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Manoel Afonso

As opções do eleitor: abraços ou propostas?

Manoel Afonso | 30/09/2022 08:20

A CHEGADA: Os últimos dias de campanha ocorrendo no campo digital. Se o abraço não resolveu, nem as visitas de sempre, essa é a última a chance de influenciar o vizinho, colega de trabalho e parentes. Afinal, as redes sociais são armas poderosas, cada vez mais usuais, do gari da limpeza ao rico empresário. O brasileiro curte a internet por duas horas diárias.

ELEIÇÕES: Há quem sustente de que elas deveriam ocorrer todos os anos. No fundo elas alimentam sonhos de idealistas e oportunistas, melhoram a economia gerando emprego e o dinheiro circulando mais - ainda que temporariamente. Mas também provocam consequências danosas: o aumento do índice de natalidade e até de divórcios.

PESQUISAS: Comparadas ironicamente ao biquíni; mostram o principal, mas escondem o essencial. Mas a função delas não é projetar o futuro e sim permitir que o eleitorado tenha uma visão do quadro e qual seria o leque de opções. Com elas, os candidatos podem avaliar melhor o eleitor, como atingi-lo e também convencê-lo.

EXPECTATIVAS: A maior delas é para saber quem disputará com André Puccinelli (MDB) o governo. Pelas pesquisas Marquinhos Trad (PSD) e Eduardo Riedel (PSDB) seriam os candidatos mais bem posicionados. Rose Modesto (União Brasil) e Capitão Contar (PRTB) correriam por fora. Tranquila a situação de Tereza Cristina (PP) candidata ao Senado.

SOBREVIVENTE: Precavendo-se da natural vulnerabilidade pelas denúncias e prisões, habilmente Puccinelli limitou-se a apresentar propostas, evitando entrar em temas polêmicos e criar atritos com os concorrentes. Mesmo nos debates o que se viu foi um postulante comedido já pensando em atrair apoios no 2º turno. Até aqui surpreendeu pela mansidão.

MARCOS TRAD: Um início de campanha fulminante, mas seu voo foi interceptado pelo ‘míssil’ de denúncias por abusos sexuais. Episódio desgastante que o obrigou a mudar de estratégia e discurso. Desde o começo elegeu como alvos Riedel e seu fiador político Reinaldo Azambuja. Apesar de tudo, exibe fôlego na busca da vaga ao 2º turno.

EDUARDO RIEDEL: Pouco à vontade nos eventos e na TV e discurso técnico de difícil penetração nas camadas inferiores da população. Razoável nos debates, criticado por ações na gestão estadual e pelas bençãos recebidas do governador Reinaldo. Lenta sua ascensão nas pesquisas, apesar da estrutura de campanha. A associou seu projeto a Bolsonaro e Tereza Cristina.

ROSE MODESTO: As pesquisas mostram suas dificuldades de inserção em certos segmentos sociais. Seu apelo feminista circunscrito a nichos de influência limitada. A escolha do empresário rural Alberto Schlatter como vice não trouxe dividendos eleitorais esperados. Mas é sensível e articulada para futuros voos. Ela continua na área.

CAPITÃO CONTAR: Candidatura surpresa. A formação militar (Agulhas Negras) deu-lhe embasamento patriótico definido e identificado com Bolsonaro. Prejudicado na escolha do partido no final do prazo eleitoral, teve pouco tempo no horário gratuito. Impossível prever o crescimento de sua candidatura na reta final. Mas segue vivo.

DESAFIO: O político seria mesmo dono do eleitor que o obedece cegamente como um teleguiado? Eleições nacionais, estaduais e municipais demonstram que o poder de transferir votos é complicado e relativo. Projetando o 2º turno na sucessão estadual a expectativa é sobre a possibilidade do eleitorado seguir ou não como manada obediente ao sinal de seu candidato que sucumbiu no 1º turno.

PURA ILUSÃO: Aqui as eleições presidenciais e parlamentares são paralelas. O eleitor não consegue aferir os perfis e propostas dos candidatos ao Congresso. Nos ‘USA’ parte do Senado e Câmara são eleitos na metade do mandato presidencial. Na França se escolhe primeiro o Presidente e só depois vem as eleições parlamentares. Nos dois países o eleitor decide em dar ou não maioria aos governantes, ou seja, fortalecendo-os ou obrigando-os a moderação.

ENTENDEU?: Aqui elegemos e só depois vamos conferir o perfil do presidente da república e dos ‘nobres’ congressistas. Aí é tarde demais! O Mensalão e o Centrão provam de que o Executivo, pode conduzir livremente a administração com barganhas e manobras. Daí não há interesse em copiar os modelos da França e Estados Unidos numa reforma política de verdade.

ROBERTO BRANT: “As eleições de outubro, parecem um jogo de vida e morte para todos nós, mas no fundo não passam de uma pura luta pelo poder. Todos sabemos, ou deveríamos saber, que o poder político entre nós é reserva de grupos e interesses muito restritos e passa muito longe de quase toda a população. Vamos às urnas, até por uma absurda obrigação legal, que não deveria existir numa sociedade civilizada e livre...”. (ex-deputado federal (MG) e ex-ministro da Previdência social).

VERDADES:  “O brasileiro quer um país diferente desde que não envolva sacrifícios pessoais. Quer mais Estado e menos impostos. Não é genial? Quer que as coisas mudem, que a corrupção acabe, mas sem mudar o próprio comportamento. A gente se acha malandro tirando onda de gringo otário. Quem são mesmo os otários?”. (Mariliz Pereira Jorge – de ‘O pior do Brasil é o brasileiro’).

NA MOSCA:  Em 1932, o jornal ‘Libert Digest’ enviou 20 milhões de cédulas eleitorais à casa de eleitores e recebeu de volta 3 milhões delas preenchidas. O jornal queria saber a tendência do eleitorado americano nas eleições presidenciais daquele ano.  Franklin D. Roosevel foi o prefeito eleito e reeleito por mais 3 vezes (1936/40/44). Ele faleceu em janeiro de 1945.

PADRE KELMON: Puxando pelo fio da história lembro de personagens religiosas que marcaram. Entre eles o Frei Caneca, dom Evaristo Arns, padre Anchieta, padre Vieira e o padre Regente Feijó. Nestas eleições, a vingança do ex-deputado Roberto Jeferson foi inventar o tal Kelmon (ET?) lembrando figuras folclóricas de pleitos anteriores como o Cabo Daciolo. Valei-me São Benedito!

RUBEM ALVES: “A presença de ratos na vida pública brasileira é evidência que o nosso povo não soube pensar, não sabe identificar os ratos. E não sabendo, o povo inocentemente abre os buracos pelos quais os ratos entrarão. Uma sociedade democrática entre lobos é possível porque existe equilíbrio de poder entre os lobos. Mas não é possível a sociedade democrática onde haja lobos e cordeiros...”

CONCORDA?:  “A esquerda não acredita num mundo em que os pobres odeiam os ricos. Os excluídos odeiam não ter as mesmas chances dos ricos. Isso é diferente da velha luta de classes.” (Thomas Friedman). “O problema da extrema esquerda é que ela nunca esteve preocupada em ajudar os pobres, mas apenas em prejudicar os ricos.” (Júlio Bárbaro). “O comunismo é uma espécie de alfaiate; quando a roupa não fica boa faz alterações no cliente.” (Millôr Fernandes).

MANCADA:  Todos os candidatos ao Planalto tratando o país como jovem sem atentar para detalhes. Pelo IBGE a população acima de 50 anos supera o grupo com menos de 30 anos. Cerca de 18,6% do eleitorado tem mais de 60 anos de idade e foram ignorados nas pautas dos programas dos postulantes. O Brasil envelheceu e os políticos não perceberam. Esse pessoal produz e vota!

ATUALÍSSIMA: “(...) Um país não vai para o brejo de um momento para outro ...um país vai para o brejo aos poucos, construindo sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidencias de crime por toda parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas...” (trecho do texto ‘A caminho do Brejo’, de Cora Ronai em 2016).

PONTO FINAL:

“Quando os homens são éticos, as leis são desnecessárias; quando os homens são corruptos as leis são inúteis”.  (Thomas Jefferson).

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