainda o patamar de agosto de 2015. Naquela época o indicador chegou a 22,4%. Também piorou o porcentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes: passou de 8,7% em julho para 9,4% em agosto. Em agosto do ano passado, esse montante alcançava 8,4%.

Reflexo da crise no país - A grave crise econômica do país é, sem dúvida, um dos motores propulsores para que o número de endividados seja tão expressivo. No entanto, é importante salientar e deixar muito claro que a falta de planejamento financeiro pessoal também é um grave obstáculo para muitas famílias brasileiras. O endividamento por si só, quando administrado, não chega a ser um grande problema. Afinal alguém que faz qualquer tipo de parcelamento já é considerado portador de uma dívida, mas não necessariamente “dono” de um transtorno. A situação se agrava quando as dívidas saem do controle e começa a surgir o atraso nos pagamentos. Sem planejamento e diante de juros tão altos, as dívidas corroem rapidamente as finanças das famílias, que rapidamente acabam afundando nas modalidades de crédito, principalmente o cartão de crédito e o cheque especial.

Juros exorbitantes - De acordo com o Banco Central (BC), os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cheque especial avançaram 2,7% em julho (último número divulgado), chegando a impressionantes 318,4% ao ano. Ainda de acordo com dados do BC, os números atingiram o maior valor de toda a série histórica, que começa em julho de 1994. Ou seja, é a maior taxa em 22 anos. Na parcial deste ano, a taxa subiu 31,4%; em 12 meses até julho, subiu 71,5%. Os juros médios cobrados pelos bancos para financiar os cartões de crédito, a modalidade conhecida como rotativa, ficou em julho, na média, em 470,7% ao ano. Esses números por si só mostram o tamanho da encrenca de quem acaba perdendo o controle das dívidas no Brasil.

Comece a controlar suas finanças agora! - A grande sacada para controlar a vida financeira é sempre gastar menos do que ganha. Na teoria, esse mandamento parece ser simples, mas na prática não é tão fácil assim, certo? Lidar diariamente com o crédito e ao mesmo tempo resistir aos apelos de consumo é sempre uma situação delicada. Mesmo com os juros altos, não podemos simplesmente esconder nossa responsabilidade e não assumir as escolhas ruins que costumamos fazer. Como o consumo está quase sempre está ligado a decisões tomadas com base na emoção, o planejamento antecipado acaba diminuindo a possibilidade de gastos não programados. Se você ainda não faz o planejamento financeiro, esse é o momento propício. Comece a trabalhar em cima de metas de gastos para cada tipo de despesa, de forma que suas despesas não fiquem maiores do que suas fontes de renda.

Lembre-se de investir - Outro fator primordial é reservar pelo menos 10% de sua renda líquida para investir. Talvez você já tenha lido isso em algum lugar e considera essa sugestão mais um “blábláblá” de quem trabalha com educação financeira, mas (in) felizmente é a pura verdade. Quem ainda não tem uma reserva para emergências deve considerar a criação dela com urgência. O ideal é conseguir criar (e manter) uma reserva que garanta o mesmo padrão de vida atual por pelo menos 6 meses.

Conclusão - Nesse período de grande turbulência, é natural que as pessoas enfrentem problemas. Crises são cíclicas e sempre existirão. O que precisa ficar de lição é que devemos aprender a aproveitar os momentos de bonança para criar a “gordura” que servirá para ultrapassar os momentos de dificuldade. Lembre-se ainda que é possível, nesses próximos meses, nos defrontarmos com pessoas com dívidas. Elas estão muito próximas de nós. Alguns ainda conseguem disfarçar, mas, mais cedo ou mais tarde, o descontrole se mostrará presente. Vizinhos, familiares, pessoas queridas. A situação não está fácil. Se você quer ajudar, a melhor forma de fazer isso é mostrando a importância da educação financeira e da organização das finanças domésticas. Mais do que isso, procure fazê-las entender que os responsáveis pelos problemas financeiros sãos elas e suas escolhas. Até a próxima!

Fonte: Ricardo Pereira/Dinheirama.com
Disclaimer – A informação contida nestes artigos, ou em qualquer outra publicação relacionada com o nome do autor, não constitui orientação direta ou indicação de produtos de investimentos. Antes de começar a operar no SFN - Sistema Financeiro Nacional o leitor deverá aprofundar seus conhecimentos, buscando auxílio de profissionais habilitados para análise de seu perfil específico. Portanto, fica o autor isento de qualquer responsabilidade pelos atos cometidos de terceiros e suas consequências.

(*) Emanuel Gutierrez Steffen é criador do portal www.mayel.com.br

4 passos para sair do superendividamento
Toda semana recebemos mensagens de leitores realmente desesperados. Muitos destes que conversam conosco se encontram em uma situação grave de endivid...
Gere mais renda revendendo importados
Uma das formas mais seguras de gerar renda extra ou de iniciar um negócio de sucesso é através de produtos para revender. Isso porque independente do...
Conselhos aos jovens que estão desempregados
Segundo o IBGE, o desemprego entre os jovens é de quase 29%. E não há perspectivas de uma rápida melhora. A nova geração encara desafios que a maiori...
Por que políticas de estímulo geram recessões
A falácia da vidraça quebrada, popularizada por Frédéric Bastiat, continua sendo a metáfora perfeita para mostrar as consequências daquilo que se vê ...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions