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É possível ter um luto de animais de estimação?

Por Lia Rodrigues Alcaraz (*) | 29/04/2024 08:00

Nos últimos dias ficamos chocados com o caso do Joca, o cachorro que morreu após ter sido despachado pela companhia aérea para um destino diferente do planejado. E a grande questão veio novamente à tona, os animais devem ser despachados como bagagem?

Mesmo entendendo de forma racional o despache de animais no bagageiro do avião, a tragedia ocorrida na última semana com o cachorro Joca abalou e comoveu muitas pessoas que possuem pets. O luto de pets também existe e deve ser falado e tratado.

O luto de animais de estimação é uma questão muitas vezes negligenciado pela sociedade, mas para muitos donos, é uma experiência profundamente dolorosa e significativa. A perda de um animal de estimação pode desencadear um processo de luto complexo e emocionalmente desafiador, pois esses animais muitas vezes são considerados membros da família. No entanto, entender e validar esse tipo de luto nem sempre é fácil, especialmente para aqueles que não compartilham o mesmo vínculo emocional com os animais. Uma das vicissitudes mais marcantes na compreensão do luto pelos animais de estimação é a variação na percepção cultural e social. Enquanto algumas pessoas consideram a perda de um animal de estimação como uma experiência legítima de luto, outras podem minimizá-la ou até mesmo ridicularizá-la. Isso pode deixar os enlutados se sentindo isolados e incompreendidos, sem um espaço adequado para expressar sua tristeza.

E para aqueles que experimentam o luto de um animal de estimação, a dor é muito real. As lembranças de momentos compartilhados, as rotinas diárias interrompidas e o vazio deixado pela ausência do animal podem causar um impacto avassalador e o processo de luto pode ser prolongado e imprevisível, com altos e baixos frequentes.

É fundamental reconhecer e validar o luto pelos animais de estimação, oferecendo apoio emocional e compreensão aos enlutados. Isso inclui permitir que as pessoas expressem livremente sua tristeza, sem julgamento ou estigma.  A comunicação aberta e a empatia são essenciais para ajudar aqueles que estão passando pelo luto de um animal de estimação, reconhecer a profundidade do vínculo entre humanos e animais e oferecer um ombro amigo pode fazer toda a diferença para alguém que está sofrendo.

(*) Lia Rodrigues Alcaraz é psicóloga formada pela UCDB (2011), especialista em orientação analítica (2015) e neuropsicóloga em formação (2024). Trabalha como psicóloga clínica na Cassems e em consultório.

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